Simplicíssimo

Divã de fogo

 

O psiquiatra e psicanalista Franz Oliveira clinicava numa média cidade próxima à capital. Sua clientela: alguns pacientes regulares, outros que iam só uma vez ao consultório e sumiam.
Norma Gomes, uma paciente novata voltou e tornou-se regular: na casa dos trinta anos, era alta, morena, de forte compleição física, porém muito feminina com lindos cabelos até os ombros e bem maquiada.
O doutor anotou na agenda: insônia, ansiedade e sublinhou “possível desvio de personalidade”. Receitou as drogas e terapia psicológica.
– Eu consegui me soltar com o senhor. Podemos fazer a terapia?
– Se preferir não há problemas. Volte na sexta no mesmo horário.
Após quinze dias e quatro sessões terapêuticas, a secretária ao telefone:
– Doutor agora é a vez da senhorita Norma.
E Norma entrou: sem maquiagem, cabelos curtos, relógio grande no pulso, calça jeans,e camisa branca de mangas compridas e visivelmente sem sutiã. Uma surpresa para o doutor!
– Gostou do meu novo visual?
– As roupas são de grife e de muito bom corte. Você se sente confortável?
– Muito. Na frente de um prédio em construção os peões me chamaram de João. Eu nem liguei., até ri e pisei mais forte na calçada.
– É uma espécie de fantasia sua?
– Não sei. Na minha cabeça resolvi eliminar aquela minha imagem, aí resolvi mudar, como se um fogo destruísse a antiga Norma feminina.
– Quer explorar mais isto agora?
Outros quinze dias e Norma apareceu usando um vestido vermelho provocante, pernas lindas à mostra abrindo um sorriso maroto para o doutor.
– Mais um fogo seu,  Norma?
– Não, consegui apagar aquele primeiro fogo…
FIM
 

Jackson Franco

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