36.

Sábado, 22h40. Um bar desconhecido.

A porta se abre. Ele nem bem entrou e já viu a garota. Ela também olhou para a porta bem naquele momento. Algo magnético aconteceu.

 

Ela: uma calça de jeans, uma camiseta branca, longos cabelos negros, um colar no pescoço.

Ele: também uma calça de jeans, uma camiseta vermelha, um piercingo e cabelos curtos.

 

Para ele, tudo é silêncio. Só podia escutar o coração da menina. Ela nem pensa em nada mais, parece que uma onda gigante traz o rapaz até sua mesa. Ela se prepara enquanto ele caminha em sua direção.

 

Quando ele chega perto, vira uma porrada na boca dela que faz seus dentes voarem. Mas antes de vê-la chegar ao chão, ele sente o sangue e vê a faca que ela enfiou em seu peito.

Encruada

Aos cinqüenta anos, após um longo jejum sexual o hímem complacente rompeu-se.

A hemorragia que se seguiu foi o ponto final daquela festa…

 

35.

No meio do almoço em um shopping lotado no centro da cidade. Todos comendo suas refeições rápidas pensando em compras antes de voltar para o escritório. De repente, a multidão de meninos-macacos invadiu a praça de alimentação. Nus e correndo com as quatro patas, os meninos-macacos estavam famintos. Arrancavam os sanduíches de mãos em pânico e bebiam os refrigerantes, apesar de preferirem os Diet. Da mesma forma que apareceram, sumiram. A maioria das vítimas sofreu um trauma tão grande que simplesmente apagou da memória o ataque dos meninos-macacos. Se não fosse as câmeras de segurança, o incidente passaria desapercebido. Nenhuma pista do bando, é claro.

34.

Era uma família conservadora, eu sabia. Mas eu gostava dele. Sempre que sentávamos na mesa, o pai em uma das pontas (eu ficava na outra, porque era o convidado), rezava. Eu sempre fingia que dizia Amém. Era ridículo, eu sei, mas eu me sentia bem.