Como surgiu

E-zine livre de tabus e temas pré-determinados, produzido por cabeças perdidas e pensantes da capital gaúcha, arredores e interior, o Simplicíssimo nasceu da mente mui loca, superativa e idealista de Rafael Luiz Reinehr. Médico especialista em Medicina Interna e Endocrinologia, estudante de Sociologia (que não quer ser presidente da república), 26 anos, natural na cidade das garotas verão, Agudo, no centro Rio Grande do Sul.

Tudo começou a tomar corpo na década de 90, com um maior número de estímulos recebidos pelo jovem quando deslumbrou-se na grande capital dos pampas. Surgiu, na época, um fanzine chamado Joe Volume que, depois, transformou-se no Simplicíssimo. A antiga versão era rodada em uma impressora jato de tinta, com cerca de cinco cópias por edição, distribuída entre amigos. Finalmente, em 25 de outubro de 2002, transformou-se em e-zine, tendo ampliada a participação dos leitores.

Mas, para aumentar o alcance das idéias, o e-zine ganhou, em 26 de junho de 2003, espaço na tal de world wide web, divulgando ainda mais as "Viagens Psicodélicas Impressas no Éter Universal". Ah, o nome, Simplicíssimo, foi chupado e
traduzido de um jornal alemão majoritariamente de cartuns, da virada do século XIX para o XX, que criticava a sociedade e política vigentes, sempre com muito bom humor, algo que lembra muito o "O Pasquim".

Além do idealizador, que organiza toda a balbúrdia de idéias,
escreveram antes do e-zine tornar-se site, esporadicamente ou freqüentemente: Adriana Fornari (médica endocrinologista), Adriano Oliveira (estudante de psicologia), Alessandro Garcia (publicitário e escritor), Alexandre Ulrich (médico anestesista), Blau Souza (médico e editor de Médicos (Pr)Escrevem), Carolina Schumacher (estudante de psicologia), César Schirmer dos Santos (mestrando em filosofia), Daiana da Silva (jornalista), Daniel Dutra (estudante de psicologia), Débora de Azevedo (estudante de odontologia), Edi Ouro (ex-funcionário do Grupo Coquetel), Eduardo Hostyn Sabbi (médico psiquiatra e "homepagemaker"), Evelise Birck Rodrigues (enfermeira), Everton Ferreira (estudante de engenharia elétrica), Fabiano Fraga de Carvalho (médico residente em medicina geral comunitária e músico), Idésio de Oliveira (enfermeiro e poeta), Juliana Robin (estudante), Mestle Kuh-Kah! (cozinheiro chinês exclusivo do Simplicíssimo), Mirian Laise Paul (estudante de pedagogia), Pedro Schestatsky (médico residente em neurologia), Pedro Volkmann (publicitário), Quéli Giuriatti (jornalista), Rafaela Trevisan (estudante de psicologia) e Rogério Amoretti (diretor técnico do Grupo Hospitalar Conceição).

Sempre assim
Longe de mim
Costumeiro vaivém da vida
Que leva e traz coisas boas e ruins
Porque insistes em privar-me do amor sem fim

A busca, cândida e árdua, do coração de mulher
Quer, quer, quer
Pra ontem, pra hoje e pra amanhã
Sem tardar por demais, nem pensar na semana que vem, mês que vem, nem vem que não tem
O quanto antes melhor
O quanto de amor maior
O quanto de cor que puder

Inspiração

Olhos doces que olham pra mim e me vêem
Sem dó nem piedade
Sem pena da vaidade
Sem medo de ser feliz

Onde estão, os olhos doces de pecado e visão?

Sensação

Onde quer que esteja, agora surja e apareça e acabe pra já com a minha solidão


Quéli Giuriatti, nem drogada nem prostituída, jornalista, 25 anos. Pessoa séria que não deve ser levada muito a sério. Gosta de rir, andar em bandos de amigos e amigas e escrever coisas. Principalmente, de gente e seus relacionamentos. Sobretudo, de amor.

Para Quê

Tudo é vaidade neste mundo vão…
Tudo é tristeza; tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!…

Beijos d’amor! Pra quê?!…
Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

Só acredita neles quem é louca!
Beijos d’amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!…

Florbela Espanca (A Mensageira das Violetas)

E o calor voltou

Minhas amigas falam em sexo. Falam, falam, falam. Algumas fazem, outras apenas falam, como um bom bando de solteiras divertidas, tentando refrescar a memória e rir um bocado. Dizem que é como andar de bicicleta, não é? Acho engraçada a comparação, mas nada a ver…Eu sou muito ruim e descordenada para andar de bicicleta. Pois eu prefiro, ultimamente, falar em desejo. Dentro de mim, já posso sentir algo ardendo. Uma vontade. Sabia que, um dia, o desejo (re)surgiria. Algo queima, impulsiona como uma máquina a vapor, mesmo que sem rumo certo. Tem gente que chama de fogo o que, definitivamente, considero brega pra caramba. Ainda defendo e prefiro o desejo. Querer estar, ficar junto de, gostar. Acariciar levemente. O ego, o coração. O seu e o de outrem. A coragem aos poucos retorna até nos mais combalidos corpos dos soldados no pós-guerra, mesmo que lamentando tanto sangue, tanta dor, tanta morte. Coisas vãs e vis. O tempo é um santo remédio, que a tudo ameniza. E oxigena. E os novos ares primaveris, o calor que faz o corpo esquentar, salientando os odores de carne humana, são verdadeiros temperos. Sabores de frutas adocicadas e melosas, que lambuzam com prazer as bocas que não tem a quem beijar. Mas que desejam, sim, muito mais do que um selinho. Ah, as pequenas alegrias que só o sol traz! Fico imaginando os europeus, que, nas poucas semanas ensolaradas, se despem dos pudores e das vestes e tomam conta das praças, seminús, na hora do almoço. De cueca ou calcinha e sutiã, sobre uma toalha de mesa xadrez, com um pouco de queijo e vinho branco. A felicidade despojada. Pois mesmo aqui, nas intempéries malucas do paralelo 30, o calor anima o desejo. E me sinto assim nesta época do ano e, em especial, nesta semana. Apesar de ser um dos ETs que não foi para a praia no feriado (uhu!). Quero deixar a pele dourar, quero sentir as ondas de raios UVA e UVB, quero desmanchar como uma manteiga quando ver você passar. Altivo, lindo em sua esquisitice, metido a inteligente, só para mim. Mesmo sem te tocar, alimento a minha vontade. Mesmo sem você me notar direito, sinto o seu olhar. Mesmo sem você existir ainda, te procuro nas ruas, nos rostos, com a ajuda da benta luz do dia. Mesmo fazendo ficção com base na minha estúpida criatividade de mulherzinha a meio caminho dos 30 anos, te espero com muito desejo. Nunca gostei de desistir da minha felicidade. Nunca entrei no papel servil de Amélia, que dizem que era mulher de verdade. Nunca várias coisas. Mas, nunca, nunca, deixei de me transformar quando o sol invade a minha janela, ilumina minha estrada, torna minha cor dourada e meu desejo, ansioso.


(Quéli Giuriatti, nem drogada nem prostituída, jornalista, 25 anos. Pessoa séria que não deve ser levada muito a sério. Gosta de rir, andar em bandos de amigos e amigas e escrever coisas. Principalmente, de gente e seus relacionamentos. Sobretudo, de amor.)