Simplicíssimo

o café da manhã com um amigo político

Fui convidado por um amigo deputado pra tomar o café da manhã na casa dele, ou melhor, na sua mansão. Cheguei cedo. Eu havia dito a ele que gostaria de me candidatar a deputado, pois achava, digamos, uma profissão muito interessante, onde podemos ajudar o povo, fazer leis pra ajudá-lo.

– Chegou cedo – disse ele.
– Ah, eu tenho mania de chegar bem antes. Tenho pontualidade melhor que a britânica.

Entrei e já na sala ampla e enorme via maravilhas que nunca havia visto antes. Pratarias, mesas de todo tipo, entre outros objetos que nem ouso falar de tantas coisas que me deixavam pasmo.

– Puxa – exclamei, tonto – sua cas… sua mansão é uma coisa de tirar o chapeu…
– Nem tanto – ele cortou – venha, vou lhe contar como consigo tudo isso.

E contou. Contou que depois que entra na política o dinheiro aparece fácil e não tem como não negá-lo. Não tem como não recebe-lo como propina por ter facilitado isso, aquilo…

Depois voltamos à sala e nos sentamos para fazer o desjejum. Tomar o café da manhã. Tirar a barriga da miséria quando acordamos… essas coisas!

A mesa era farta. Só de olhar já acabava a fome. Mas enfim, vamos aproveitar.

– Papai?!? – olhei para o lado e uma moça deslumbrante com um vestido também deslumbrante descia a escada em caracol. Era linda. Os cabelos, amarrados em rabo-de-cavalo, chacoalhavam de um lado para o outro, o que a tornava ainda mais linda. E eu seguia o vai-e-vem dos cabelos parecendo enfeitiçado. Chegou à mesa, cumprimentou seu pai depois a mim com um largo sorriso de dentes brancos. Sentou-se ao meu lado. Tremi.

Fazíamos o desjejum, conversávamos, quando senti um leve toque nas minhas pernas.”Opa!” Olhei pra ela sem jeito e ela me retribuiu o sorriso. De novo o roçar nas minhas pernas. Não titubeei e, com jeito, passei-lhe a mão direita naquela perna lisa e roliça.

Acordei segundos depois com o olho direito roxo.

– Mas eu pensei…
– Você pensou o que, seu idiota. Quem você pensa que é pra agir assim? E eu pensando que era amigo do meu pai…
– Mas eu sou…
– …Fifi… venha cá, menina… – gritou sua mãe que estava perto de mim também.

Quando olhei vi a cachorrinha vindo em nossa direção.

– Então não era você… era a cachorrinha…

– Quantas vezes já não te falei, Fifi – falou sua mãe pra cachorrinha – pra não ficar arranhando as pessoas? Você nem as conhece direito!! E lá veio Fifi me lambendo.

– Então você pensou que era eu que estava mexendo com você??? – indagou a moça – mas você é muito atrevido…

– Pois saiba que minha filha é honrada, ouviu, seu cachorro!! – seu pai veio pra cima de mim tomando as dores da filha.

– Pelo menos a filha de um político é honrada – soltei sem pensar.

Acordei lá fora com o outro olho roxo. Os seguranças do meu ami.. ex-amigo político me colocaram pra dentro de um carro e me levavam pro pronto-socorro.

– Caso precisem saber, eu tenho convênio médico!

Afonso José Santana

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