Mãe

 

 
 
 
Mãe que dona de casa não é uma pessoa “à toa”. Muitas gostariam de trabalhar, mas nem sempre conseguem conciliar a maternidade com o trabalho.
 
Mãe que recebe ajuda de custos do pai e se dedica à criação do filho não é uma pessoa que “entra com zero”, como já ouvi. A dedicação a um filho não pode nem deve ser calculada. Pagar a pensão alimentícia é, seguramente, menos difícil  que educar uma criança.
 
 
Mãe é mãe. Não existe mãe solteira, mãe viúva, mãe divorciada. Estes indicam apenas o estado civil da mulher.
 
Mães são humanas. Erram, acertam, sentem cansaço, alegria, tristeza, saudade, ternura, entre outros.
 
Mãe dá plantão, exerce atividades em tempo integral, está “ligada” mesmo quando aparenta tranqüilidade.
 
Para a mãe, os filhos são sempre seus pequenos amores, ainda que estejam na meia idade.
 
Mães sentem desejo, continuam sendo mulheres de carne e osso. Estão vivíssimas, acreditem.
 
 
Mães abrem mão de muitas coisas ao longo da vida. Seguramente, os filhos não tem culpa de possíveis frustrações. É bom precaver-se a fim de não cobrar a “conta” do filho quando este crescer. Essa dívida  é ilusória. Caso precise, consulte um analista.
 
Mãe é mãe, pai é pai. Se um falta, a lacuna existe. Não há substituição.
 
Maternidade é vocação. Muitas mulheres não desejam ser mães e isso é normalíssimo.
 
Ser mãe é muito mais do que trazer uma criança ao mundo, embora esse seja o início de tudo.
 
 
 
 
 
 

Sedenta

 

 

Caminho sozinha entre as árvores. O momento que vivencio é intenso, único. Aqui é  o que realmente existe. É agora.

Ruídos ficaram para trás. Tudo passou. Não importa. Continuo caminhando. Sou andarilha. Busco.

A paz que encontro é reconfortante. O encontro comigo, ali adiante, é o presente que ofereço a mim mesma.

Inteira, posso encontrar o outro e compartilhar. Dividida, não sirvo para o mundo. Minha alma sedenta grita meu nome.

 

Pessoas

Pessoas estão falando, pessoas estão pedindo, pessoas estão aflitas, algumas estão apelando.

Pessoas desejam muito, nem todas medem esforços, algumas passam por cima, outras sofrem os danos.

Pessoas são boníssimas, pessoas não tem escrúpulos, pessoas são duais, pessoas surpreendem e assustam.

Pessoas querem viver, pessoas precisam de paz, pessoas promovem guerras, pessoas são enigmas.

Pessoas de todas as cores, tipos, credos, hábitos. Pessoas tão diferentes e no fundo parecidas demais.

Pessoas almejam amor e matéria, companhia e felicidade, ascensão. Desejam possibilidades.

Pessoas são paradoxos, são comuns, excêntricas, domesticadas, transgressoras. Pessoas são submissas, autoritárias, vulneráveis, sensíveis, fortes, multifacetadas.

Pessoas amam de menos ou demais, pessoas vivem isoladas ou agrupadas, pessoas lambem feridas e se recuperam de traumas, pessoas vivem na defensiva ou partem para a ação.

Pessoas bem quistas, personae non gratae, pessoas afetuosas, pessoas com déficit de amorosidade.

Neuróticas, perversas, excessivas, contidas, manipuladoras, manipuladas. Pessoas e suas particularidades.

Pessoas altruístas, egoístas, gentis, transparentes, camufladas, falsas, tranqüilas, iradas.

Pessoas se modificam ao longo do tempo, pessoas não nasceram para ficar paradas.

Pessoas e suas nuances. Pessoas repelem e atraem.


 

Audácia

Bondade é saber calar os erros alheios

Loucura é o tempo que passa e não espera a gente aprumar

Lucidez é a percepção aguçada de quem enxerga além do óbvio

Autenticidade é assumir a própria personalidade e correr o risco de ser taxado de insano

Maldade é ausência de compaixão

Posse é vaidade ilimitada

Amor verdadeiro é pouco exigente. E raro.

Saudade é aquele incômodo que não cessa

Egoísmo é a fonte de todos os conflitos

Paixão é um desequilíbrio químico

Tédio é a falta de interesse pelo cotidiano repetitivo

Sábio é aquele que aprecia as coisas simples da vida

Inteligente é quem capta significado nas entrelinhas

Subjetividade é a magia que se esconde no trivial

Felicidade é estado de espírito

Audácia é tentar definir tudo isso…

O escritor é um audacioso que não quer calar

E você?

 
 
Gosto de simplicidade, de pessoas verdadeiras, de inteligência, de respeito, de liberdade, de muita autenticidade.
Gosto de café forte, de banho de chuva, de cultura, de escrever e fotografar. Gosto de arroz e feijão, de ser mineira, de lembrar da infãncia, de estar perto de quem me faz bem. Gosto dos pocos amigos que restam, de viajar, de ficar sozinha, de filosofar, de gargalhar, de fazer uma oração.
Gosto do fim do ano – apesar de uma certa nostalgia que paira no ar – mas a oportunidade que  o calendário nos permite de fazer uma pausa e reiventar a própria vida me parece libertadora.
Preciso de diálogo, de compreensão, de colo, de gratidão, de paz, de consideração.
Gosto de ser quem sou, com todos os defeitos e qualidades que tenho…e você?

Firme, prossigo

 
     O tempo passou. As flores amarelas deram lugar a folhas verdes, marcando o início de outra época. As crianças cresceram, algumas pessoas se foram, outras chegaram. O calendário me lembra que um novo ano está por vir.
     A permanente impermanência indica a inivevitável realidade da qual fugi inutilmente, por tantas vezes. Ultimamente as mudanças tem sido tão velozes que chegam a causar um certo estranhamento.
     Meu ritmo interno muda lentamente. Aos poucos vou me adaptando a tantas novidades e tento acompanhar o desenrolar do processo do qual não posso escapar. Ninguém pode.
     Já que as transformações são inevitáveis, prefiro acreditar que bons ventos trarão boas novas e que o melhor está por vir. 
      Pedra que rola não cria limo, diz o ditado. Firme, prossigo.

Personagem

Entrou apressada enquanto os outros conversavam, mastigavam, riam. Lentamente. Pediu três cafés, uma água mineral, um croissant. Era a hora do almoço. Seu dia acabava de começar.
Precisava ficar um pouco sozinha, refletir sobre a ruptura de seu relacionamento após nove anos de indas e vindas. Permanecer naquela gangorra por mais um dia que fosse a levaria direto para o círculo dos insanos , viciados em relações tóxicas, reféns de si mesmos, da dependência do outro.
Ela estava visivelmente abatida, as olheiras quase azuladas, ombros curvados, a pele acinzentada.
Por mais que a dor lhe corroesse a alma e os ossos, um alívio discreto se aproximava, para seu próprio bem, já que retorno não haveria. Via de mão única. Seguir seria preciso.
Olhou-se em um espelho pequeno que carregava na bolsa, já não se reconhecia, estranha que estava, sozinha, sem roteiro, sem chão, sem rumo. Um personagem.
Ficou ali por algumas horas, sem noção do tempo, sem vontade de voltar para casa, de sorrir, falar, caminhar.
Desejava que  tudo passasse e  um dia ela pudesse ter apenas uma vaga lembrança daquele homem,  rir de tudo aquilo, independente de estar só ou acompanhada.
Quer sua identidade de volta. Não pode olhar para trás.