A BÍBLIA DEMON’S [TRADA] -VERSÃO DO DIRETOR

 DEPOIS DA MORTE DE JACU ZÉ ACOLHE SEUS IRMÃOS APROVEITADORES

 

Percebendo que o pai morreu Zé voltou e chorando o beijou. Ordenou depois que os médicos embalsamassem o corpo do seu pai. Depois de embalsamado Zé pediu permissão ao Faraó para levar seu pai para a terra de Canaã, para enterrar seu pai lá como havia lhe prometido. Um cortejo enorme acompanhou os funerais. Depois de tudo terminado Zé, seus irmãos e toda a comitiva voltaram para o Egito.
Vendo que seu pai tinha morrido os irmãos de Zé disseram entre eles: “e se o Zé guardou rancor contra nós e quer devolver todo o mal que lhe fizemos?”. E mais uma vez o povo escolhido de Deus recorre à mentira mandando outra pessoa dizer ao Zé que antes de morrer seu pai pediu que o Zé perdoasse seus irmãos do crime e do pecado que eles haviam cometido contra ele. Quando ouviu que seu pai havia pedido isso, Zé chorou. Então seus irmãos [que já sabiam que ele tinha acreditado] prostraram se diante dele e disseram: “aqui estamos, somos seus servos”. E Zé respondeu: “não tenham medo, por acaso eu estou no lugar de Deus? Vocês pretendiam o mal, mas Deus fez virar um bem para mim, a fim de cumprir o que se realiza hoje: salvar a vida de um povo numeroso. Portanto não tenham medo. Eu sustentarei vocês e seus filhos”. Eh, eh, eh, deu certo. [cochichavam entre eles]
 

Zé viveu no Egito com a família de seu pai e chegou aos cento e dez anos. Conheceu os filhos de Enfria-aí [em mim] até a terceira geração, e também os filhos do filho do Manés-Zé e os carregou no colo.

Quando ele passava com as crianças no colo, os vizinhos diziam entre eles: “além de boiola é corno”.

 

ZÉ BATE COM AS DEZ

 


Zé um dia disse aos seus irmãos:

 

1.Estou para morrer, mas Deus cuidará de vocês e os fará subir daqui para a terra que ele prometeu, com juramento, dar a Abraãocagão, Euqasi[morri] e Jacu. E Zé fez os irmãos jurarem: “quando Deus intervier em favor de vocês, levem meus ossos daqui”.

 

Zé morreu com cento e dez anos. E eles o embalsamaram e colocaram seu corpo num sarcófago no Egito.

  

DUAS PERGUNTAS DO LEITOR

(QUE NÃO QUEREM CALAR)

—Onde diabo está metido este sarcófago?

—Onde estão os registros egípcios de todos estes incríveis acontecimentos, uma vez que o povo egípcio registrava tudo em hieróglifos, desde a morte de um Faraó até uma mudança de tonalidade nos excrementos de um camelo ou uma entonação diferente de um peido de mula?

 

 

 

 

 FIM DO LIVRO DAS “ORIGENS”

Continua no próximo livro "Retirada")

A BÍBLIA DEMON’S [TRADA] -VERSÃO DO DIRETOR

 

JACU NAS ÚLTIMAS

 

Quando percebeu que chegara a hora da morte Jacu chamou o Zé e disse:

1. Se eu tenho o seu afeto coloque a mão debaixo da minha coxa, e prometa tratar-me com amor e fidelidade.

2.Eu, hem? Que isso pai? Até eu que sou gay to te estranhando. Não sou ligado em incesto não, ta me confundindo com Lot?

3.Então prometa que não vai me enterrar no Egito, mas no túmulo dos meus pais.

4.Ta aí, isso eu posso prometer. Fica sossegado que vai descansar o esqueleto junto com seus pais!

 

Jacu reuniu então seus filhos e disse:           

 

1. Reúnam-se para eu dizer o que vai acontecer com vocês.

2. Aqui estamos nosso pai.

3.Rubinho, você é o primogênito, a minha força, e o primeiro fruto de minha virilidade, o primeiro na fila e o primeiro em poder, impetuoso…

4.Xii, já vi que não vai sobrar nada pra mais ninguém [dizia um dos outros irmãos].

5.Impiedoso como as águas. Você não manterá a primazia, porque subiu à cama do seu pai e violou o meu leito.

6. O que!? Que papo é esse!? Pirou é!? O velho está caduco, só pode ser! Que isso pai, o senhor que tava pedindo pro Zé colocar a mão embaixo da sua coxa, sabe lá Deus pra que? E agora me sai com essa aí? Eu subi no seu leito? Pra fazer o que? Eu hem, ta achando que eu sou o Zé ou o Beija?

7.Bem feito, bem feito! [diziam os outros à parte].

8.Calados! Quem fala aqui sou eu!

9. Puta merda, viu!

10.Bem, continuando: Símio-leão e Levi’s são irmãos.

11.Novidade, hem? Não somos todos irmãos? [resmungou Rubinho].

12.Cale-se Rubinho! Como eu ia dizendo a vocês dois, suas espadas são instrumentos de violência. Mataram homens e mutilaram touros.

13.Ka,ka,,ka,ka,ka,ka! Num to falando que o velho ta senil? Que é isso de mutilar touro?

[Jacu, levanta-se meio capenga e dançando em passos curtinhos, canta]:

 1.Juju seus irmãos o louvarão, Você é leãozinho, é leão! O cetro dele não afastará. Até que o tributo Venha-lhe pagar! Todos lhe obedecerão, Pois que é leãozinho é leão!

2.Massa! [grita Juju sob os olhares fustigadores de seus irmãos]

 [Jacu continua a dançinha e a cantiga]

 1.Ele amava o seu jumentinho, Seus olhos escuros como o vinho! Zabulou reside à beira mar Issacar… Issacar… Issacar. É jumento robusto, E Dã julga o seu povo De novo Dã é serpente, É víbora Que embosca gente, Morde o cavalo E “zás” o cavaleiro Cai pra traz! Gad atacará pelas costas, Aser seu pão é abundante. Neftali é gazela Solta que têm as crias formosas Zé é potro selvagem doravante!

Todos os filhos de Jacu estupefatos.

 1.Que é isso gente?

2.O velho endoidou de vez! Que besteirada é essa!? Ah… quer saber… To fora…Fui!

3. Então todos os irmãos saíram da tenda de seu pai.

 

E o velho gritava alucinado:

1.Voltem, voltem, eu ainda não terminei! Eu não terminei… Não termi…

Então Jacu recolheu os pés, ou seja, esticou as canelas.

A BÍBLIA DEMON’S [TRADA] -VERSÃO DO DIRETOR

                                                                                           

COMEÇAM OS PROBLEMAS DE CONVIVÊNCIA ENTRE JUDEUS E EGÍPCIOS

 

Quando Jacu e seus filhos chegaram ao Egito o Faraó disse:

 

1.“A terra do Egito está à disposição de vocês”.

 

Passado um ano, os alimentos da população do Egito já tinham acabado, e eles já haviam entregado até as cuecas em troca de comida. Por fim não tendo mais o que oferecer ao Zé [que era o que cuidava de toda distribuição de alimentos] disseram: 

 

1.Agora só podemos ser escravos a fim de termos alimento e continuarmos vivos.

 

Zé então comprou para o Faraó todos os terrenos do Egito, pois os egípcios, forçados pela fome, venderam os seus terrenos [que curiosamente não pertenciam ao Faraó, o Rei de todo o Egito]. Os homens o Faraó os tornou escravos em todo o Egito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A PRIMEIRA “BLITZ” DA HISTÓRIA


Quando estavam a caminho de casa os irmãos do Zé foram interceptados pelo mordomo que disse que haviam roubado a taça.


 1.Nós? Não roubamos nada não!

Então ao abrirem a sacas acharam a tal taça com o Beija.

Como alguns estranhos que também retornavam de compras no Egito, parassem para observar o que se passava, o mordomo ia batendo palmas e dizendo:

 Aí, não tem nada pra ver aqui não! Circulando, circulando!

Os irmãos se entreolharam quando viram que a taça estava com o Beija e revoltados gritaram juntos:

1.Tinha que ser o Beija! Estão vendo? Igualzinho aquele fresco do Zé. Agora nos estamos fudidos e mal pagos!

E enquanto falavam iam dando cascudos no ‘pé do ouvido’ do Beija.

De volta à mansão do Zé. Zé e todos os seus irmãos se reuniram em uma grande sala decorada com estátuas de deuses egípcios.

Quando o Zé estava de novo com eles e viu que estavam desesperados, cortando o prego, resolveu revelar sua identidade.

1.Eu sou o Zé!

2.Quem?!

3.Ora o Zé, vocês não se lembram?

4.Que Zé, meu?

5.O irmão de vocês. Aquele que vocês jogaram no poço e depois venderam como escravo! Lembram agora?

6.Não, ta brincando, né?

7.To não. Sou eu mesmo!

8. Caraca! Hei manos, este aí é o Zé, gente! Cara não brinca veio! Puxa meu, você é o Zé mesmo!

9.Já falei que sou eu, mas que droga!

10.Pô cara, olha, na moral. Leva a mal aquele lance de te jogar no poço e te vender como escravo não, e termos pensado em te matar, foi mal aí meu, e…

11.Cala essa boca! Disse um dos outros irmãos [à parte] não vê que o cara pode querer se vingar?

12.Ta tudo bem. O que vocês fizeram não foi legal não, mas acabou que minha vida melhorou muito!

13. Bicho, você tem um harém aqui?

14.Ai! [gritou sentindo uma cotovelada de um irmão]

15. Ah é esqueci que ele não é chegado.

16.Ai! [nova cotovelada], pára de me bater!

17.Então cala essa boca seu idiota quer nos enrolar mais ainda?

18.Bem já chega [disse o Zé] quero saber uma coisa. Meu pai ainda está vivo? Não importa o passado, acho que foi tudo um plano de Deus para que eu viesse na frente e hoje tivesse poder aqui no Egito para lhes dar alimento.

19.Planinho complicado, hem? Não dava pra Deus simplesmente não deixar faltar os alimentos? Javé tem uma mania de dar umas voltas compridas pra fazer uma coisa que poderia fazer estalando os dedos.

20.Isso não importa agora. O que eu quero que façam é que tragam meu pai aqui.

21.Mas e a taça que eu roubei? Não vou ser castigado? Disse Beija-a-mim [e a todos], com expressão sonsa e com um dedinho na boca.

22.Você não roubou nada seu fresquinho, ela foi colocada lá só pra sermos pegos na Blitz, e o Zé poder se revelar para nós.

23. Ah, bom. Mas, pra que isso? Ta parecendo com Javé nas complicações. Pra que toda esta encenação de roubo de taça? Ele não podia simplesmente ter dito quem era realmente desde a nossa primeira entrevista?

24.Bem, isso lá é verdade.

25.Hei, hei, deixem de conversa fiada e me dêem cá um abraço [gritou Zé abraçando e beijando os irmãos].

26.Credo! [limpando os rostos] vejo que ainda gosta de um cheirinho de macho né?

27.Sabem como é que dizem: enterro de anão e ex-gay não existe, não é? Há, há, há!

28.Mas não falemos disso. Tragam meu pai e as suas famílias e venham morar aqui na terra do Egito, pois…

[Zé começa a cantar e a dançar]

1.“Aqui tem de tudo, É outra civilização, A mulher que quiserem terão”! Aqui sou amigo do Rei. Até a cama escolherão. Eu aqui sempre terei, Na cama meus amigos Gays! Aqui a existência é uma aventura de tal modo inconseqüente que a Rainha fica Querendo dar pra gente! Como eu não gosto: declino. Aqui comemos Suíno! [baixinho] É outra civilização. Vão depressa e voltem então!

 

 

                                              ***

[Jacu e os filhos a caminho do Egito param para acampar e dormir]

E assim fizeram os irmãos do Zé. Depois que contaram em sua casa tudo o que ocorrera, seu pai, Jacu, animado em rever seu primeiro filhinho predileto rumou com eles para o Egito. De noite teve uma visão onde Deus lhe apareceu dizendo:

1.Jacu! Jacu!

2.Aqui estou.

3.Eu sou o Eu Sou, o Deus de seu pai.

4.Quem?

5.El.

6.Mas não era Javé, ou o “Eu Sou”? Que droga é essa de El agora?

7.Ora eu sou quem eu bem entender, sou Deus e ponto. Ponho em mim mesmo o nome que quiser e posso ser o que quiser. Se eu quiser ser um mosquito eu posso! Se quiser ser um odre de vinho eu me transformo em um! Quem é você pra dizer o que eu devo ser ou como eu devo me denominar, vê se cala essa boca antes que eu te deixe mudo!

8.Calma, Senhor, também não precisa perder as estribeiras.

9.Bem, o que eu dizia mesmo?

10.Que o Senhor é o ‘El’ sei lá o que… Ah… O Deus de meu pai!

11.Ah é, pois então. Era isso: Jacu, Jacu!

12.Oi!…Oi!

13.Eu sou o Deus de seu pai.

14.Já sei, Já sei!

15.Pára!

16.Desculpe, mas o Senhor é muito repetitivo. Não sai dessa ladainha. Fala logo aí o que ta pegando que eu quero ver se durmo um pouco, chefia.

17.O que eu ia dizer, quando fui brutalmente interrompido, é para você não ter medo de descer ao Egito, porque lá eu farei de você uma grande nação. Eu descerei ao Egito e o farei voltar de lá e o Zé fechará seus olhos.

18.Pera, pera, pera… Num, num. Não vem não. Primeiro eu já estou a caminho do Egito então é evidente que não estou com medo de ir pra lá. Segundo eu não quero este negócio de grande nação não, que isso aí é só mais boca pra alimentar, chega de filho, agora sou adepto do controle de natalidade. E terceiro, e mais importante, que negócio é esse de que o Senhor vai pra lá e vai me fazer voltar? Não, não os meus filhos disseram que lá é “outra civilização”, um povo muito mais adiantado que estes nômades semi- bárbaros que é a nossa gente. Disseram até que lá tem prostitutas bonitas pra gente namorar! [piscando para Javé]. Se quiser volta o Senhor. Aliás, nem sei o que vai cheirar por lá. Lá é terra de outros deuses, outra religião, é melhor ficar por estas bandas aqui que é a sua praia. E num quero saber do Zé fechando meus olhos não. Quero-os bem abertos pra ver tudo que tiver por lá! Parece que o negócio no Egito é bão, veio!

19.Que saber? Faz o que você quiser. Mas depois se vocês derem com os burros n’água, e esta gente escravizar vocês lá, não venham choramingando me pedir ajuda não!

20.Beleza! Já posso dormir, então, hem? Dá licença?


[Javé então se retira visivelmente emburrado e olhando torto para Jacu]

 

 

A BÍBLIA DEMON’S [TRADA] -VERSÃO DO DIRETOR

 GOLPINHO DO ZÉ


Seguiu-se então longa conferência ente Jacu e os filhos que voltaram (apesar de Zé ter dito que só um voltaria); até que Jacu permitiu que eles levassem o Beija-a-mim [e a todos] com eles.

Zé então levou todos os seus irmãos [que ainda não sabiam a verdadeira identidade de Zé] para jantar em sua casa. Quando Zé viu Beija-a-mim [e a todos], saiu rápido da presença deles, pois choramingava emocionado. Logo depois voltou e deu a seguinte ordem ao mordomo:

 

1.Coloque tudo o que puder de mantimentos dentro das sacas, desses homens e ponha o dinheiro de cada um na boca das sacas. Na boca da saca do mais novo, junto com o dinheiro coloque a minha taça de prata predileta.      

 

 

 E Assim fez o mordomo.

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 JACU MANDA OS FILHOS COMPRAREM ALIMENTO NO EGITO

 

A fome então cobria toda a terra, como está dito no texto canônico, muito embora o sonho só mencionasse o Egito, e apesar de que a terra toda é muito grande para que a crise alimentícia do Egito afetasse, por exemplo, a civilização Maia. [Mas como não estamos aqui para levantar dúvidas sobre a veracidade de textos sagrados, sigamos com a história].

1. O que vocês estão esperando, seus montes de excremento de camelos? Levantem seus traseiros gordos destes assentos e vão até o Egito que eu soube que lá tem alimento para vender. Ou querem que morramos de fome, seus imprestáveis!

Então dez dos irmãos do Zé desceram até o Egito para comprar trigo.

Jacu, porém, não deixou seu outro filhinho predileto ir, com medo de acontecer com ele o mesmo que aconteceu com o Zé.

1.   Beija-a-mim[e a todos], ‘minha outra filhinha bredileta’ não vai não! Eu ter meda que aconteça com ela o que aconteceu com a José.

Quando os irmãos de Zé chegaram para comprar mantimentos, curiosamente quem os atendeu foi o próprio Zé, que apesar de ser o primeiro em importância no Egito depois do Faraó, era também o balconista que vendia alimentos para o mundo inteiro. Zé era mesmo um exemplo atípico de político e funcionário público.

Chegaram então os seus irmãos [que não reconheceram Zé] e se prostraram diante dele mesmo não estando indo mendigar, mas, comprar os alimentos.

Zé então não resistiu à oportunidade de tirar uma com a cara dos irmãos que o haviam vendido.

1.Garanto que vocês são espiões.

 

2.Não, não, meu senhor! Seus servos nós somos. Viemos para comprar mantimentos [como sempre o povo que conta com a proteção do altíssimo está se borrando].

3.NananinaNão! Vocês são espiões mesmo e vou prendê-los.

4.Meu senhor somos irmãos, todos nós filhos do mesmo pai. O mais novo está com nosso pai, um morreu, não somos espiões não, por piedade!

5.Bem, então vocês vão ficar aqui presos menos um que deverá ir até a sua casa buscar seu pai e seu irmão mais novo. Se ele não voltar com os dois, vocês são espiões e vão se ferrar!

6.Se ele não voltar, pode ser também é um filho de uma égua medroso, e mesmo assim nós não seremos espiões.

7.Não discutam se não vai todo mundo pro calabouço!

8.Está bem. E diziam entre si: [isso é para pagarmos o que fizemos com nosso irmão Zé].

A BÍBLIA DEMON’S [TRADA] -VERSÃO DO DIRETOR

 

 O FARAÓ CONTA OS SEUS SONHOS

 

 

1.Zé, eu tive uns sonhos estranhos aí.

2.Me conta eles, criança

3.Primeiro sonhei que eu tava acordado, mas quando acordei vi que eu tava dormindo. O que quer dizer isso?

4.Seu faraó, isso aí quer dizer que quando o senhor dorme e sonha, o senhor pensa em sua cabeça uma coisa como se o senhor estivesse acordado, mas que quando acorda e vê bem, não era bem o que o senhor pensava que era o certo, pois o senhor não estava acordado enquanto pensava, mas dormindo, mas mesmo assim não quer dizer que quando o senhor dorme o senhor não acorda também junto com o seu sonho, entendeu? Mas cuidado, somente os Reis inteligentes são capazes de entender esta explicação deste tipo de sonho.

5.Sim, sim, eu entendi certinho. Mas sonhei também com uma velha canção que eu ouvia em criança e que dizia assim: “sonhei com a imagem tua, abri a porta e fui cagar na rua, a bosta endureceu, passou uma Biga e furou o pneu”. E este sonho, o que significa?

6.Basicamente é a mesma coisa, pois quando o faraó era criança, e ainda não tinha por hábito usar o banheiro adequadamente, era castigado por seu pai o grande Tutakamãochseiademerdainfecteris, e então, quando sonhava com a imagem do seu pai e tinha vontade de defecar, abria a porta, no sonho e cagava na rua para que o seu pai não visse a sujeira no palácio e não lhe batesse, mas acontecia que quando seu pai chegava em sua Biga, o pneu desta passava no cocô endurecido e ele acabava descobrindo e lhe metia a mão pela cara do mesmo jeito. Mas mesmo que não se lembre destes eventos, acontece, que, segundo as leis dos astros, todos os grandes homens destinados pelos deuses a reinar sobre outros, necessitam esquecer as humilhações infantis para que estas não atrapalhem seu governo. Por isso não se surpreenda de não se lembrar destes fatos passados que o sonho faz retornar à sua memória enquanto dormes.

7.Sim, sim, de fato não me lembro de nada disso. Mas Zé, os piores sonhos e que são os que mais me perturbam no momento, e que fizeram com que eu ordenasse que o trouxessem na minha presença são os seguintes: eu sonhei que sete vacas gordas saiam do rio Nilo e eram seguidas por sete vacas esqueléticas que devoraram as primeiras sete, e depois que sete espigas também gordas brotaram de um ramo e que sete espigas mirradas que brotaram em seguida as devoraram também, nem sei como, já que espiga não tem boca pra devorar. Mas dizem que tudo pode acontecer nos sonhos. Então o que quer dizer isso?

8.Affi, até que enfim um fácil. [disse Zé à parte].

9.O que?

10.Nada, nada, eu orava aqui ao meu deus para que me ajude neste último sonho relatado por vossa majestade.

11.Ah, e aí?

12.A parada é a seguinte, faraózito, mio amore: durante sete anos o Egito vai se esbaldar. Terá uma produção extraordinária de grãos e de tudo o mais que até será cunhado o slogan: “nessa terra em se plantando tudo dá”! Mas depois, faraózito, nos sete anos seguintes, o Egito vai ficar na merda e não vai sobrar nada pra contar história. Tamo no arroiz! Ou melhor, tamo no sem-arroiz!

13.Por Rá, Osíris e companhia, o que fazer?

14.Quer um conselho?

15.Sim, sim, é claro!

16.O faraó deve escolher alguém de confiança e que seja muito inteligente e sábio e colocar esta pessoa à frente de tudo no Egito para que ela administre toda a produção na época de vacas gordas, retirando um quinto de tudo que for produzido para guardar para época de vacas magras. Ou seja: ‘Euzinha’ aqui.

17.Gênio!

18.Obrigadinha, querido!

19.Então vou nomear você Zé!

20.Beleza então!

21.Só você é sábio o suficiente, pois foi o único capaz de interpretar estes sonhos. E somente eu estarei sobre você no Egito.

22.Aí já não gostei. Só o senhor sobre mim? Ah que chato.

23.Sim, só eu. Porque não gostou, homem?

24.Sabe como é, né? É bom dar uma variadinha de vez em quando.

25.Não entendi, homem.

26.Xii seu faraó, pára com este negócio de me chamar de homem.

27.Está certo. Então vou lhe dar outro nome para você usar de agora em diante na sua nova função. Vou chamá-lo SAFANETILDIS, que tal?

28.Ta aí, disso eu gostei, tava querendo mesmo trocar este nome, ele é muito assim, não sei, sabe, masculino.

29.Bem, então está tudo certo, você se chama agora Safanetildis e todos estão sob suas ordens, exceto eu.

30.Verdade?

31.Sim.

32.Valeu faraozito, mio amoreco!

 

Aconteceu, pois tudo conforme Zé, ou Safanetildis, havia previsto. O Egito depois dos sete anos no bem bom ficou minguado. Mas como haviam armazenado tanta comida, o país estava sossegado.

Safanetildis estava cheio de moral. A única coisa que o incomodava era que o faraó lhe arranjara uma esposa, pois não ficava bem um homem na sua posição ser solteiro, e olha que o faraó nunca tinha visto as posições pouco ortodoxas que Safanetildis costumava ficar. E como Safanetildis se lembrava do fim do padeiro, não ousava desafiar o faraó neste particular, revelando-lhe a sua verdadeira orientação sexual.

A mulher que o faraó escolhera para Safanetildis foi ASANHANET, que depois de muitos meses de casamento, não agüentando mais, reclamava para o marido:

1.Safanetildis, meu marido,

2.O que é?

3.Faz meses que nos casamos e você ainda não me conheceu.

4.     Que você ta falando mulher, eu conheci você quando o faraó nos apresentou.

5.Não, não, to falando conhecer mesmo, no sentido íntimo, profundo, sabe? [dizia piscando para o marido].

6.Xii, eu heim, não vem que não tem, deste mato aqui não sai coelho não!

7.Mas eu to querendo é cobra, não é coelho.

8.Ah me deixa mulher.

9.Sabe como é eu já to cansada de esperar, e se você não quer tem quem quer. To enjoada deste seu jeitinho delicado.

10.Pois então o que você está esperando, vai te arrumar pra outras bandas, santa.

 

Então Asanhanet, mulher do Zé, agora chamado Safanetildis, coabitou com um escravo e teve um filho ao qual ela colocou o nome de MANÉ-ZÉS (em homenagem ao marido corneado). E logo depois teve outro filho ao qual ela deu o nome de ENFRIA-AÍ [em mim], em homenagem ao seu escravo amante.