Simplicíssimo

A verdade me salvará

De muitas verdades que já defendi, de tantas certezas que já tive, de tanta arrogância em achar-me dono de qualquer afirmação absoluta, a única que ainda professo, hoje, beirando aos famigerados e enferrujados 40 anos de idade, é de que sou mesmo um perfeito imbecil, um idiota completo.

Sei, sei, muitos dirão que até que enfim acertei uma… E eu agradecerei o elogio, seguirei minha vidinha entediante e, mais à frente, me aposentarei… Pronto, disse, dito está, ou ainda “ditus est”, como diria o analfabeto em latim.

Acredito em pessoas. Acredito em exceções. Acredito em minorias, acredito até, vejam vocês, em mim mesmo. Pode isso? Pois já cheguei à desfaçatez de acreditar em alguns políticos. Vejam só que já acreditei em Lula, minha Virgem Nossa Senhora dos idiotas… Saibam que já acreditei em Mercadante, em sindicatos. Já cheguei a acreditar nos Titãs, e eles mandaram uma bela regravação do Roberrrrrto… Pasmem, acreditei até que a Cb 450 que comprei de um respeitável pai de família não fosse estourar o motor em 3 semanas de uso. Dá mesmo pra acreditar num sujeito desses?

Pois, mania minha, ninguém me ensinou ou mandou, eu sempre acredito que aquele cara pode fazer bem, que não irá me prejudicar, que não irá me enganar, não irá descumprir sua palavra. Via de regra eu tomo atrás, sem lubrificante, de preferência com areia ou pedras.

Vejam vocês que há poucas semanas cheguei a comentar com um colega de trabalho que o Gabeira, embora pouco produtivo ou sem poder de convencimento popular, era um dos poucos políticos que eu tinha certeza que não agia de forma irresponsável… Poucos dias depois assisto incrédulo à sua entrevista de pedido de desculpas pelas passagens usadas de maneira irregular.

É isso, amigo (se chegou até aqui é porque é amigo mesmo), pensam que eu parei? Nem adianta tentar me convencer, já aviso. Daqui a pouquinho vou defender mais alguém… Irremediavelmente eu caio em minha própria pegadinha e mando um belo e sonoro “Taí, esse cara é legal…”.

Um que está disputando posição em meus inúteis elogios é esse tal gordinho do Corinthians. Fico imaginando-o voando baixo no ano que vem, com a camisa alvi-negra, disputando e carregando a Taça Libertadores de 2010… Ok, aguardarei você recuperar o fôlego após o ataque de riso. Pronto, obrigado.

E quando os fatos convencerem-me de que errei de novo, soltarei o mais brasileiro dos subterfúgios: “Pois é, foi Deus quem quis assim”… Sou brasileiro…

Marcos Claudino, 39 anos, profissional de Recursos Humanos, sente saudades de quando tinha tempo para se dedicar mais a si mesmo e aos amigos, mas avisa que ainda não desistiu…

Marcos Claudino

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