Simplicíssimo

dê cá um abraço!! (parte I)

Um paradoxo visto com relação aos candidatos a algum cargo eletivo, seja no legislativo, no executivo…

Engraçado, eles aparecem em todos os eventos (mesmo que contrários a estes) para aparecerem na mídia e assim ganharem notoriedade, e, logicamente, a simpatia. Ah, e principalmente e o mais importante: o voto do pobre eleitor.

Todos aparecem beijando crianças, velhos, abraçando "amigos", e procuram principalmente pessoas da classe mais baixa para assim mostrarem sua "preocupação" com os menos favorecidos.

– Prometo investir na saúde… (e a saúde continua às favas depois da eleição). Prometo investir na educação… (ela está aí ao Deus-dará – crianças "passando" de ano sem ao menos saber ler e escrever)

E as bandeiras do candidato empunhadas por belas meninas vestidas a caráter tremulam a cada fala.

Na saúde, conforme se vê na midia, o coitado do sujeito deitado na maca (quando não no chão) no corredor, à espera de atendimento (que demora horas e horas… dias e dias… meses e meses…) Enfim…

E as meninas gritam e as bandeiras tremulam!!

– Prometo, meu caro eleitor terminar aquela obra que o outro começou e não terminou ainda!
(Claro, a eleição chegou antes das obras acabarem!!)

– E na verdade, meu caro, e por que não dizer "meu" nobre eleitor, eu não quero prometer nada. Eu quero (de todo jeito) o seu voto de confiança pra chegarmos, juntos, lá no poder e eu serei seu amigo, você, o meu braço direito para juntos construirmos uma cidade melhor… e prometo a você, cidadão, cidadã, ancião, anciã… poderá me procurar a qualquer hora do dia, da noite…

– Chega – cochicha o assessor – tá se entusiasmando muito, não promete o que depois você não conseguirá cumprir… você conhece muito bem o eleitor!!

– Enfim, meu caro eleitor, eu serei a sua bandeira incansável no dia a dia… ah, que criancinha linda – manda o assessor buscar a criança – ele a pega nos braços – essa criança – dá vários beijos nela – é o nosso futuro. É nela que devemos investir para ter um grande futuro…

– Ela precisa mesmo, doutor, porque ela não tem pai nem mãe – grita um homem lá no meio da multidão.

– Mas logo essa que você foi pegar ?!? – cochicha o candidato ao seu assessor – mas eu prometo que esta criança terá todo o meu apoio para que seja um grande homem – tira ela logo daqui e desapareça com ela no meio da multidão, adverte ao assessor.

E as bandeiras tremulam.

– Enfim, meu amigo, minha amiga, eu preciso do seu voto para fazer desta cidade a maior cidade da nossa capital, do nosso estado e quiçá do nosso amado País!! Confie em mim, meu nobre eleitor e você não se arrependerá.

Segundos depois, sob aplausos, desce do palanque e entra no meio do povo abraçando cada um, afagando a cabeça de algum moribundo, beijando as crianças (às vezes alguma mulher bonita, charmosa…)

Enquanto isso as belas meninas gritam histericamente o nome do candidado enquanto tremulam as bandeiras.

Afonso José Santana

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