Simplicíssimo

O Roto Alimentado

           Meio dia e quatro. Bairro do Morumbi, São Paulo, Capital.

Lá estava ele. Sujo.
A camisa social era branca, ou melhor, já foi branca. Amarrotada e suja. Calça social larga demais para o corpo. Talvez porque tenha perdido peso rapidamente nos últimos tempos. Também suja. O cinto cumpria a função. Esgarçado. Sapatos pretos também surrados e sujos.
        Lá estava ele, agachado na calçada.
        Lá estava ele, uma escova de dentes na mão esquerda, que segurava o corpo curvado na guia da rua.
        Lá estava ele, pegando água da valeta com a concha da mão direita para enxaguar a boca.
        Sim, ele escovava os dentes na água da sarjeta.
        Terminou, levantou calmamente, percebeu meu olhar estranho e se foi.
        Graças a ele meu almoço foi mais barato, meu apetite diminuiu.
        Pensei nele a tarde inteira e finalmente fiquei feliz.
        Feliz porque, se ele escovava os dentes, só poderia significar que hoje conseguiu se alimentar, sabe-se lá como, ou quanto, ou o que…

Marcos Claudino

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