Simplicíssimo

Há dias em que eu me sinto assim

Eu não sei o que dizer, por que dizer, como dizer. Há dias em que eu me sinto assim. Talvez sejam os vestígios de nuvens escuras a passarem sobre minha cabeça. Já não sou mais jovem e isso às vezes me preocupa. Tentei a vida inteira não me sentir um dia inseguro e instável. No entanto pressinto que as declarações de amor parecem fazer parte do passado. Assusta-me a possibilidade de eu esquecer de declarar meus sentimentos à mulher que amo, às pessoas de que gosto e que são parte de minha vida. Há dias em que eu me sinto assim. Desconfio do espelho, da idade, das rugas. Por isso chego a temer a indiferença de alguns jovens que sequer me conhecem, mas que passam por mim como se eu fosse ninguém. Sei que eles imaginam que eu só me alimento de produtos lights, que eu só como alfaces, que só penso em natureza e só queira falar do passado. Sou ignorado como se eu não pudesse fazer parte de suas existências, tirar suas dúvidas e ajudar-lhes a conhecer os caminhos da alegria.

Eu não sei o que dizer, por que dizer, como dizer. Mas desconfio dos dias que passam e que me separam cada vez mais da juventude, do sorriso fácil da garotada, da irreverência sadia, dos gestos malucos que só fazem lembrar minha mocidade. Essa meninada nem sabe que eu já não tenho vícios, dúvidas nem fortes paixões. Eles não imaginam que eu não ando mais à procura de amores perfeitos, não compreenderiam se eu lhes falasse da vida, dos desamores e das vezes em que eu já fui feliz. Minhas divagações parecem inúteis porque nenhum deles vai entender minha insatisfação. Os adolescentes nada entendem de passado, de saudade, de dor, nem do exaurir de um tempo que ficou definitivamente para trás. Penso que não saberiam compreender este meu sentimento de solidão, mesmo estando eu diante de todos eles. É que lhes falta a vivência que só o tempo se encarregará de lhes propiciar.

 
 

"Não entendo a vida sem os gestos de carinho entre pessoas que se querem bem, muito menos sem as necessárias atitudes e ações solidárias vindas até mesmo de pessoas que nunca se viram antes."

Luiz Maia
http://br.geocities.com/escritorluizmaia/
msn:
luiz-maia@hotmail.com
skipe: luizmaia1
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar", "Cânticos" e "À flor da pele". Recife-PE.

Luiz Maia

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