Simplicíssimo

O divã

Às vezes não nos sentimos bem e temos que procurar os serviços de um especialista, seja na área física ou da psique. Certa vez precisei fazer terapia, isso há mais de quinze anos. A terapeuta era uma das que seguiam os preceitos de Freud. Ela era de meia idade, circunspecta e "cronometricamente correta". Seria de todo inútil eu querer passar um só minuto além do tempo marcado, pois ela logo me ‘expulsava carinhosamente’ da sessão com um "até logo, meu querido". Antes assim. Adiante notei que a terapeuta era autoritária, intervencionista e que se imiscuía nos mínimos detalhes da minha vida. Desde então comecei a desconfiar dela… Um dia um amigo chegou a me perguntar se eu não me identificaria mais com a linha junguiana, mas ficou sem resposta. Eu saberia lá responder uma coisa dessa? Até então eu nunca lera nada sobre Freud e muito menos a respeito de Jung. Eu percebi que, nos tratamentos de problemas psicológicos, dá-se mesmo a impressão de que o paciente fica totalmente à mercê das ordens do psicólogo. Como deve ser complexa a relação paciente versus terapeuta! Eu me sentia exatamente desse jeito, refém dela. O tempo passou até o dia em que eu passei a compreender que naquele consultório não havia nada mais a fazer, nem caminhos por descobrir nem uma amiga para conversar. Certamente não havia mais motivos que me prendessem ali por mais tempo.

É claro que eu não posso deixar de reconhecer que evoluí muito naqueles anos, mas não demorou muito para eu largar tudo e seguir minha vida sem auxílios outros, a não ser os ensinamentos obtidos da própria vida. Ao longo dos últimos vinte anos, em que pude refazer minha vida, tive tempo bastante para repensar sobre aquela experiência. Não sei ao certo, mas sinto um pouco de constrangimento ao imaginar que existem pessoas que continuam para sempre dependentes desses procedimentos terapêuticos e que são incapazes de tomar decisões por si próprios. Sobre essa minha afirmação, talvez nem mesmo minha ex-psicóloga pudesse me entender, nem me retrucar, apesar de sua habitual lucidez. Posso apenas assegurar que nos tratamentos de problemas psicológicos é recomendável recorrer aos serviços de um terapeuta, psicólogo ou de um psiquiatra por ser uma questão extremamente complexa e que necessita do acompanhamento de um profissional ligado à área de saúde. Espero não mais precisar dos serviços desses profissionais, no entanto se um dia eu vier a necessitar não me farei de rogado em retornar ao primeiro divã que aparecer.

Luiz Maia
http://br.geocities.com/escritorluizmaia/
msn:
luiz-maia@hotmail.com
skipe: luizmaia1
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar", "Cânticos" e "À flor da pele". Recife-PE.
 
"Não entendo a vida sem os gestos de carinho entre pessoas que se querem bem, muito menos sem as necessárias atitudes e ações solidárias vindas até mesmo de pessoas que nunca se viram antes."

Luiz Maia

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