Simplicíssimo

Mediastino

Terminava mais um dia, arrumava sua cama como em outros dias “normais”. Franzia a testa, fazia uma cara de reprovação, que não seria notada por ninguém, pois estava sozinho em seu quarto. Deitava-se na esperança de fugir de todos aqueles pensamentos e simplesmente ter uma noite de paz. Eis que era interrompido:
—Ei, ei, pensa que tudo irá terminar assim? Não, não irei deixar.
Surpreso tentava identificar de onde vinha aquela voz, mas não conseguia, pois pelo que sabia não só estava só em seu quarto, mas também em sua casa. Além disso, tratava-se de uma região campestre a vários quilômetros de qualquer vizinhança, barulho ou de algum outro traço de civilização. Não viu outra forma senão a de dialogar com aquela doce voz:
—Quem fala? De onde fala? Muito estranho, pode se identificar?
Segundos depois, podia-se ouvir:
—Falo de dentro de você.
—Como assim? Quem é? Responda já minhas perguntas!
—Sou seu mediastino.
—anh? Medi o que?
—M E D I A S T I N O, prazer.
—Então você fala de dentro de meu cérebro? Bem, mas continue, quero ouvi-lo fiquei curioso.
—Bem, ao final lhe corrigirei no que você está redondamente errado, mas por agora, vamos lá: Como você pode ver um quadro tão vazio e não dizer nada? Quando na verdade você estava esperando alguma cor, algum leve expressionismo que diga que aquilo é uma pintura ou pelo menos os primeiros traços? Como é que em várias ocasiões você se encanta com tudo aquilo que nunca irá te retornar da maneira como gostaria?
—Bem, se você está falando mesmo dentro de mim você me conhece e então não ficará surpreso comigo por entender perfeitamente todos os significados das metáforas usadas. Logo começarei a responder da mesma maneira: Como poderia obrigar que as pessoas que saberiam riscar aqueles marcantes primeiros traços dessa tão linda imaginada pintura, a começarem a fazer o seu trabalho? Por outro lado penso que cada ser – humano tem seus pólos de encantamento. Alguns possuem um retorno melhor, outros produzem coleções de frustrações, alguns sofrimentos, mais agudos ou não, mas outros acabam deixando pelo menos belas lembranças. Bem, acho que isso é tudo. Mas agora fiquei bem curioso. No começo de nossa conversa onde é que eu estava errado redondamente?
—É que não falo de dentro de seu cérebro, mas de bem pertinho do seu coração, por isso é que o conheço tão bem, talvez melhor do que você mesmo.

Frank Santos

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