Simplicíssimo

Agora vai?

São Paulo, 27 de novembro de 2006.

AGORA VAI?

Eis o desafio: Parar de consumir…

Certas coisas em nossa vida fazem-nos repensar nossos hábitos.

Já ouviu falar aquela velha retórica: Quanto mais se ganha, mais se gasta, e mais se deve. Pois é, comigo sempre foi assim. Nunca consegui comprar uma coisa, diríamos, de mais de duzentos reais, à vista. Por que? Ora, não guardei…

O cartão de crédito que o banco tão gentilmente cedeu sem anuidade teve seu limite estourado, acompanhado de novos pedidos de liberação de mais limites. Que me importa se tenho quatro jaquetas, se elas saíram de moda desde o último inverno? Serei, repito, serei obrigado a comprar mais umas três, pelo menos…

Na infância eu ganhava as calças jeans do irmão mais velho, já com dois anos de uso, e me contentava… Ah, mas a partir do primeiro salário, percebi que podia gastar não só o que eu ganhava, mas parcelar as compras em até dez vezes o que eu ganhava… Não era bom? Claro que, chegava um tempo, breve, em que precisava começar a pedir empréstimos a Deus e ao mundo, e o banco prontamente me concedia alguns valores, mediante claro a compra de algum produto do mesmo, uma capitalização, um seguro de vida, e afins.

Então fui estudar, fazer o que? Mas aí percebi que a faculdade também custava dinheiro, e eu voltava a me endividar. As rescisões vinham em boa hora. Pagava tudo, ficava sem débitos, e sem dinheiro até pra procurar outro emprego. Chegava o outro emprego, acostumado ao ritmo de degola do período de desemprego, e tinha a impressão que ganhava muito bem. Tão bem, que logo voltava a receber visitas de credores…

Mas, chega o dia em que o safado ouve a canção do Chico e resolve “ir trabalhar, vagabundo”. E vai, ou racha. Pois é, rachou.

Agora devo aprender a viver sem o costume de consumir. Ou me tomam a casa. No final das contas vai simplesmente ser uma dívida grande substituindo várias dívidas pequenas. Mas, ao menos o consumo aumentou de tamanho, e pode também ser chamado de investimento. Sabe que não é tão ruim?

Vem outra do Chico, provavelmente composta com outra finalidade, mas servindo bem: “… hoje eu tenho apenas uma pedra em meu peito… chego a mudar de calçada quando aparece uma flor (vitrine), e dou risada do (pro) grande amor, mentira…”.

E estarão todos convidados para o churrasco de inauguração do barraco, levando suas próprias cervejas, claro, porque não posso gastar…

Marcos Claudino, 37 anos, profissional de RH, tem a impressão que reclama demais, e não toma jeito…

Marcos Claudino

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