Simplicíssimo

O fantástico povo barata

Entre 1940 e 1950 diversas pessoas desembarcaram de suas pátrias, entre outros lugares, no Brasil, em busca de uma terra própria onde pudessem levar suas vidas de forma pacata, sem incomodar ninguém, sem morrer por serem desta ou daquela religião. Em geral estes povos eram Judeus, fugitivos da perseguição nazista, mas também haviam alí Alemães, Poloneses, Tchecos, pessoas que, como diz o velho adágio: “É mentira pensar que a guerra não me atinge, a guerra  atinge a todos!”. Em comum a este povo eles tinham: poucas posses pessoais por virem de um país devastado, em fuga, deixando tudo para trás, uma união familiar invejável, pois só quem foi separado a força de seus parentes sabe o valor que eles têm e valorizando muito o que é deles, pois também quem viu queimar em minutos aquilo que construiram durante gerações, como eram as coisas no passado, sabe o valor que as coisas têm.

 

Indiferentes à guerra, livres do racionamento de alimentos que fez com que gordura de porco fosse um poucos alimentos não racionados, proliferando europa a fora uma marca chamada SPAM, que mais tarde seria sinônimo de tudo que vem em fluxo não solicitado, no Brasil, apesar da ditadura militar, o povo continuava a nascer em berço esplêndido, numa pátria de verão delicioso e longo, de invernos amenos e úmidos. Uma terra sem tormentas naturais e que viveu alguns milagres econômicos, na mesma proporção que teve pesadelos, mas que, acima de tudo, choveram oportunidades aos ambiciosos, de agarrarem um negócio.

 

Mas hoje, quando estudamos grandes empresas nacionais, o que vemos são aqueles que, fugiram de uma guerra, com seus espíritos alquebrados e famílias incompletas (sem mencionar as posses inexistentes), os grandes empresários que se tornaram, em contra partida aos que aqui já estavam, e que diariamente conviviam com as oportunidades que os de fora encontraram, o quanto viveram e vivem para serem empregados. Não pense que este texto é uma forma de neo-nazismo, ao contrário, é uma crítica veemente ao povo que aqui estava, e nunca, aos que chegaram, que trouxeram empregos e oportunidade para nós. Mas vejam Samuel Klein, dono das Casas Bahia, que começou a vida como mascate, vendendo tapetes e roupas de cama e banho de porta em porta, e fazendo um carnezinho das coisas que vendia, e o império que tem hoje. Vejamos a família Birman, que de 50 a 70 criou um império da construção e engenharia civil, e quando a bolsa do Brasil quebrou e a construção virou mal negócio, conseguiu mais uma vez reinventar-se e criou a Arezzo e a Schutz, duas gigantes da indústria dos calçados.

 

Olhando para o outro lado, vejam o quanto nossos camelôs se atracam no centro de São Paulo por espaço, vivendo de forma humilde, mas com alguns regalos provenientes da informalidade, enquanto o Chinês, o Japonês, que por vezes dorme na loja a noite por não ter casa própria, enquanto não consegue construir para sua família ao longo do tempo. Vários chineses, japoneses são ricos hoje por terem levado uma vida de privações e de muita batalha. O mesmo diz-se dos judeus que chegaram com a alma alquebrada da guerra, sem posses, e hoje despontam líderes em diversos setores do nosso país.

 

O Brasil peca pelo seu maior milagre, é tão hospitaleiro que dá ao visitante os melhores frutos, e planta para si as sementes ruins. Tudo que inventou de bom, ensinou como se faz e hoje a patente não nos pertence mais. Tudo que fizemos, alguém tomou para sí, e o pior do que isso acontecer, é ter aceitado que acontecesse. Mas ninguém se importa, vivemos um país morno, de pessoas sem gosto e sem sentido, que vivem os dias da semana para, “a cada fevereiro e feriado, comemorem como idiotas, os mortos nas estradas, os mortos, por falta de hospitais”, como disse muito bem Renato Russo. Vivemos um país que só tem certeza de uma coisa, que quer que dê logo 18 horas de sexta feira, para poder descansar um pouquinho. Os motoqueiros, que sejam atropelados logo, de leve de preferência, mas logo, para ganhar duzentos reais por mês e ficar sem trabalhar por uns dias…  E nada me deixa mais triste do que isso…

 

Emanuel Campos é desocupado, filósofo e barata, desde criancinha…

Luiz Emanuel Campos

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