Ânimo de ferro

A NOITE EXALAVA um hálito morno, prenúncio de chuva naquele outono que insistia em permanecer em pleno julho. Meu cachorro gania. Podia ouvi-lo do outro lado da parede de madeira. O pessegueiro em flor agitava os galhos. As laranjeiras carregadas agitavam os pesados e arcados galhos. Cães latiam longe bem longe em quintais alheios. O cricrilar dos grilos como silvos distantes.

A NOITE EXALAVA um hálito morno, prenúncio de chuva naquele outono que insistia em permanecer em pleno julho. Meu cachorro gania. Podia ouvi-lo do outro lado da parede de madeira. O pessegueiro em flor agitava os galhos. As laranjeiras carregadas agitavam os pesados e arcados galhos. Cães latiam longe bem longe em quintais alheios. O cricrilar dos grilos como silvos distantes. Vez que outra um galho do cipreste batia na janela do quarto de dormir obedecendo aos caprichos do vento, como quem bate com o nó do dedo à porta em busca de pouso. Na chapa do fogão a lenha descansava em panelas pretas as sobras do arroz, do feijão e da carne que seriam o cabo-de-relho pro café da manhã…

meia-noite e dez. uma trovoada decidida rasga o início da madrugada. a chuva começa firme tamborilando no brasilit. a vida se recolhe. melhor mesmo em tempo assim são os pelegos pra quem tem ÂNIMO DE FERRO.