Simplicíssimo

Ho ho ho

_ Menina você nem sabe o que andam falando por aí?
_ Oba fofoca! Diz aí poderosa, de quem é a vez?
_ Papai Noel!
_ O quê? Aquele pobre velhinho indefeso dos presentes?
_ Aham, senta aí que vou te contar tudinho. Tá dando o maior fusuê. Tudo começou com a história das renas. Sabé né, aqueles bichinhos que puxam o trenó.
_ Sei sei, aquelas do filme do nariz vermelho.
_ Isso mesmo. Tá sabendo hein? Olha só, parece que rena é só um nome fantasia. São veados mesmo, todos eles.
_ Nãoooooo …
_ Aham, assumidos. Por isso usam uns enfeites brilhosos pela noite. Mas sabe como é, ia ficar meio feio pro lado do Papai Noel, daí criaram esse apelido bobo.
_ Nick.
_ Não, rena.
_ Ai tolinha, nick de nickname, apelido. Tá desatualizada hein?
_ Eu hein?! Mas deixa te contar mais.
_ Tem mais?
_ Ihhh se tem. Toda aquela frescura de decoração. Bolinha prá cá, luzinha prá lá … Sabia que a roupinha dele era prá ser rosa?
_ Nahhhhhh
_Tô te dizendo. Mas na última hora acabaram com medo da repercussão e carregaram no vermelho. E tudo forradinho de lãzinha, uiuiui!
_ Aí você já está demais. Deve ser para não passar frio, Pólo Norte essas coisas …
_ Fetiche puro nêga! Isso sem falar naquela estória de pendurar a meia na lareira. Brincando de meia … M E I A … “meia”, entende?
_ Menina nunca tinha pensado nisso!!! E os presentes para as criancinhas, onde fica esse outro lado do Natal?
_ Sedução pura! Se comportou direitinho ganha, não se comportou, não ganha. Já tem até quem esteja processando o Noel por pedofilia com esse papinho de “vem aqui sentar no meu colinho” … Sem falar nos pequeninos ajudantes que esse safado mantém na fábrica de brinquedos.
_ Nem sei o que dizer …
_ Vamos combinar né, no meio da madrugada, ele todo vermelho querer entrar pela chaminé, um buraco escuro e sujo que serve para os gases saírem … aí tem coisa!
_ Nooooossssssaa! Fiquei tonta com tudo isso. Quem te contou?
_ Meu namorado novo, você vai conhecer ele hoje à noite. Vocês vão no GBar hoje, não vão?
_ Claro! O Tito adora ir lá. Falando nisso, tenho que ir senão não sobra tempo de me arrumar.
_ Então tá Alfredinho, nos vemos à noite.
_ Tá certo Luizão. Não vejo a hora de conhecer esse teu namorado novo.
_ Você vai gostar dele, não mais do que gosta do seu é claro.

_ Menina você nem sabe o que andam falando por aí?

– – –

Texto escrito para e inscrito no concurso de crônicas natalinas da revista Diálogo Médico, cujo resultado deverá sair em breve. Torçam por mim!

Eduardo Hostyn Sabbi

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