Simplicíssimo

São Paulo símbolo do migrante nordestino

 

 “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado”
                                   Estudante de Direito Mayara Petruso

 

 

      Logo após a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, a estudante de Direito de São Paulo, Mayara Petruso, ofendeu aos nordestinos com declarações feitas em um site de relacionamentos.
Ofensas inadmissíveis. Expressão usada, por uma estudante de direito que visa como juramento para exercer a profissão de advogado, prometer exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da Justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas.
As questões culturais estão muito presentes nos dias de hoje, onde o nordestino está perdendo a sua identidade, a sua alteridade, desembocando na discriminação da cultura, das raças, dos seres humanos.

Olavo Bilac reconheceu: “A colonização do Brasil fez-se da periferia para o centro, a sua nacionalização faz-se do centro para a periferia”. Negar o nordestino é negar o Brasil, é negar a si mesmo.

Segundo Roger Chartier não é luta de classe que definem as diferenças, mas o lugar nos quais essas classes são colocadas na sua cultura, para ele as questões culturais estão acima das sociais. Com a industrialização em seu ápice, e grande oferta de empregos na Cidade de São Paulo nas décadas de 60, 70 e 80, os nordestinos cansados de desigualdades, e concentração fundiária, optam pelo êxodo rural consagrada devido à crise econômica. Algumas soluções para a seca foram formuladas, sem resultados. Outro fator determinante foi a conclusão da Estrada Rio – Bahia em 1949, o que  facilitou e muito essa migração. Foi por esta rodovia que surgiu o “pau-de-arara”. A invenção de São Paulo proporcionou a migração nordestina e a chegada de um montante de pessoas guiadas por um imaginário coletivo. São Paulo criou para ela mesma um estigma recheado de representações, criou adjetivos como “capital bandeirante” – “São Paulo terra de gente trabalhadora” O nordestino subiu em um pau de arara e tocaram para a cidade onde ouviam dizer que se “chutava” dinheiro, em busca de um mundo melhor, alguns trouxeram esposa e filhos, outros vieram na frente, arrumar emprego e mandar buscar o resto da família.

Esses nordestinos vieram em busca de um sonho que foi alimentado pela mídia, pelos slogans, cartazes, pela proliferação das indústrias que seduzia com empregos para diversas áreas e ensejava comida no prato do retirante que sofria com a seca, a miséria e a falta de auto-estima. Toda essa promessa de uma vida melhor levou os retirantes a desembarcarem aqui nesta terra de meu DEUS.  Muitos Severinos aqui chegaram, cansados do sofrimento e fugindo da morte “Severina”. A Metrópole era forte, imponente, falava alto e sem medo, com arranha-céus nascendo a cada dia. A cidade falava por si só, fazendo com que credibilidades e verossimilhanças se desenvolvessem, criando coragem, força e vontade de viver aos retirantes. Assim o nordestino migrou, e aqui encontrou uma possibilidade de vida com uma presentificação fortíssima e não encontrou resistência por parte da cidade escolhida. São Paulo recebeu os nordestinos de braços abertos analfabetos e semi-analfabetos.

Assim, o sertanejo não escolhia trabalho, a mão-de-obra era braçal, operária, o importante naquele momento era conseguir “viver”, e tornar possível seu sonho.

As comemorações do IV Centenário em 1954 e dos 450 anos em 2004 de São Paulo trouxeram representações tamanhas para o imaginário do nordestino. A metrópole cresceu, desenvolveu e São Paulo encontra-se sem memória, os nordestinos hoje são literalmente discriminados, esqueceu que na primeira metade do século XX, ajudaram a construir a chamada “cidade grande”.

Esses nordestinos arraigados em São Paulo, não contam com o básico para viver como trabalho, moradia, saúde, e lazer não faz parte do seu dia-a-dia.

Hoje fazem suas moradas em favelas, cortiços, becos e ruas da cidade, seus filhos não podem freqüentar bons colégios. É comum ouvir em um vagão do metrô: “São Paulo está invadido de nordestinos que precisam ir embora”.
O som, a repercussão de palavras como da estudante Mayara, são algumas mostras de hostilidade em face de um grupo social ou étnico, que tristemente ainda existe nos dias de hoje.
O CTN – Centro de Tradições Nordestinas; a princípio para o povo do norte e nordeste, hoje recebem pessoas de todo o lugar independente de raça, cor ou classe social. Atuando com a educação, saúde, social e ainda parcerias com ONGs, tentando amenizar a marca de renegado instituído aos nordestinos.

 

Maria Jose Silva Caldas Fagundes

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