Salto no vazio

O dia era claro, de pouca idade, umas seis da manhã. Saltei do trem junto com o sol, e caminhei pelos meus desertos de viajante sem conhecer a cidade, numa aventura desmedida e inquieta. Eu compreendia a inexistência de paradeiro. E de procedência. Era, ali, nômade em meus desejos, peregrina, andava solta pelas minhas… Continue lendo “Salto no vazio”

30 de Dezembro!

Há seis meses, publiquei no Simpli o texto “30 de junho”. E não é que o ano acabou? Tudo me embaralhou nesses 365 dias, entrei uma em 2008, e, no mínimo, espero estar saindo mais escolada dessa turnê maluca. Mas, feliz ou infelizmente, não menos ingênua. Não menos romântica. Meu lirismo beira a pieguice, e sou prosaica pra caramba quando se refere à alegria de encontrar bons amigos ou… Continue lendo “30 de Dezembro!”

Horizonte Indeciso

O mar, turbulento. Noite fechada. Um único barco desafia o horizonte, risco indeciso na mistura entre tempestade e maré alta. Ondas descompassadas. Não há mapas ou bússolas. Não há norte. As madeiras seguem na imensidão, numa incessante luta com as águas revoltosas. Céu negro, sem limite com o fim do mar. Escuro agitado, uma cegueira inquieta. Turbulência turva.
Resta esperar a chegada da manhã.

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Na Incógnita da Janela

Durmo sem saber se chove amanhã. Sem saber nada de amanhã. Se o sol aparece à tarde, pra confortar minha sombra. Nada. Durmo assim, em silêncio, pra acordar. E se virão pingos ou raios de luz ou de tempestade ou céu carregado de mormaço ou azul. Durmo assim. Na incógnita da próxima janela. E se é caso de ventar, que vente: acordo com o som de sua passagem. Inconstância do vento, inconstância de mim. Continue lendo “Na Incógnita da Janela”

Agulha e linha…

Conto a história de uma inusitada bailarina, cheia de passos surpreendentes. Certa vez, superou a própria imaginação. O chão de gelo em que patinava, dançando com fitas coloridas ao vento, rasgara-se sob seus pés. Abrira-se, simples e repentino, sem avisar, em plena sincronia com seus passos de dança. Ela, por acaso, tinha dado seu passo ali no instante anterior, e, na leveza sua, já deslizava pelo ar. Continue lendo “Agulha e linha…”