Simplicíssimo

Pequena Abelha

“Se eu encontrasse você, a primeira coisa que você notaria seria meu olhos fitando seu rosto, como se tentassem ver um outra pessoa em você, como se estivessem desesperados para transformar você num fantasma.” P. 91
 
Escrever algo sobre a obra Pequena Abelha é muito difícil, pois a recomendação do autor é que não contemos o que acontece nessa história. Mas como não comentar uma história tão boa?
 
O livro narra a história de duas mulheres: Sarah e Pequena Abelha. As duas são unidas por uma tragédia que marcará suas vidas. Sarah é editora de uma revista feminina que acaba de ficar viúva com um filho de 4 anos, Charlie, que está na fase de Batman e passa o dia todo com sua fantasia. Pequena Abelha é uma menina de 16 anos, nigeriana, que está na Inglaterra como imigrante ilegal, fugindo da guerra por petróleo em seu país.
 
A história das duas se funde dois anos antes, na Nigéria, enquanto Sarah e o marido estão de férias. Lá eles encontram Pequena Abelha, é o início da tragédia do casal e a continuação da tragédia na vida da menina. Nesse momento Pequena Abelha deixa de ser uma criança que brincava com sua irmã na aldeia para amadurecer e ver o mundo cruel em que vive.
 
“Mas quando se é uma refugiada e quando e quando a morte chega não se fica mais nem um minuto no lugar que ela visitou” p. 86
 
A leitura desse livro é diferente, não é algo que nos consome, é uma leitura feita com calma, com pausas e o seu fim não nos deixa excitados, mas com paz. Isso não torna o livro ruim, ao contrário, torna o livro uma obra genial. Uma das melhores obras que li.
 
Chris Cleave revela algo desconhecido para mim, como a guerra por petróleo na Nigéria (que uma amiga geógrafa me explicou realmente existir e o governo contratou mercenários para dizimar as populações das aldeias) e a imigração ilegal na Inglaterra.
 
Antes de ler o livro, vi algumas impressões de outros leitores dizendo ser um livro muito triste e cheio de desgraças. Não achei isso, achei uma obra realista que denuncia situações desumanas, mas sem deixar de lado a poesia. Aliás a poesia está sempre presente na obra, que exala saudade de uma vida que não existe mais.
 
“Chá tem o mesmo gosto da minha terra: é amargo e quente, forte carregado de lembranças. Tem gosto de saudade. Tem o gosto da distância entre onde você está e de onde você veio. E também desaparece – o gosto desaparece da língua enquanto os lábios os lábios ainda estão quentes da xícara.” P. 136

Lívia Ledier

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