Simplicíssimo

Bem Aventurados os Sinceros, pois irão para o Inferno…

Tentei desistir, não consegui. O Borges até me provocou, mas nem assim. E olha que pra agüentar as provocações do Borges, só mesmo com Black-Brahmas demais, em falta na atualidade (o dinheiro, não a bebida).
 
Mas, enfim, não deu, a idéia ficou na cabeça. O texto estava quase pronto, apaguei, refiz, ei-lo:
 
Lá estava ela, cuidando de sua santa mãezinha, cantarolando para alegrar seus frios e pobres dias. Tarefa árdua cumprida com perfeição. Mamãe se foi, o tempo sobrou, e eis que a agora senhora decidiu inscrever-se. E de repente o mundo conheceu, num concurso de novos talentos, uma boa voz, que encantou o mundo.
 
Afora toda a teoria e lenda que rapidamente espalha-se pelos emaranhados virtuais de nossos dias, lá estava ela, encantando multidões com sua, repito, boa voz.
 
Foi para a final, dizem as línguas alheias que, desde antes, desdenhando dos demais finalistas. Perdeu para um grupo de dança, possivelmente muito bom. Repito, muito bom.
 
Desencantou alguns, desiludiu outros, mas já tem contrato assinado para gravar discos, dinheiro, fama, e uma clínica de recuperação de artistas estressados e frescos. Se já sumiu ou se voltará, não importa neste contexto.
 
Uma rápida explicação. Por que boa voz, e não fenomenal voz, sensacional voz, encantadora voz? Porque eu simplesmente acho apenas boa, estou em meu direito… Se a acho talentosa? Sim, claro, o suficiente para viver de seus talentos artísticos. Mas conheço melhores, conheço sim, muitos, posso?
 
Mas devo terminar, porque já os perturbei demais. E quem me conhece já imagina onde mesmo quero chegar.
 
Suzan Boyle encantou multidões, fez a Demmy Moore viajar para assistir à final, teve transmissão ao vivo para milhões de telespectadores no mundo todo por que mesmo?
 
Seria porque canta muito bem? Ou seria porque é feia demais para cantar tão bem? Haveria um único envolvido neste sucesso todo capaz de admitir o fato que a mim e a outros parece tão óbvio? Um dos juízes (valei-me os talentosos com juízes daqueles) teria coragem de não chorar se não encarasse sua feiúra ou, político-corretamente falando, encarasse seu visual pouco convencional?
 
Seria Suzan apenas e tão somente um resgate velado das multidões que continuam deturpando valores em prol da simples beleza exterior?
 
Nem sei. Mas o que sei, e isso vem de mim, é que ela é muito feia, e canta bem. Apenas bem, enquanto não me provar o contrário.
 
Fim, ou apenas o começo…
 
Marcos Claudino, 40 anos, profissional de Recursos Humanos, com medo dos próprios preconceitos, com medo do Inter de Porto Alegre, com saudade de muita gente.

Marcos Claudino

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