PAIXÃO

Não esquecerei a primeira vez que a vi. Eu estava acompanhado e ela também. Isso em meados de 1989, eu com minhas quase duas décadas de vida, tanto chão a percorrer, tanto a conquistar…

 

Não esquecerei a primeira vez que a vi. Eu estava acompanhado e ela também. Isso em meados de 1989, eu com minhas quase duas décadas de vida, tanto chão a percorrer, tanto a conquistar… Disfarcei pra não dar pinta, pra não fazê-la perceber meu interesse maior. Claro que não consegui, por isso soube que ela, desde sempre, sabia que eu a queria.

 

Foi paixão, dessas fortes, avassaladoras, dessas que derrubam de imediato, dessas que levantam outras partes, enfim, paixão pura.
Em diversas tantas ocasiões nos reencontramos, no decorrer desses mais de 22 anos passados desde que nos conhecemos. Por um ou outro motivo, sempre o mesmo, não nos entregamos.
Quando a vida já me apontava para o início da descida da ladeira, eis que nos revimos. Eu agora um senhor, com outras responsabilidades. Ela agora uma senhora, respeitável, bem cuidada, ainda linda, ainda despertando paixões a olhos educados como os meus.
Sem euforia resolvemos nos conhecer, saber mais um do outro, mas não foi preciso muito. Nos entregamos quase que instintivamente. Uma sensação de destino cumprido, uma certeza vinda antes de acontecer, de que seria sensacional, e apenas o cumprimento deste destino já sabido pelos dois.
Engraçado foi perceber como foi fácil meu desenlace da parceira anterior, sem dores ou remorsos.
Chave e documentos entregues, troquei minha CB DX 450 1986 pela CBR 450 SR 1989, e estou apaixonado pela minha moto, a moto que desejei desde que foi lançada…
E se você já estava quase passando este texto pra minha esposa, deixa que eu faço isso… rsrsrs…
Marcos Claudino, 41 anos, profissional de Recursos Humanos, de moto velha mais nova, feliz…