Simplicíssimo

Amor e Castigo

No ano de 1605, durante o Governo de Tokugawa Ieyasu (Período dos Shogunatos), vivem em uma vila próxima a Tóquio – na época, conhecida como Edo – o samurai Rokuemon Hasekura e sua esposa, Riku, de estonteante beleza.
Certo dia, em uma batalha com os soldados do daimyou (Lorde feudal) inimigo, Hasekura é empurrado de um penhasco. O guerreiro não morre, mas ficará tetraplégico para toda a vida.
Riku, vendo-se sozinha e sem recursos para cuidar do marido e da casa, decide-se pelo único caminho de sustento possível para a mulher de sua época: a prostituição.
Agora, sob as ordens de uma velha cafetina de nome O-Yoné, a esposa de Hasekura entrega-se a desconhecidos em troca de bens, favores e remédios, movida unicamente pela esperança de que um dia o marido encontrará a cura.
Mas esse dia não chega e a dupla vida de Riku vem à tona. E, certa manhã, na área central da vila, um corpo é atirado ao chão. Quando os curiosos se aproximam, veem o rosto da bela Riko agora disforme, os braços e as pernas mutiladas.
Não seria cremada com o marido, naquele mesmo dia. Não. Seus restos ainda permaneceriam algum tempo à beira de uma estrada, servindo de exemplo a todo aquele que ousasse amar.

Nota do Autor: Este conto é dedicado aos escritores Shusaku Endo (1923) e a Lafcadio Hearn (1850-1904), esse último um dos muitos estrangeiros que viveram e amaram o Japão.

Edweine Loureiro

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