Simplicíssimo

Cai cai balão

A quadrilha estava formada. A professora escolhera os pares entre os alunos da classe, e ele (sortudo!, diziam os colegas) ficara com a mais bonita, a mais inteligente, a mais graciosa, a mais… A mais tudo! Não era à toa que se chama Maís-a. Não era à toa também que Maísa era o grande amor de sua vida. Tão grande quanto comportava sua pequenina vida; em seus doze anos, por ela suspirava, rabiscava seu nome nas páginas do caderno, onde agora desenhava balões em forma de coração.
Na noite de São João, todo a caráter, ele mal se continha de ansiedade: logo ela surgiria por entre o arco de bambus à entrada da escola, desfilando seu vestidinho remendado sob bandeirinhas coloridas.
Sua ansiedade, porém, aos poucos foi murchando como um balão. Ela não veio. Disseram que estava doente. E a quadrilha começou sem o par, pois não havia outra (nem ele queria!) disposta a acompanhá-lo.
"Olha a cobra! É mentira!”
Bem que podia… Bem que podia ser mentira. Ela não estava doente. Estava chegando, pegando-o pelo braço, os dois rodopiando, rodopiando… Ela sorrindo, ele suspirando. Mas não! Não era mentira. Ela não veio mesmo, e ele, sozinho, ia para casa, o coração se consumindo de tristeza e paixão. Pelo rosto, lágrimas negras de carvão desfaziam-lhe a barba de mentira. Na noite estrelada, via-se no céu um balão, triste e solitário balão. Consumindo-se em chamas, caía devagar, bem devagar…

Wilson Gorj

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