Simplicíssimo

Sala de parto

Pois chegou o derradeiro dia. Dia da decisão. É deveras interessante, para não dizer complicado ao extremo, conviver entranhado com o processo eleitoral. Só se sabe mesmo quando se está concorrendo. E eu estou. É um espetáculo e tanto para uma platéia atenta e perspicaz. Alguns revelam o que escondiam, outros escondem o que revelavam. Os que se dizem oposição estão hoje no poder e não percebem que cospem para cima. Aos que restou o rótulo de situação, não há vontade de sê-lo, nem força em contrário. Atitude sensata, uma vez que as peças atrás e futuras se mesclam e se confundem nos dois lados.

Mas a história é um pouquinho mais longa. Parece coisa do destino, do Karma ou do coelhinho da Páscoa mesmo. Há 2 eleições atrás, os mesmos candidatos dividiram ao meio os 80 votos disputados. Semana passada, quando ingressaram na assembléia 113 associados, o resultado temido por ambos ficou distante. E na contagem dos votos, lá estava eu, risco a risco, quase como um painel eletrônico (ou seria um presidiário contando na parede os dias que passam?). A sensação é algo difícil de descrever. Vivi cada voto como o próprio resultado final ou quase isso. Imagine você que eu passaria por 113 resultados finais até explodir de alegria ou banhar-me na tristeza das lágrimas.

Uma vantagem inicial e um raciocínio do tipo amostragem me deu a certeza da vitória logo de cara. Abrimos uma vantagem que logo se desfez e deu lugar para o equilíbrio, mantido até a metade da apuração. Depois disso, para franco desespero deste ser que vos relata essas verdades (daqueles de converter qualquer cristão não-praticante em servo fiel), o adversário tomou a dianteira a passos largos e os votos seguintes conspiravam contra nós. Já na reta final, a tensão aumentou de forma diretamente proporcional à nossa reaproximação. Era o último gás. Faltando 10 votos, estávamos lado a lado. Vieram mais 6 e passamos 3 à frente. Os derradeiros 4 não poderiam ser 100% contra. É como jogar uma moeda para o alto e cair sempre cara ou coroa.

E não foram mesmo. Não foram porquê só haviam 3 na urna e todos 100% contra (ah seu Murphy …). Olhos arregalados se entreolhavam na sala. 56 a 56. Procurou-se “zil” vezes o centésimo terceiro voto. No fundo da urna, embaixo da mesa e das cadeiras, sob o tapete, entre a samambaia (coitada!). Contamos e recontamos. Algo que nem Coca-cola: era isso aí. Veio a luz: um associado estava presente mas impossibilitado de votar frente a pendências financeiras. Que puxa! Oh azar! E o que chegou pouco antes de fecharmos a urna? E o que chegou pouco depois? O que esqueceu, o que adoeceu, o que se acomodou porque erradamente antes mesmo se convenceu?

Ah, hoje a história pode ser diferente ou quem sabe (e tomara) exatamente igual a 2 eleições passadas. Faltando menos de 6 horas para a apuração, meu coração já dispara. Será mais um teste para minhas até então silenciosas coronárias (que permaneçam assim). Quando esse artigo for publicado à noite, é provável que eu já tenha o resultado fresquinho e poderei adicionar um comentário ainda indefinido. É hora do Golden Gol, um apenas leva (ou não) e já valeu a pena ter tudo isso para contar. Que a força esteja com a gente!

Eduardo Hostyn Sabbi

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