Escrever por Escrever VIII (excertos)

{10/07/2000 – Segunda-feira – 22:41}

Podemos sentir medo, mas devemos enfrentar.

Algo que escrevi em três de maio de mil novecentos e noventa e nove:

Porque as pessoas não dão uma chance umas às outras? Nada que se passa com alguém é em vão. Porque temos sempre que fazer as coisas e, muitas vezes, justamente a coisa errada? E se a ação mais justa, correta e verdadeira for não fazer? Com isso não quero dizer simplesmente ficar parado assistindo a banda passar, mas permitir que a banda passe e execute seu trabalho, sem pôr empecilhos. Penso ser essa uma tarefa difícil. Cada vez que caminhamos de mãos dadas com uma pessoa, ao mesmo tempo ela está caminhando de mãos dadas conosco. Será que conseguimos realmente agir assim com as pessoas que nos cercam? Será que oferecemos nossa mão para nossa família, amigos, para aqueles que precisam ou mesmo para quem mais amamos? E será que essas pessoas também o fazem para conosco e para com os outros? A visão de um planeta, composto por várias formas de vida, uma mais intrigante e interessante que a outra e mesmo de uma espécie – a humana – com todas suas espetaculares diferenças e curiosas semelhanças, fascina a quem observa. I just cannot understand how people do not mind about brothers beeing killed (dying?) by the hungry they help create. Você, que por algum motivo está lendo isso agora, deve estar se perguntando porque cargas d’água eu estou escrevendo esse "nonsense". Bem, eu estou voltando de trem de Paris até Londres, e como não trouxe nenhum livro para ler, resolvi escrever o que me viesse à cabeça. Continuando… Quando se quer alguma coisa, se vai atrás até conseguir. Quanto maior a vontade de se ter tal coisa, maior o esforço que somos capazes de realizar. Mas, e se essa coisa bate de frente com os desejos ou necessidades de outra pessoa? Quando amamos esta pessoa, muitas vezes não nos importamos em ceder para agradá-la. Mas, quando não temos nenhuma relação afetiva direta com ela? Aí começam os problemas… {10/07/2000 – Segunda-feira – 23:07}

ESCREVER POR ESCREVER

{01/01/2001 – Segunda-feira – 00:17}

Dois mil e um. Uma odisséia no espaço? Por enquanto não… Continuamos todos sobre a superfície do planeta, comemorando a virada do milênio com nossos pés no chão. Astronautas libertados? Não, mas nossas vidas se atrapalham em qualquer rota que façamos… Mas eu tenho esperança de que isso vai durar pouco. A luz que esse novo milênio traz pode ser vista ao longe e, quando ela chegar de vez, irá iluminar de uma vez por todas as nossas mentes e vidas, trazendo tudo aquilo que é apregoado para a Era de Aquarius: um acesso a planos mais elevados de evolução com uma conseqüente revolução na sociedade, com o surgimento de novos sistemas, conceitos, causas e ideais. O lema fraternidade, igualdade e liberdade será revitalizado e da conjunção dessas características se desenvolverá uma nova consciência global, planetária, sem separações de raças ou nações. Vamos começar a plantar nosso futuro! {01/01/2001 – Segunda-feira – 00:27}

{01/01/2001 – Segunda-feira – 14:44}

A passagem do ano foi bem boa para mim. Passei junto com minha vó Helga, aqui em Agudo (estou aqui desde o dia 30) e depois com minha tia Ledi e primas e alguns outros parentes do lado paterno. Minha mãe ligou (ela está na praia) para nos desejar Feliz Ano Novo… Depois eu e a Carol fomos para a Boate de Reveillon no Verde, que estava bem animada – e bastante cheia por sinal! Dancei, cumprimentei amigos e conhecidos e cedo fomos embora. Fomos para a casa da minha vó… XXXCensuraXXX… Acordamos às 6:30 e a levei para casa. Voltei pra cama, dormi até o meio-dia e minha vó me acordou. Dormi mais uma horinha, acordei, comi massa assada com coca-cola, li um pouquinho do meu livro novo "A Epopéia do Pensamento Ocidental – Para compreender as idéias que moldaram nossa visão de mundo", de Richard Tarnas, que comprei esses dias juntamente com outros três livros: "Entrevistas sobre o fim dos tempos" da série Ciência Atual da Rocco, onde Umberto Eco (semiólogo e romancista), Jean Delumeau (roteirista e escritor), Stephen Jay Gould (paleontólogo) e Jean-Claude Carrière (historiador) discutem, cada um do seu ponto de vista, a perspectiva do fim dos tempos nas diferentes culturas nesse fim de milênio; "Teoria Geral da Política – A filosofia política e as lições dos clássicos" de Norberto Bobbio, organizado por Michelangelo Bovero, publicado pela Editora Campus, que apresenta a visão de Bobbio e dos clássicos sobre Política. Um espetáculo!; e, para finalizar, comprei um livro de mesa com fotografias de William Claxton sobre Jazz: Jazz Seen, editado pela Taschen. Depois de lê-los (ou mesmo durante) farei alguns comentários de partes que achar interessantes. Bem, agora vou arrumar minha trouxas e vou zarpar para Porto Alegre. Amanhã começa meu segundo ano de residência médica. Vou começar na UTI, tudo novo para mim. Vai ser bem interessante! Espero que consiga me adaptar depressa! Como fiquei bastante tempo sem escrever por escrever, talvez essa quebra temporal tenha trazido um pouco de nebulosidade e confusão na seqüência de eventos. Para tentar remediar esse inconveniente, pretendo fazer um "resumo dos acontecimentos" dos últimos meses assim que tiver um tempinho (talvez no próximo fim-de-semana). Ah! Também não pretendo ficar mais tanto tempo sem escrever. Com certeza vou me organizar melhor esse ano! Até… {01/01/2001 – Segunda-feira – 15:08}

{28/01/2001 – Domingo – 10:42}

Cá estou. Neste momento escrevo diretamente do Centro Clínico, em Novo Hamburgo, onde estou de plantão desde ontem às 19:00 e onde ficarei até amanhã às 7:00. Até agora o plantãozinho está calmo e sereno. Tomara que continue assim. Bem, deixe eu atualizar nossa conversa… Agora sou residente de segundo ano (R2) de Medicina Interna no Hospital Conceição, passando em janeiro pela UTI. Além disso, estou de férias na faculdade e minhas férias no Hospital se aproximam (são em Fevereiro). Estou editando um jornalzinho/fanzine que é o "Simplicíssimo"(amanhã sai o número 3), onde trago artigos variados escritos por mim e por "colaboradores". Também estou tocando em uma banda nova de covers de música pop/rock chamada Webstereo. Os caras são bem legais, e a banda é meio capenga, mas tem potencial… A The Brains está suspensa por tempo indeterminado desde que o Fabiano não compareceu ao último ensaio; estou desde então sem falar com ele – isso já deve fazer uns 3 meses… Continuo indo na Academia Gala, fazendo minha musculação, meus abdominais (abomináveis!) 2 vezes por semana, devagarzinho vou ficando fortinho… Ainda não achei um(a) professor(a) de canto para mim… Ups! Agora vou desligar um pouquinho o computador porque a ventoinha está estragada e ele está esquentando! Volto mais tarde… {28/01/2001 – Domingo – 11:14}

Susan Buck-Morrs, Hegel e o Haiti

É muito bom ouvir falar de Susan Buck-Morrs nestes tempos de reorganização da esquerda pelo mundo afora. Ela é autora do clássico The Origin of Negative Dialectics (1977), estudo histórico sobre a Escola de Frankfurt centrado nas figuras de Theodor Adorno e Walter Benjamin. The Journal of Visual Culture (no artigo "Globalization, cosmopolitanism, politics, and the citizen", 2002, vol. 1, nº 3, p. 325-40) traz uma entrevista com ela, sobre seu último livro (Dreamworld and Catastrophe: The Passing of Mass Utopia in East and West, 2000) e seus projetos recentes. Continue lendo “Susan Buck-Morrs, Hegel e o Haiti”

Tudo Está Impresso No Éter Universal

Ufa! Como é bom dar uma respirada! Finalmente este povo começou a participar do Simplicíssimo! Essas mentes brilhantes não podem ficar paradas! Nesta semana fui assistir "O Chamado" (The Ring, em inglês). Haviam algumas críticas favoráveis e várias contrárias ao filme, dadas, é claro, por meus amigos e amigas. Decidi avaliar por mim mesmo. Conclusão: é um filme para quem gosta mesmo de suspense e um pouco de terror… Continue lendo “Tudo Está Impresso No Éter Universal”