Escrever por Escrever IX (excertos)

{22/03/2001 – Quinta-feira – 14:04}

Estou no round da equipe do Serginho (Sérgio Prezzi) – que está bem interessante por sinal – mas resolvi recomeçar a escrever esta “coisa”, que pelo que percebo agora está mais pra Diário de adolescente do que pra livro de Filosofia. Realmente tenho deixado muito de lado meus escritos. Agora recomeçaram as aulas na Faculdade. Estou fazendo cinco cadeiras, uma mais legal que a outra. A Webstereo tocou em uma festa da Medicina Interna no Parque Knorr. Fomos bastante elogiados… Isso foi bom!

((((((…))))))

Bom, de noite eu continuo a escrever. Prometo! {22/03/2001 – Quinta-feira – 14:10}

{22/03

Escrever por Escrever VIII (excertos)

{10/07/2000 – Segunda-feira – 22:41}

Podemos sentir medo, mas devemos enfrentar.

Algo que escrevi em três de maio de mil novecentos e noventa e nove:

Porque as pessoas não dão uma chance umas às outras? Nada que se passa com alguém é em vão. Porque temos sempre que fazer as coisas e, muitas vezes, justamente a coisa errada? E se a ação mais justa, correta e verdadeira for não fazer? Com isso não quero dizer simplesmente ficar parado assistindo a banda passar, mas permitir que a banda passe e execute seu trabalho, sem pôr empecilhos. Penso ser essa uma tarefa difícil. Cada vez que caminhamos de mãos dadas com uma pessoa, ao mesmo tempo ela está caminhando de mãos dadas conosco. Será que conseguimos realmente agir assim com as pessoas que nos cercam? Será que oferecemos nossa mão para nossa família, amigos, para aqueles que precisam ou mesmo para quem mais amamos? E será que essas pessoas também o fazem para conosco e para com os outros? A visão de um planeta, composto por várias formas de vida, uma mais intrigante e interessante que a outra e mesmo de uma espécie – a humana – com todas suas espetaculares diferenças e curiosas semelhanças, fascina a quem observa. I just cannot understand how people do not mind about brothers beeing killed (dying?) by the hungry they help create. Você, que por algum motivo está lendo isso agora, deve estar se perguntando porque cargas d’água eu estou escrevendo esse "nonsense". Bem, eu estou voltando de trem de Paris até Londres, e como não trouxe nenhum livro para ler, resolvi escrever o que me viesse à cabeça. Continuando… Quando se quer alguma coisa, se vai atrás até conseguir. Quanto maior a vontade de se ter tal coisa, maior o esforço que somos capazes de realizar. Mas, e se essa coisa bate de frente com os desejos ou necessidades de outra pessoa? Quando amamos esta pessoa, muitas vezes não nos importamos em ceder para agradá-la. Mas, quando não temos nenhuma relação afetiva direta com ela? Aí começam os problemas… {10/07/2000 – Segunda-feira – 23:07}

ESCREVER POR ESCREVER

{01/01/2001 – Segunda-feira – 00:17}

Dois mil e um. Uma odisséia no espaço? Por enquanto não… Continuamos todos sobre a superfície do planeta, comemorando a virada do milênio com nossos pés no chão. Astronautas libertados? Não, mas nossas vidas se atrapalham em qualquer rota que façamos… Mas eu tenho esperança de que isso vai durar pouco. A luz que esse novo milênio traz pode ser vista ao longe e, quando ela chegar de vez, irá iluminar de uma vez por todas as nossas mentes e vidas, trazendo tudo aquilo que é apregoado para a Era de Aquarius: um acesso a planos mais elevados de evolução com uma conseqüente revolução na sociedade, com o surgimento de novos sistemas, conceitos, causas e ideais. O lema fraternidade, igualdade e liberdade será revitalizado e da conjunção dessas características se desenvolverá uma nova consciência global, planetária, sem separações de raças ou nações. Vamos começar a plantar nosso futuro! {01/01/2001 – Segunda-feira – 00:27}

{01/01/2001 – Segunda-feira – 14:44}

A passagem do ano foi bem boa para mim. Passei junto com minha vó Helga, aqui em Agudo (estou aqui desde o dia 30) e depois com minha tia Ledi e primas e alguns outros parentes do lado paterno. Minha mãe ligou (ela está na praia) para nos desejar Feliz Ano Novo… Depois eu e a Carol fomos para a Boate de Reveillon no Verde, que estava bem animada – e bastante cheia por sinal! Dancei, cumprimentei amigos e conhecidos e cedo fomos embora. Fomos para a casa da minha vó… XXXCensuraXXX… Acordamos às 6:30 e a levei para casa. Voltei pra cama, dormi até o meio-dia e minha vó me acordou. Dormi mais uma horinha, acordei, comi massa assada com coca-cola, li um pouquinho do meu livro novo "A Epopéia do Pensamento Ocidental – Para compreender as idéias que moldaram nossa visão de mundo", de Richard Tarnas, que comprei esses dias juntamente com outros três livros: "Entrevistas sobre o fim dos tempos" da série Ciência Atual da Rocco, onde Umberto Eco (semiólogo e romancista), Jean Delumeau (roteirista e escritor), Stephen Jay Gould (paleontólogo) e Jean-Claude Carrière (historiador) discutem, cada um do seu ponto de vista, a perspectiva do fim dos tempos nas diferentes culturas nesse fim de milênio; "Teoria Geral da Política – A filosofia política e as lições dos clássicos" de Norberto Bobbio, organizado por Michelangelo Bovero, publicado pela Editora Campus, que apresenta a visão de Bobbio e dos clássicos sobre Política. Um espetáculo!; e, para finalizar, comprei um livro de mesa com fotografias de William Claxton sobre Jazz: Jazz Seen, editado pela Taschen. Depois de lê-los (ou mesmo durante) farei alguns comentários de partes que achar interessantes. Bem, agora vou arrumar minha trouxas e vou zarpar para Porto Alegre. Amanhã começa meu segundo ano de residência médica. Vou começar na UTI, tudo novo para mim. Vai ser bem interessante! Espero que consiga me adaptar depressa! Como fiquei bastante tempo sem escrever por escrever, talvez essa quebra temporal tenha trazido um pouco de nebulosidade e confusão na seqüência de eventos. Para tentar remediar esse inconveniente, pretendo fazer um "resumo dos acontecimentos" dos últimos meses assim que tiver um tempinho (talvez no próximo fim-de-semana). Ah! Também não pretendo ficar mais tanto tempo sem escrever. Com certeza vou me organizar melhor esse ano! Até… {01/01/2001 – Segunda-feira – 15:08}

{28/01/2001 – Domingo – 10:42}

Cá estou. Neste momento escrevo diretamente do Centro Clínico, em Novo Hamburgo, onde estou de plantão desde ontem às 19:00 e onde ficarei até amanhã às 7:00. Até agora o plantãozinho está calmo e sereno. Tomara que continue assim. Bem, deixe eu atualizar nossa conversa… Agora sou residente de segundo ano (R2) de Medicina Interna no Hospital Conceição, passando em janeiro pela UTI. Além disso, estou de férias na faculdade e minhas férias no Hospital se aproximam (são em Fevereiro). Estou editando um jornalzinho/fanzine que é o "Simplicíssimo"(amanhã sai o número 3), onde trago artigos variados escritos por mim e por "colaboradores". Também estou tocando em uma banda nova de covers de música pop/rock chamada Webstereo. Os caras são bem legais, e a banda é meio capenga, mas tem potencial… A The Brains está suspensa por tempo indeterminado desde que o Fabiano não compareceu ao último ensaio; estou desde então sem falar com ele – isso já deve fazer uns 3 meses… Continuo indo na Academia Gala, fazendo minha musculação, meus abdominais (abomináveis!) 2 vezes por semana, devagarzinho vou ficando fortinho… Ainda não achei um(a) professor(a) de canto para mim… Ups! Agora vou desligar um pouquinho o computador porque a ventoinha está estragada e ele está esquentando! Volto mais tarde… {28/01/2001 – Domingo – 11:14}

Escrever por Escrever VII (excertos)

{03/07/2000 – Segunda-feira – 19:15}

Da coleção “Poesias para um Novo Mundo”:

Despertar

Quando as cores somem
Desaparecem como se nunca houvessem existido
Quando as luzes brilham
Mas não servem mais ao seu propósito

O vazio preenche todos espaços
Toma conta de tudo que resta
De tudo que sobrou, dos escombros
Agora em tons de cinza, escuro

Já não se ouvem passos, nem vozes
Somente um grito, surdo, ensurdecedor
Que me faz fechar os olhos
E ver coisas até então sem sentido A
distância agora consigo medir
Ela existe, e assusta
Tenho medo de não mais voltar
De não escolher o caminho certo

Sinto cheiro de café
E sinto necessidade de acordar
Deste sonho, que é uma vida
E viver, esta vida – que é realidade.

Isso aí em cima eu escrevi algum tempo atrás, enquanto estava nadando para longe de um amor perdido.

“Em uma discussão filosófica, quem perde é o maior ganhador, pois aprendeu mais.” Epicuro (341 – 270 a.C.)

“Abençoados os que sabem rir de si mesmos, porque nunca deixarão de divertir-se” Mort Walker

“Algumas pessoas desejam tão ardentemente uma coisa que, por medo de perdê-la, fazem de tudo para ficar sem ela” Jean de La Bruyère (1812 – 1889), poeta inglês

“O problema dos nossos tempos é que o futuro deixou de ser aquilo que era” Paul Valery (1871 – 1956) poeta e crítico francês

Citações, citações… {03/07/2000 – Segunda-feira – 19:31}

{03/07/2000 – Segunda-feira – 22:11}

Aqui segue “O retrato de câncer”, que é um perfil do canceriano que foi publicado em alguma revista ou jornal e minha mãe me trouxe, há vários anos atrás:

Câncer possui muitas qualidades e muitos defeitos. Como o caranguejo, ele pega tudo o que passa ao seu alcance: é inquieto e deseja ter segurança do amanhã. O que é seu ele protege, acaricia, cuida e muitas vezes esconde dos outros. Tem um senso de família muito agudo e sua visão do mundo é às vezes muito estreita. É ligado a suas origens, a sua família, a seus pais, a seu cantinho de chão, seu primeiro brinquedo, sua primeira amiguinha (mesmo que não a veja há mais de 50 anos!) Dificilmente o canceriano se separa do que possui, preferindo muito mais incluir um novo membro em sua família do que se separar de um de seus filhos. Toda separação é uma espécie de rompimento, um abandono, uma fuga. Câncer tem necessidade de ser protegido e a perda (mesmo provisória) de uma situação, de uma vantagem, de uma relação, é sentida como uma brecha em seus mecanismos de defesa e vivida em forma de angústia. Esta proteção que ele procura, ele a sublima protegendo os outros. Câncer é tido muitas vezes como um ser superprotetor, maternal. Felizmente, a Lua, que escolheu seu domicílio neste signo, lhe confere um certo lado fantástico. É um ser dotado não somente de uma grande sensibilidade, mas também de uma enorme imaginação: nenhuma idéia pode encontrar terreno mais fértil para germinar e se multiplicar. Câncer ama a vida, não somente a vida familiar mas também toda a vida em coletividade. Infelizmente, ele só se sente bem no ambiente que conhece, que ele pode ligar a um membro de sua família ou a um amigo próximo. O canceriano nunca se afasta por muito tempo de seu local de origem: a aventura para ele começa a 10 passos de sua casa! Amigo dos pobres, dos deserdados, dos largados à própria sorte, o canceriano jamais recusa a ajuda que dele se espera. Entretanto, pobre daquele que não aceita sua doce tirania: o canceriano irá demonstrar sua indignação por tanta ingratidão. Bom, sensível, receptivo, econômico, Câncer não tem só qualidades. A Lua que governa este signo o torna algumas vezes linfático, até mesmo francamente preguiçoso. É igualmente caprichoso e susceptível: qualquer palavra um pouco mais dura pode ficar gravada durante semanas e até meses. Sua imaginação transbordante lhe faz imaginar múltiplas hipóteses, enquanto tudo não passava no mais das vezes de uma brincadeira! E não é só isso. Câncer dificilmente aceita crítica, mas também ele próprio só com dificuldade consegue exprimir suas críticas ou sua cólera. Se lhe acontece de elevar a voz, de se zangar ou de protestar, fica se culpando desse descontrole muito tempo depois. Superdotado quanto a lamúrias estéreis, é um eterno inquieto que, para bem viver, não pede senão ter segurança junto aos seus, sonhando, sentado em sua poltrona, com viagens por terras distantes.

Tive ensaio/reunião agora a pouco com a minha banda, a “The Brains”. Estou me estressando com ela. Está me proporcionando mais incomodação do que prazer. O Fabiano com sua instabilidade: ora de bom humor, ora virado e não querendo tocar. O João sempre achando que ainda não está bom e que não dá para tocar nos lugares… Tenho que arranjar outros caras para tocar. Alguém menos complicado, que queira tocar algo simples, músicas próprias e algumas covers conhecidas e que “pegam”; sem muita enrolação e só para se divertir… Minha história musical começa no “Ranulfos”, depois teve a “Fuckers on Duty”, aí criamos em 1994 a “The Brains”. Tenho um projeto de banda punk que iria se chamar “Os Waldo Aranhas” e um outro de MPB (Metal Progressivo Brasileiro) que se chamou “Não!”; além, é claro das clássicas e famosas “Banda das 100 músicas” e a “Banda Continental”. Outra hora descrevo com mais detalhes essa parafernália musical. Agora quero estudar a “Metafísica” de Aristóteles e ver a Tela Quente. {03/07/2000 – Segunda-feira – 22:47}

{03/07/2000 – Segunda-feira – 22:52}

Lição de Hegel – O Filósofo: desde criança os livros que lia ele fichava: colocava o nome do livro o autor, as conclusões que ele tirava de suas leituras e seus respectivos trechos para referência posterior caso ele os quisesse usar. Acho que vou começar a fazer isso. Partes das conclusões que eu tirar escreverei aqui. {03/07/2000 – Segunda-feira – 22:56}

Escrever por Escrever VI (excertos)

{21/06/2000 – Quarta-feira – 22:49}

Foi Graham Bell professor de surdos e mudos? Ou terá ele sido professor de Ciências? Se você respondeu a primeira, está certo!

Uma coisa que aprendi ontem: apesar de, para que possamos agir de acordo com a ética deontológica (pregada por Kant) devêssemos agir completamente apoiados pelo uso estrito e incondicional de nossa razão, sem influência de nossos sentimentos e emoções, jamais poderemos fazer isso, por um simples motivo: somos humanos! A luz que podemos vislumbrar então é agir a maior parte possível do tempo sob a égide da razão (voltada para a virtude) para que possamos tornar este um mundo melhor de se viver (e conviver), já que nossos sentimentos e emoções dificilmente permitem que respeitemos o espaço e a liberdade de nossos semelhantes. Essa moral deontológica, baseada no dever e não na finalidade, como na moral teleológica, torna mais difíceis nossas decisões no dia-a-dia, já que não são naturais boa parte das conclusões a que chegamos quando usamos o imperativo categórico, quando buscamos tornar nossa decisão uma lei universal que possa ser usada por todas as pessoas em todos os lugares em situações semelhantes. Outro problema que vejo ao meu redor, todos os dias ( e até comigo mesmo, por que não), é o fato de que muitas pessoas não “alcançam” a razão necessária para

tomar a decisão correta acerca dos fatos e situações às quais são confrontadas. Simplesmente não têm capacidade, juízo crítico, inteligência suficientes para discernir o certo do errado ou o mais certo dentre os certos. Isso acontece não somente entre pessoas humildes e sem instrução mas também com juízes, presidentes, médicos, músicos, professores, religiosos e com o tipo de pessoa que você imaginar. As conseqüências dessa constatação é o caos que hoje se encontra instalado na comunidade humana.

Hoje me veio a idéia de escrever um texto com o seguinte título: “Fernando: o sociólogo que esqueceu”. O título por si já é interessante, pois faz o leitor pensar: esqueceu o que ou de que? Esqueceu das leituras que fez na faculdade, das coisas que aprendeu e com as quais cresceu. Esqueceu de todos à sua volta, daqueles que nele confiaram. Esqueceu de si…

Matt Groening, o criador de “Os Simpsons” é do caralho!…

PS: Uma coisa boa disso que estou fazendo é que eu mesmo posso fazer comentários das coisas que eu mesmo escrevi! Loucura!

PS2: Acho que às vezes deixo algumas pessoas com raiva pelos comentários que faço (he-he-he!!!)… {21/06/2000 – Quarta-feira – 23:28}

{22/06/2000 – Quinta-feira – 13:55}

Sobre o que escreverei hoje? Escreverei sobre o plantão no qual estou, aqui no Conceição? Ou sobre o belo dia de sol que está fazendo lá fora? Ou sobre o novo videoclipe do Metallica que está passando na MTV? Ou sobre assuntos sobre a terra, a água e o ar? Não sei… Acho que vou copiar alguma coisa que escrevi há algum tempo atrás, mas que ainda está inacabado. Aí vai:

(neste trecho, reproduzi um texto de minha autoria entitulado “Mais um”, já publicado na edição número 3 do Simplicíssimo)

“Toquem o meu coração e façam a Revolução…” É isso! Controlar as pessoas pela razão é muito mais difícil, mesmo quando a própria razão está do nosso lado do que controlar/convencer as pessoas através das emoções. Para que as coisas mudem, como seres humanos, devemos mexer justamente com o lado sentimental, o lado afetuoso, de compaixão e altruísmo que carregamos. Quanto mais conseguirmos estimular esse lado nas pessoas, mais facilmente podemos mudar as coisas para melhor (desde que saibamos, é claro, o que é o melhor!).

Quando tentamos demonstrar algo a alguém e convencê-lo que estamos corretos através da razão temos um empecilho básico: o fato de estarmos tornando (pelo menos às vistas do interlocutor) esta pessoa menos inteligente por estarmos “oferecendo” um conhecimento que esta não tem e que relutava até então aceitar por princípios pessoais dos mais variados aspectos. Quando usamos a sentimentalidade, isso se torna mais fácil, pois podemos criar um motivo e dar uma justificativa “humana” para a realização ou compreensão daquilo que estamos propondo e determinar uma punição sentimental, oferecida pela “Consciência” da pessoas caso não exista entendimento entre a parte demonstradora e a que se está demonstrando. (Bah! Nem eu entendi direito o que eu escrevi! Acho que está na hora de parar!)

“Eu ainda lembro como era fácil viver… (Norwegian Wood)”… {22/06/2000 – Quinta-feira – 14:29}

{02/07/2000 – Domingo – 16:54}

Depois dessa pausa de mais de uma semana, estou de volta. Muitas coisas aconteceram, muitas delas inesquecíveis mas não registráveis aqui, devido à extrema pessoalidade de seu conteúdo. Ontem eu estava de aniversário. Vinte e quatro anos. Muita história pra contar. Muita ainda para fazer.

Imagine um caçador numa ilha deserta. Sempre viveu sozinho, da caça, pesca e coleta, sendo a sobrevivência e o domínio do seu território seus únicos objetivos. Sempre viveu bem em sua ilha até que um dia descobriu que não estava sozinho. Encontrou um outro caçador que como ele sempre viveu na ilha e tinha os mesmos objetivos. Nesse momento, eles começam a brigar pois para garantir o domínio e a sua sobrevivência somente pode existir um. Depois de uma longa briga um encontra-se rendido e o outro está pronto a dar-lhe uma machadada fatal. Nesse momento, o caçador vencido olha nos olhos do vencedor e este tem um sentimento e uma decisão a tomar: ao ver a si mesmo nos olhos do outro caçador, dá ele o golpe final e cumpre aquilo que sempre foi seu objetivo e continua vivendo da forma como sempre viveu (acabando com a dialética da narração) ou muda radicalmente dando uma chance para o vencido? Suponhamos que ele tenha dado uma chance, mas agora a situação é diferente. Ele ganhou a briga. A situação inicial de igualdade entre os dois caçadores já não existe mais. O vencedor será o senhor e o perdedor seu escravo. O caçador vitorioso vai descansar e viver do trabalho do derrotado, que vai sustentar suas necessidades. O tempo passa. O escravo vai literalmente enchendo o saco, até que um dia ele realmente se irrita e se dá conta de uma coisa: Espera aí, eu estava em situação de inferioridade naquela época. Já trabalhei demais para esse vagabundo e não recebi nada em troca. Agora sou forte. Enquanto ele engordou às custas do meu trabalho eu, graças ao mesmo trabalho sou forte e resistente. Chegando a essa conclusão ele domina seu antigo senhor, transformando-o em seu escravo, invertendo a situação até então estabelecida. Através dessa metáfora, chegamos a um exemplo de como se sucede a alternância histórica da dominação social nas diferentes culturas.

Eu me pergunto: será que os caçadores poderiam, ao invés de lutar para a sobrevivência de apenas um, juntar forças para sobreviverem juntos, dividirem as terras que já habitavam anteriormente e assim viver harmoniosamente sem conflito de qualquer espécie? (fim da dialética)

Sobre a relação entre senhor e escravo, eu também me pergunto: No caso de um carvoeiro, dono de uma mina de carvão, de onde ele tira todo seu sustento, empregador de vários mineiros, quem é o senhor e quem é o escravo? É o senhor o carvoeiro que manda seus empregados em más condições e arriscando sua saúde e vidas no seu trabalho insalubre com um mau pagamento (provavelmente) e são eles os escravos ou são eles, os mineiros os senhores e ele, o carvoeiro, o escravo, já que este depende totalmente daqueles para sua sobrevivência? Resposta algum dia desses quando eu chegar a uma conclusão… Mas já vá tirando a sua… {02/07/2000 – Domingo – 17:29}

Escrever por Escrever V (excertos)

{14/06/2000 – Quarta-feira – 23:53}

Hoje o dia foi corrido: acordei cedo, tomei banho, fiz a barba e fui para o Hospital. Durante a manhã, a Emergência estava tranqüila. Deu até para fazer uns fluxogramas de exames para o Hospital. Ao meio dia teve reunião na AMERGHC (Associação dos Médicos Residentes do Grupo Hospitalar Conceição), onde apresentei as decisões do XXXIV Congresso Nacional De Residência Médica e discutimos a paralisação nacional dos residentes de 20 de julho próximo. Depois voltei para a Emergência. Atendemos uma parada cardíaca ( o paciente acabou indo a óbito) e fui correndo discutir os fluxogramas que fiz com o Dr. Sério: vamos padronizar novos fluxogramas de exames no Hospital. Fui de lá em um pulo para o Ambulatório, atendi meus pacientes e fui para o meu médico para retirar os pontos da minha cirurgia (eu nem contei da cirurgia que fiz no dia 3, mas tudo bem…). De lá passei em casa só para dar um oi para mamãe, me penteei e fui correndo para a AMRIGS para a criação do Departamento de Médicos Residentes – D.M.R. ou DEMENTES – da AMRIGS, da qual tornei-me sócio-fundador e provável membro do Conselho Consultivo (ainda faremos uma Assembléia para decidir isso). Agora, acabei de vir da Churrascaria Schneider, onde tinha uma janta oferecida pelo laboratório Sanofi, pelo medicamento Clopidogrel.

Tenho que voltar a escrever minhas poesias. Acho que estou meio sem tempo para mim. Não estou conseguindo nem tocar violão ou guitarra direito. Acho isso ruim… Agora, assim que acabar “Os Simpsons”, vou dormir. Tchau! {15/06/2000 – Quinta-feira – 0:09}

{16/06/2000 – Sexta-feira – 22:04}

Caros colegas leitores, estou teclando diretamente de Agudo, capital mundial do terceiro milênio, direto para o Mundo. É incrível como lidamos com nossos sentimentos… Na fase em que estou, não tem nenhuma guria da qual eu goste especialmente. Tem uma que eu gosto de estar com, tem outra que eu gosto de conversar com, tem mais outra que eu gosto de transar com, tem uma que eu gosto de pensar em, tem uma ainda que vive a me ligar, e assim por diante… No meio desses amores práticos, platônicos, patéticos e passionais, minha cabeça e meu coração não conseguem se encontrar. É uma lástima. Mas as coisas vão se ajeitar, estou tendo um pressentimento.

Agora estou a ver o Show do Milhão no SBT. Incrível como algumas pessoas não sabem algumas coisas ridiculamente fáceis. “Defenestrar” : jogar algo pela janela. À pouco, vi uma casa com piscina, muito linda na TV, que nunca poderei comprar trabalhando como médico. Talvez conseguisse se fosse participar do Show do Milhão. Daqui a pouco vai passar o filme “Mentes Perigosas” com a Michelle Pfeiffer. Vou comer um milho cozido e volto já…

…já voltei! Uma coisa interessante que vou experimentar hoje é escrever de acordo com o livre pensar: simplesmente vou escrevendo coisas que vêm à minha cabeça, não importando nexo entre as sentenças nem regras da Língua Portuguesa. Vamos tentar.

Mentes perigosas são aquelas que pensam perigosamente ou que pertencem à pessoas que são de alguma forma perigosas? Certas músicas conseguem encaixar perfeitamente em uma cena ou situação e quando a ouvimos novamente lembramos com exatidão daquele momento que fazia até então parte do passado. O mesmo acontece com os cheiros. Diga-me porque estou aqui, tão cego para ver as coisas que acontecem ao meu redor, as coisas que acontecem para você e para mim. Será que estou no paraíso, e a luz ofusca meu olhar e cobre tudo que não é digno de ser visto. Giro em torno de mim mesmo para tentar me encontrar e tudo que acho é um alfinete sem cabeça. Mulheres loiras são bonitas, mas eu gosto igualmente das morenas e das ruivas. Que tal ganhar US$ 24.700 por ano para ser professor de segundo grau? Já descobri que não sou muito bom nessa coisa de livre pensamento, mas vou continuar pensando… …e escrevendo.

Eu continuo em uma fase de construção: construção de conhecimento, de bens materiais, da personalidade (finalizando minha identidade), das relações amorosas, construção de contratos sociais e assim por diante. Acho que eu também gostaria de construir um corpo com uma aparência legal para mim…

Liberdade, liberta-te, liberalidade, libera a idade, ali a beira da deliberação, liberação de idade mínima e máxima para fazer ou desfazer aquilo ou isso que podemos ou não dizer ou desdizer a respeito ou desrespeitosamente sobre a liberdade. Sucesso! {16/06/2000 – Sexta-feira – 23:04}

{18/06/2000 – Domingo – 19:45}

“Não me pergunte o que eu não sei responder… São coisas que a vida faz a gente sofrer…” Violência. Reféns presos em um ônibus. Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Policiais e um bandido armado. Tensão. Morte fingida. Desespero, angústia. O assaltante sai do ônibus com a refém. É cercado por policiais. Um policial tenta atirar no bandido. Suspense. O bandido descarrega a arma na refém. Ela é lavada ao Hospital. Ele é levado no camburão com policiais. Ela recebeu três tiros. Morreu. De verdade. Ele não recebeu nenhum tiro. Morreu. Sufocado. E a violência continua. E as leis continuam a ser feitas. E elas funcionam cada vez menos. Novas leis tem de ser feitas para regular as primeiras. E o caos continua se instalando. Falência moral. O ser humano está em um estado de degradação. Se leis têm que ser feitas, é porque existe algo de muito errado com a consciência individual e da sociedade. Leis não significam avanço da civilização. Leis significam a queda de uma cultura, de um grupo humano. As coisas vista pela janela são bem diferentes daquelas vistas através da janela, mas sem o vidro. Devemos ver através da janela. Muitas pessoas mantém a janela fechada. Elas não vem o mundo como ele realmente é. Muitas pessoas constróem várias janelas. Algumas com vidro fosco, outras com vidros coloridos, esculpidos, jateados com areia ou mesmo simplesmente transparente, mas que não mostram as coisas como realmente são, mas sim como elas aparentam aos sentidos, deturpados pela lente da janela. As pessoas morrem. E vão continuar morrendo. E o problema não é esse. É a forma. É o sentimento. É o como e o porquê. Morrer depois de ter-se esgotado em prazer ou sofrimento é fisiológico. Morrer com a sensação de algo inacabado é fatalidade. Morrer sem saber por quê é em vão. Morrer por um bom motivo, dizem alguns, é a redenção. A definição de bom motivo é que é o problema. De boas intenções e de bons motivos o mundo está cheio. Apesar de não sabermos o que são. Definir as coisas é importante. Deve ser o começo do nosso trabalho. Conceitualizar, definir, dar nome aos bois. Cortar as unhas de vez em quando é bom. São estudantes, pais de reféns, tenentes-coronéis. São pessoas comuns, são assassinos cruéis. São bons e maus invertendo os papéis. São rimas malucas, pinéis. São mistérios da meia-noite, que voam longe, bem longe…

Será que a poesia encanta e acalma a alma? Será que ler e fazer arte abranda o sofrimento e sublima a agressividade? Pintar, esculpir, cantar, dançar, fotografar, tecer, desenhar e redesenhar… São tantas as perguntas e tão poucas as respostas satisfatórias… Na verdade, cada nova resposta traz mais perguntas do que a satisfação da resposta alcançada. O ponto serve para afirmações. As reticências para deixar a dúvida ou a incompletude. A exclamação demonstra indignação, surpresa. A interrogação é a pergunta, a própria dúvida, o questionamento. Proponho que todos que estiverem lendo esse trecho que agora escrevo parem nesse momento, peguem um pedaço de papel, um lápis e uma borracha e escrevam uma poesia (ou pelo menos algo que considerem que seja uma poesia) e mais tarde mostrem para uma pessoa e peçam que esta lhe dê uma opinião sincera. Cuidado com a opinião de uma pessoa muito amiga! Melhor seria a opinião de uma pessoa desconhecida, mas se sua timidez não o permitir pode ser qualquer outra pessoa, até sua mãe ou filho(a). {18/06/2000 – Domingo – 20:25}

Escrever por Escrever IV (excertos)

{06/06/2000 – Terça-feira – 19:28}

Quem está prestando atenção no horário deve notar que eu geralmente começo a escrever mais ou menos nesse horário. Isso porque nessa hora eu já cheguei em casa da Faculdade, já jantei e estou deitado na minha caminha com a televisão ligada deixando passar qualquer coisa, para fazer um barulhinho de fundo. Isso provavelmente vai mudar no segundo semestre desse ano, quando, se tudo der certo, estarei fazendo Ciências Sociais e Políticas na UFRGS, curso noturno. Certamente o curso vai aprimorar bastante meu senso crítico ( e acabar com o resto do meu tempo livre!) e aguçar minha capacidade de observação da realidade social mundial.

Não sei por quanto tempo vou estar escrevendo diariamente estes escritos. Já sei que amanhã não conseguirei pois estarei de plantão no Conceição. Na Quinta vou para Curitiba representar o Conceição e o Rio Grande do Sul no Congresso Nacional de Residência Médica, que entre outras coisas, vai decidir a nova presidência da Associação Nacional de Residentes mas, principalmente, discutirá problemas e proporá mudanças necessárias para melhoria dos serviços de residência e votará uma possível greve nacional dos residentes de Medicina. Estou feliz em poder participar dessa atividade. Em relação à escrita diária ou não “disto” que estás/estão lendo (ainda não achei uma pessoa definida à qual escrever – e isso tampouco me incomoda), não irei me estressar. Escreverei quando tiver vontade, sem regras, sem quantidade mínima ou máxima de linhas… seguirei apenas a minha vontade. Por falar em vontade, vou incluir um textinho que eu escrevi há um tempinho atrás e era originalmente para ser incluído em algum dos meus Joe Volume (minha revista de variedades on-line). Aí vai:

((( ((( (((o texto que incluí aqui é “Quando dá aquela vontade”, já publicado na edição número 1 do Simplicíssimo Online, de 01/11/2002))) ))) )))

… Bom, pelo menos divertido esse testículo é… Hoje eu ainda ia falar de algumas diferenças entre Hobbes, Locke e Rousseau, mas como estou cansado, deixo para outra hora. {06/06/2000 – Terça-feira – 19:49}

{09/06/2000 – Sexta-feira – 00:15}

Vocês nem adivinham onde estou! Estou em Curitiba, participando do XXXIV Congresso Nacional de Médicos Residentes. Hoje foi bem legal! Conheci pessoal do Rio de Janeiro, um residente do Acre, pessoal aqui de Curitiba… O coquetel foi bom… Bebi vinho… Agora estou vendo o Jô e estou pronto para dormir. Amanhã às 8:15 tenho que estar pronto para pegar o ônibus para o Congresso. Temos que discutir vários assuntos bem importantes. Escrevo na seqüência, pois agora estou muito cansado. Estou de pós-plantão e fui dormir às 5:00 da manhã de ontem e acordei às 9:00. Tô morto! Aqui em Curitiba me emocionei e comprei um fone de ouvido profissional e alguns livros de Filosofia: “A Política” de Aristóteles, “Como Tirar Proveito de Seus Inimigos” de Plutarco, “Discurso do Método” e “Meditações Metafísicas” de René Descartes, “Do Cidadão” de Thomas Hobbes, “Dois Tratados Sobre o Governo” de John Locke e “O Espírito das Leis” de Montesquieu, todos da Editora Martins Fontes. Agora chega de papo que eu vou ver o Jô e depois vou dormir… {09/06/2000 – Sexta-feira – 00:29}

{11/06/2000 – Domingo – 10:16}

Curitiba, dia 4: a despedida. Hoje é dia de voltar para Porto Alegre. Agora estou no ônibus pronto para ir para o Congresso para a votação da chapa para presidência da Associação Nacional de Residência Médica (ANMR) e para a Plenária final que reunirá às conclusões e propostas dos grupos de discussão. Entre outras coisas temos que decidir sobre um dia de paralisação nacional e meios para aumentar a mobilização a nível local e nacional. Continuarei escrevendo durante a plenária, após as decisões terem sido votadas. {11/06/2000 – Domingo – 10:25}

{11/06/2000 – Domingo – 20:27}

Não escrevi sobre a plenária e o Congresso pois achei que o assunto seria chato demais para quem estivesse lendo. De qualquer forma, ficou decidido que haverá uma paralisação nacional dos médicos residentes em 20 de julho. Vamos ver no que vai dar! Agora estou no avião da TAM, já jantei e estamos à meia hora de Porto Alegre. Comecei a ler a Crítica da Razão Pura do Immanuel Kant novamente. Dessa vez vai. O Gaúcho da Fronteira está sentado logo ali em frente. É uma figuraça! Acho que estou meio sem inspiração para escrever sobre reflexões filosóficas…

No Congresso, conheci pessoas de Curitiba (é claro!), do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, do Ceará, de Pernambuco, de Campinas, de Ribeirão Preto e até do Acre! Muito legal o choque de culturas, todos aqueles sotaques característicos bem marcados… Gostei da experiência! {11/06/2000 – Domingo – mais ou menos 20:45 (o avião começou a descer)}

Escrever por Escrever III (excertos)

{05/06/2000 – Segunda-feira – 19:22}

Como vovó já dizia: “Quem não tem colírio usa óculos escuro”… Pois é, quem não tem cão, caça com gato. Pois é justamente essa adaptabilidade característica das pessoas inteligentes que – li certo dia – seria impeditiva do progresso. Para mim isto é algo paradoxal: tudo bem, concordo que se nos adaptamos ao ambiente, mudando a nós mesmos para aceitar ou para viver melhor, certamente não mudaremos este mesmo ambiente, evitando dessa forma o “progresso”. Mas será que o “progresso” é sempre necessário? Será que embutido na palavra “progresso” não está um sentido de necessidade, ou seja: só se deve progredir e mudar algo quando isto realmente é necessário, quer seja para aperfeiçoar, para facilitar, para tornar mais cômodo ou inteligível?… Além do que, creio que juntamente com a palavra inteligente vem a sapiência, a capacidade de discernir quando o progresso, ou a modificação do ambiente será mais benéfica do que a mudança de si próprio para se adequar às necessidades do meio.

Hoje conheci o Dr. Abruzzi. Pessoa parecida, de certa forma, comigo. Chegou lá na Emergência trazendo um vídeo, algumas palavras cruzadas, uma revista Veja e um livro do Carl Sagan. Pessoa bastante culta, com um conhecimento geral enorme. Disse-me que tem uma biblioteca de cerca de 3.000 livros, contando com exemplares de Filosofia, História, Artes e das mais variadas áreas do conhecimento. Sempre bem humorado e disposto a falar sobre “viagens” de qualquer tipo. Me contou sobre a experiência que tinha com um teólogo, com o qual se encontrava de vez em quando em um restaurante e o qual foi, durante algum tempo um auxiliar, um guia para suas leituras, e pessoa com a qual podia discutir abertamente sobre vários temas do conhecimento. Gostaria de encontrar uma pessoa assim! Que me ensinasse um monte sobre um monte de coisas mas também alguém a quem eu pudesse ensinar muitas coisas… Bem que poderia ser uma mulher… E bonita… E charmosa… E inteligente… E que ficasse a finzona de mim… Bom, deixa pra lá!!!

Tem tanta coisa que me vem à cabeça durante o dia e dá vontade de escrever mas ou eu estou ocupado fazendo alguma coisa (na maioria das vezes) ou não estou com saco de escrever ou simplesmente acho que vou me lembrar mais tarde mas acabo esquecendo (nossa! Essa frase ficou uma loucura sem pontuação!!!) e no fim das contas não consigo deixar registrado. Acho que isso é um sinal de senilidade. Afinal de contas, existem três sinais de senilidade: o primeiro, é a falta de memória; os outros dois… bem, os outros dois eu não lembro!

Tem uma coisa que eu estou muito a fim de comprar: um aparelho de som da Sony com capacidade para 3 CDs, 5.000 Watts de potência PMPO (250 W x 2 RMS) e com MD player. Ficaria muito feliz se pudesse comprar, pois assim poderia gravar minhas seleções musicais de CD para MD e escutar, tanto no som de casa quanto no carro (pois o som do carro é um JVC que tem MD e CD player). Falando em objetos de consumo, eu também gostaria de comprar um baixo da Ibanez de 5 cordas que vi numa loja do shopping, um saxofone, uma guitarra Gibson SG, uma Gibson Les Paul e um teclado e outros instrumentos musicais além de um gravador digital de 8 ou 16 canais. Também seria legal comprar umas roupas novas (não necessariamente novas, podiam ser de Brechó, mas novas para mim), a coleção dos Pensadores (estou esperando o relançamento), uma televisão gigante de 38 polegadas e um DVD player além de uma academia de musculação para minha casa. Isso me lembra que quero voltar a fazer capoeira e musculação, quero fazer aula de canto e também de dança de salão. {05/06/2000 – Segunda-feira – 20:10}

{05/06/2000 – Segunda-feira – 23:08}

Tem mais uma coisinha pra deixar escrita hoje: é sobre o Thomas Hobbes e sua teoria do contrato social. Segundo ele, todos seres humanos seriam iguais por natureza e teriam como princípio básico o da auto-conservação. Em um estado natural, sem governantes, sem leis, esse princípio de autoconservação faria com que todos os homens buscassem a liberdade e conseqüentemente o domínio de uns sobre os outros, para evitar que sua liberdade fosse ameaçada. Dessa forma, instalar-se-ia uma “guerra de todos contra todos”, que levaria a uma vida bruta, asquerosa e breve. O passo seguinte seria a constatação pelos próprios homens dessa situação desprezível e, a partir daí, eles elaborariam uma forma de fugir deste fatídico destino. Essa forma seria a elaboração de uma espécie de “contrato social”, um pacto entre os homens, onde eles abdicariam de todos seus direitos em prol da coletividade, da convivência harmoniosa em sociedade, sendo que suas liberdades seriam então determinadas por um governo único a todos, que, segundo Hobbes, poderia ser uma democracia, uma aristocracia ou uma monarquia. Vou dar um jeito de comprar ou conseguir emprestadas as duas principais obras desse filósofo: “Leviatã” e “Do Cidadão” para poder comentar mais aprofundadamente. Isso me lembra de reler “A Utopia” de Tomas Morus e “A Desobediência Civil” de Henry David Thoreau.

Acho que vou começar a incluir aos poucos algumas coisas que escrevi a tempos atrás, desde poemas até pensamentos ou mesmo trabalhos da faculdade ou escolares que eu achar interessantes. Podem ser chatos às vezes mas dão um caráter autobiográfico e descrevem melhor que nada certas formas de pensamento localizadas temporalmente e em relação a minha faixa etária. Pode ser interessante. Pôxa! Que salada mista que isso vai ficar. Bem, pelo menos eu vou achar interessante ler isso daqui a uns 20 anos!!! {05/06/2000 – Segunda-feira – 23:33}