“O que realmente estamos fazendo pelos nossos velhos?”

Século XXI. O ser humano goza de novos saberes e tecnologias, vence batalhas contra as doenças e exalta os indicadores de que é cada vez mais possível se viver por mais tempo. Mas os males sociais, as neuroses, e o aspecto crônico de muitas patologias ainda são um desafio e põe em risco a qualidade do todo conquistado. Velhos conselhos ressurgem como novidade e especialistas esforçam-se para mostrar que o envelhecimento começa desde o nascimento da nossa primeira célula. Pesquisas avançam na busca de um freio para a ação do tempo que se esgota a cada batimento cardíaco enquanto o individualismo perpetua o preconceito e a exclusão, como que por uma lei natural de sobrevivência. É tempo, pois de unir esforços na construção de um futuro digno aos que lá chegarão e de um presente menos penoso aos que hoje idosos estão. É mais do que hora de nos perguntarmos em coro único: “O que realmente estamos fazendo pelos nossos velhos?”

– Data: 13 de Julho de 2005
– Horário: das 14 às 17h
– Promoção: Núcleo de Psicogeriatria da SPRS
– Mesa com debatedores interdisciplinares:
* Enfoque Médico: João Senger
* Enfoque Político: Ony Teresinha. Silva
* Enfoque de Saúde Pública: Rosa Maria
* Enfoque Filosófico: Renato Duarte
* Enfoque Social: Guite Zimerman
* Enfoque da Mídia: Clara Izabel Ibias

– Coordenadores:
* Eduardo Hostyn Sabbi
* Liliane Dias de Lima

– Aberto a todas as pessoas interessadas no tema

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A primeira volta

Bem no início eu me perguntava “Por que escrever” e já saia escrevendo em resposta. Algum tempo e muitos textos se passaram e é assombrosa a relação que se estabelece com o texto de estréia. E da mesma forma que comuniquei o começo, parece-me conveniente seguir a linha. Enfim, a vida é feita de momentos e como já dizia s Mutantes e seus cometas, “há sempre um tempo no tempo” e o momento atual é propício para uma pausa. Muito embora eu Continue lendo “A primeira volta”

O Fórum Social Mundial e o PT

Não é apenas boataria não. Por incrível que pareça, ilustres de todos os lados começam a pipocar com a idéia de retirar de Porto Alegre a condição de sede do Fórum Social Mundial. E parece não haver vermelhidão alguma em suas faces com tão escandalosa idéia. Pior, deixam claro que o motivo é não ter mais o PT como o partido de poder na capital gaúcha. É por esse caminho que se manifestam as instituições do MST, CUT e UNE, reforçando assim seu incontestável vínculo político e toda uma trajetória de inconcebível parcialidade enquanto movimentos sociais ou “do povo”. Este tão vergonhoso posicionamento que atordoa a minha alma apartidária e desperta minha fúria democrática, sem dúvida terá como repercussão o aumento da rejeição nacional a este declarado partido esquerdista. Impossível considerar de outra forma. Parece que o recado do povo nestas últimas eleições nas grandes cidades brasileiras não foi entendido. Se o foi, devo imaginar que trata-se de algo que gira em torno de prepotência e arrogância tal postura do PT. Algo que você já deve ter lido em “A Revolta dos Bichos” e que impede a visão de um evento de cunho transformador que também possa ser em si modificável.

E de repente então, essa idéia absurda de estruturas rígidas e mentes inflexíveis começa a reavivar certos medos e a nos mostrar que talvez não o fossem tão descabidos assim. Quem já não ouviu algo do tipo “se eles assumirem, tomarão conta do que é seu, terás que repartir com eles”. Pois o PT parece se adonar indevidamente do que é meu, seu, nosso. Do que é do povo e então, em última (ou primeiríssima) análise, do que é social. Reforça aliás, a postura dos petistas mais militantes nas rodas em que discuto política, entre um copo de chopp ou um passeio pelo verde. “Nós é que somos os bons, os que se interessam pelas minorias, pelo social, que lemos livros-cabeça, que passeamos pela Cidade Baixa e escutamos a música alternativa”. Eles, somente eles. Não ouse outra sigla apoiar os movimentos “dos sem” e muito menos ousem seguir com o orçamento participativo sem pagar os devidos royalties (se é que me permitem usar algum americanismo em tempos de globalização) para a “turma do Lula lá”.

E então a essa altura você já deve estar com receio de algum regime autoritário ou pensar que a democracia serve enquanto a eles serve, uma vez que assumem que o Fórum, não sendo mais uma vitrine do PT, porque as contingências sociais (evolutivas ou não) assim o fizeram, não tem mais sentido em aqui existir. Imagino que deva você estar pelo menos refletindo a respeito de tudo o que acreditou até agora, seja para um lado ou para o outro. Ou, quem sabe, sendo um deles, siga sentindo que está no seu direito tirar o meu direito, já que não há contentamento em ser você apenas um esquerdo. Pois fica assim estabelecido por eles, que o Fórum Social Mundial de Porto Alegre não é mais Social, nem Mundial e quizás ainda possa ser chamado de Fórum, uma vez que terá neste cantinho do mundo um porto muito triste.

Uma Homenagem aos Cem

Cem edições se passaram e não posso deixar de aqui registrar minha satisfação de acompanhar meu amigo Rafael e em fazer parte de muitas delas, desde meu início com um poema na edição 08, um comprometimento com artigos isolados a partir da edição 18, até chegar às atuais colaborações semanais com a coluna en passant, iniciada na edição 64.

Cem-dobraram os textos e os participantes, Simplileitores, Simplicomentaristas, Simplivisitantes vindos de toda parte para prestigiar e celebrar as viagens etéreas impressas no éter universal, materializando e compartilhando o melhor produto da mente humana (ou por vezes o pior, ou qualquer um que fosse).

Cemenelenses e cempsos ainda hão de conhecer o que há pouco se internacionalizou, fruto ou vítima da globalização das idéias, mas que ainda esbarra na barreira da língua e seus amargos e pouco se pode saber do ponto onde estamos para onde vamos.

Cementado pela junta do conhecimento e viabilizado pela perda da vergonha ou pela audácia, nada me impede de dizer que completamos apenas um décimo das mil edições que estão por vir antes de percorrermos o caminho das próximas duas décadas nesses “passos ritmados do iê-iê-iê bem dançado” (Hey Boy!).

Cem-folhas embelezam e perfumam um salão de muitos cempassos nesta festa regada a cem-virtudes que torporeiam os mais afoitos, enquanto cêmbalos incansáveis reproduzem cemeses que embalam o sono daqueles que ousam reconfortar-se nas palavras e desnudam-se das armaduras produzidas com cementita.

Cemitério talvez me desejem os que esperavam aqui algo sobre o tema proposto pelo nosso editor e que eu, ao melhor estilo Frankjorgiano (toda terça à noite no Bar Ocidente em Porto Alegre-RS, imperdível), espero ter conseguido descumprir usando a também sugestão editorial com as citações do Houaiss.

Cem maravilhosas contribuições do livre-pensar impressas em diferentes pixels luminosos, dignas de leitura e do agrado de qualquer indivíduo, humanista, laico ou cristão (óoooo), tema que aliás complementa-se com o artigo de Bertrand Russel que recebi coincidente esta semana do meu melhor amigo (sem saber se há, talvez, alguma lógica nisso tudo), em “A Crise do Conhecimento do Homem Sobre Si Mesmo, de Ernst Cassirer, no “Ponto de Mutação” de Fritjof Capra (a mim presenteado recentemente pelo meu grande amigo e nosso simplicíssimo editor – e quem sabe ele já estava então mal intencionado) e até mesmo em “A Assustadora História do Sexo”, de Richard Gordon, entre tantos outros e inclusive em cada um de nós, que graficamente ou não, existimos e pensamos, não necessariamente nessa ordem.

Cem vivas ao Simplicíssimo!!!

Alta Rotação

Não sabia há quanto tempo estivera dormindo. Nem se fazia alguma diferença. O certo é que não estar só não se tratava apenas de uma sensação, muito embora a escuridão impedia visão maior. O espaço era pequeno para tantos ocupantes e o cheiro não era igualmente dos melhores. Enquanto tentava em vão alguma referência que o auxiliasse em sua orientação, uma chuva torrencial começou a desabar sobre sua cabeça e corpo, que encharcam-se em segundos. “Meus Deus, o que está acontecendo?” questionou-se, mal sabendo que aquilo era apenas o começo. Um estalido e subitamente o chão e as paredes começaram a tremer e tudo passou a balançar, instalando um medo geral. Vozes ecoavam ao redor: “A Simone, a culpa é da Simone!” Mesmo com grande esforço, não se lembra de ninguém com esse nome. Também não consegue raciocinar direito com infernal balbúrdia.

Para sua sorte, uma calmaria abrupta se instalou e deu-se conta que a chuva já havia parado. Sentiu a água escorrer as poucos e fez um grande esforço para recordar alguma Simone que poderia lhe querer mal, mas foi em vão. E quando parecia que tudo havia se resolvido, o retorno da chuva anunciava o contrário. Foi questão de segundos e tudo recomeçou e parou e recomeçou outra vez, como um ciclo. Não pôde contar quantas vezes, da mesma forma que não podia evitar o choque com quem estava ao seu lado e a irritação de tantos encontrões que vinha sofrendo. “O que poderia ser pior?” perguntou-se, sem ter ao menos tempo de se arrepender de não Ter ficado quieto. Como uma grande ciranda, o mundo começou a girar sem parar e uma força sem igual o jogou para a parede lateral. Esforçou-se para respirar. Talvez num parque de diversões tudo isso fosse divertido, mas não era o caso.

A boa notícia era que tal movimento propiciava o escoamento de grande parte da água que se acumulara em si e um perfume de flor tomava conta do espaço. Seria o prenúncio do fim daquele suplício? Ao que tudo indicava sim. Tudo parou e caiu já sem força alguma para tentar ficar noutra posição. Ouviu passos vindos do lado de fora e voltou a ficar angustiado: “É ela! Ela está vindo aí!”, gritam algumas vozes em desespero, outras com tom de alívio. E a porta se abriu, entrando uma forte claridade que o impediu de ver além. E mais uma vez tomado de assalto, foi literalmente puxado pelo colarinho e arrancado para fora, onde dois pedaços de madeira o mantiveram suspenso num fio, onde ficou até secar por completo. Agora sim, seco, limpo e cheiroso, pode ver a bela senhora que antes tivera medo e entendeu que esta teria sido apenas sua primeira vez na máquina de lavar roupas.

Ho ho ho

_ Menina você nem sabe o que andam falando por aí?
_ Oba fofoca! Diz aí poderosa, de quem é a vez?
_ Papai Noel!
_ O quê? Aquele pobre velhinho indefeso dos presentes?
_ Aham, senta aí que vou te contar tudinho. Tá dando o maior fusuê. Tudo começou com a história das renas. Sabé né, aqueles bichinhos que puxam o trenó.
_ Sei sei, aquelas do filme do nariz vermelho.
_ Isso mesmo. Tá sabendo hein? Olha só, parece que rena é só um nome fantasia. São veados mesmo, todos eles.
_ Nãoooooo …
_ Aham, assumidos. Por isso usam uns enfeites brilhosos pela noite. Mas sabe como é, ia ficar meio feio pro lado do Papai Noel, daí criaram esse apelido bobo.
_ Nick.
_ Não, rena.
_ Ai tolinha, nick de nickname, apelido. Tá desatualizada hein?
_ Eu hein?! Mas deixa te contar mais.
_ Tem mais?
_ Ihhh se tem. Toda aquela frescura de decoração. Bolinha prá cá, luzinha prá lá … Sabia que a roupinha dele era prá ser rosa?
_ Nahhhhhh
_Tô te dizendo. Mas na última hora acabaram com medo da repercussão e carregaram no vermelho. E tudo forradinho de lãzinha, uiuiui!
_ Aí você já está demais. Deve ser para não passar frio, Pólo Norte essas coisas …
_ Fetiche puro nêga! Isso sem falar naquela estória de pendurar a meia na lareira. Brincando de meia … M E I A … “meia”, entende?
_ Menina nunca tinha pensado nisso!!! E os presentes para as criancinhas, onde fica esse outro lado do Natal?
_ Sedução pura! Se comportou direitinho ganha, não se comportou, não ganha. Já tem até quem esteja processando o Noel por pedofilia com esse papinho de “vem aqui sentar no meu colinho” … Sem falar nos pequeninos ajudantes que esse safado mantém na fábrica de brinquedos.
_ Nem sei o que dizer …
_ Vamos combinar né, no meio da madrugada, ele todo vermelho querer entrar pela chaminé, um buraco escuro e sujo que serve para os gases saírem … aí tem coisa!
_ Nooooossssssaa! Fiquei tonta com tudo isso. Quem te contou?
_ Meu namorado novo, você vai conhecer ele hoje à noite. Vocês vão no GBar hoje, não vão?
_ Claro! O Tito adora ir lá. Falando nisso, tenho que ir senão não sobra tempo de me arrumar.
_ Então tá Alfredinho, nos vemos à noite.
_ Tá certo Luizão. Não vejo a hora de conhecer esse teu namorado novo.
_ Você vai gostar dele, não mais do que gosta do seu é claro.

_ Menina você nem sabe o que andam falando por aí?

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Texto escrito para e inscrito no concurso de crônicas natalinas da revista Diálogo Médico, cujo resultado deverá sair em breve. Torçam por mim!

Aqui está

De tudo existe nesse mundo
Não sou eu apenas quem digo
Do magnata ao vagabundo
Desde o novo ao mais antigo

Mas nem sabes o que procuro
E não poderás assim achar
Nem no claro, nem no escuro
Por se acender e se apagar

A menos que eu lhe diga
E você se deixe escutar
A minha mais doce cantiga

Ao céu de estrelas, ao luar
Resolve tudo que me intriga
Quando vens me encontrar