Simplicíssimo

Penso, Logo Desisto…

São Paulo, 24 de setembro de 2007.

PENSO, LOGO DESISTO…

Quando paro pra pensar nos retumbantes gritos por justiça, movimentos “cansei”, charges e editoriais que continuam rendendo boas vendas graças ao senador que traçou a gostosa, pagou pensões por meios escusos, ponho-me a pensar.
Penso que Agatha Christie teria material de sobra para uma série de mistérios sem solução. Vacas, laranjas, cervejas e bastardos misturados, não deixam de representar enredo riquíssimo para best-sellers garantidos.
Penso que Osvald de Souza aplicaria fórmulas matemáticas indecifráveis e não chegaria a conclusões plausíveis sobre como um resultado oficial que aponta 40 senadores favoráveis ao arquivamento, 35 pela cassação e 6 abstenções, e na saída da votação 43 senadores afirmam categoricamente que votaram pela cassação. A fuga das galinhas, parte II.
Penso que se a mídia quase nada direcionada tivesse dado o mesmo valor à filha bastarda de um renomado e respeitado internacionalmente ex-presidente, na época também senador, também não desse em nada, e os clamores seriam mais baixos, harmoniosos, e comparado a tantos outros que passam em branco sem repercussão alguma.
Penso no perigo de comparar este governo corrupto aos outros sem a devida reflexão de que, em algum momento, um minúsculo e retido momento, num local e hora sagrados, alguém, ou melhor, muitos, apertaram um número e uma tecla verde, que elegeu este, aquele, aqueles outros, e todos os demais que hoje gozam da nossa cara, exatamente como sempre o fizeram desde os tempos em que a caravela supostamente errou o caminho das índias, e comeu nossas índias.
Penso que, enquanto estivermos clamando por ética no governo e comprando CD´s piratas, cartas de motorista, jogando lixo no chão, urinando no poste, pulando carnaval e vendo futebol desesperadamente, esperando a oportunidade do Gugu, da Eliana, do Netinho, do Faustão, pagando nossa grata ajuda com lágrimas de audiência, estamos literalmente perdidos, porque sequer nos encontramos…
Penso que devemos nos salvar, nos redimir, pedir perdão e recomeçar do zero, ou melhor, recomeçar do negativo, antes que o eixo do planeta volte ao normal e jogue a todos nós, tortos, ao espaço sem fim…

Marcos Claudino, 38 anos, profissional de Recursos Humanos, acredita que só a cerveja cura, refresca, alivia e faz mijar, com prazer…

Marcos Claudino

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