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Curtas e Loucas – O Retorno 2010

 

CURTAS E LOUCAS – O RETORNO
         Dentes, rosto, barba, roupas, elevador, padaria, café com leite, pão com manteiga, banca de jornal, seção de esportes, metrô, empresa, chefe, bronca, prazos, almoço sozinho, relatórios, prazos, chefe, bronca, metrô lotado, bar, pinga com limão, outra, outra, mais outra, só maissss uma, casa, esposa reclamando, faca, golpe, sangue, gritos, polícia, cadeia, morte.
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         Empolgada, finalmente um estágio. Último ano da faculdade de Direito. Valeu a festa dada pela família. Valeu a festa virtual com os amigos, a noite foi longa. Da recepção foi encaminhada à sala da presidência.
          – Sra. Mayara Petruso?
          – Sim, muito prazer…
          – O prazer é meu, Raimundo Nonato da Silva, será minha estagiária direta, quem sabe minha sucessora hein, bichinha?
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         No meio da noite ela levanta. Oração das duas da manhã, com o Padre Zezé, imperdível. Volta a deitar-se às três e vinte. Acorda às dez para as seis, missa na TV Nova Aparecida. Passa o dia entre as orações e o trabalho voluntário da igreja, cozinhando para o padre, agendando casamentos, batizados, ajeitando os bancos, orientando a faxineira. Chega em casa exausta, perto das vinte e três horas. Encontra o marido e as filhas se divertindo à frente da TV. Passa pela sala, dá um boa noite rápido e deita-se, orando para que Deus tenha piedade da família…
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         Aprovado o aporte financeiro. Depois de muita briga judicial e repercussão na imprensa, o BNDES convocou Senor Abravanel para a entrega da quantia solicitada. O idoso apresentador estranhou o local, um teatro desativado. Estacionou seu Lincon Branco com capota de couro e foi caminhando até o auditório, onde aguardou numa cadeira da primeira fila. Apareceu no palco Guido Mântega, com um enorme saco preto, jogando aviõezinhos de dinheiro na direção do empresário. A entrega demorou aproximadamente três dias…
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          – Próximo!
          – Bom dia, eis meu CV.
 – Pelo que percebi, o senhor tem dificuldade em permanecer no emprego.
 – Pois é, eu sempre que vejo uma oportunidade melhor, tento, não consigo me controlar…
          – Mas não dá nem um ano nos últimos três empregos…
          – Pois é, mas estou me tratando, vou melhorar.
          – Não sei, senhor Serra, não sei…
          – Mas Geraldo, você mesmo me apoiou…
          – Eu? Quem disse?
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FIM, MAS PODE NÃO SER…

Marcos Claudino

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