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O Tempo e o Orgulho

O Tempo e o Orgulho


Apreenda-se o tempo! Lutamos contra ele desde sempre. Passa o dia e ele flui, independente. Somos prisioneiros do encadeamento dos fatos. A própria noção de tempo não passa de uma interpretação. Segundo reza o orgulho humano, podemos ser donos de nosso destino. Mas ou o declínio biológico, ou a sua falência completa nos torna limitados e, cedo ou tarde, nos há de impor a todos estreitas fronteiras. Há os que aceitam as imposições do tempo cercando-se de cuidados que visam incrementar suas condições de saúde, tendo como objetivo a melhor passagem possível por esta vida. Por outro lado, a incapacidade de ceder à velhice ou à morte cerca alguns de todo o tipo de vaidades e adornos. O objetivo não é a saúde em si, mas a aparência e as honrarias. Lanço aqui minha hipótese, sem a pretensão de demonstrá-la: quanto maior o coqueiro, maior o tombo. Mesmo os augúrios de uma morte sutil ofendem muito mais a um narcisista irremediável, comparando-se aos rigores da mais humilhante das mortes que se possa impor a um sábio. De qualquer modo a maior parte de nossos destinos, nunca chegamos a controlar. O que, se nossa consciência não sobreviver ao nosso falecimento, também não faz muita diferença. Há muitas coisas que buscamos por instinto, a maior delas é a própria vida. O apego a ela é condição à manutenção da existência. Mas o apego à vaidade e à presunção de superioridade é invenção toda nossa. Sucesso por sucesso, as bactérias dominam muito mais ambientes do que nós, há muito mais tempo. Exibem uma incrível capacidade de viver e impor seu código genético através da linha de tempo. Não dominam seus destinos, mas certamente convivem melhor com o fato.

Luiz Eduardo Ulrich

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