Grandes encrencas.

"Se eu tivesse achado por um segundo que isso acabaria assim, jamais teria cogitado a hipótese de acompanhar estes malucos" pensou ele rapidamente. Sua vida era tranqüila no vilarejo onde vivia não se destacaria dos demais aldeões se não fosse pela sua inteligência e astúcia

 

"Se eu tivesse achado por um segundo que isso acabaria assim, jamais teria cogitado a hipótese de acompanhar estes malucos" pensou ele rapidamente. Sua vida era tranqüila no vilarejo onde vivia não se
Destacaria dos demais aldeões se não fosse pela sua inteligência e astúcia além do trabalho que fazia: afiar e testar facas e espadas, na verdade ele apenas reformava armas velhas, mas em seu interesse em brandi-las contra o tronco de grandes árvores, o fez musculoso e hábil com a espada. Hábil contra árvores pelo menos!

Por conta de seus testes, acabou desenvolvendo uma habilidade peculiar para lidar com cada um dos diversos tipos de espadas, adagas e de vez em quando uma lança ou tridente. Conhecia o corte de cada uma e o jeito de desferir golpes eficientes, que às vezes partia troncos grossos como se fossem os gravetos que quebrava para fazer as fogueiras nas noites frias de inverno.

Era outono, as folhas estavam todas caiam no chão formando, na entrada da vila, uma espécie de tapete de retalhos com diversas tonalidades do marrom ressecado sob as grandes copas dos carvalhos.

A despeito da tranqüilidade em sua terra natal, o mais perto que já chegara de uma aventura, foi fazer negócio com os caçadores de tesouros, e todos eles de reputação duvidosa, formada pelas histórias ouvidas no Outeiro Dourado a taberna da vila. Agora se encontrava em companhia tão aprazível quanto estar na jaula de um urso, em meio, se não o próprio caçador de tesouros.

"Não há mais caminho de volta", alternou o pensamento do Tapete outonal com a preocupação de estar às portas do conhecido por aquelas bandas, Calabouço dos Ossos.
Era um grande portão de mogno do sul. Um tipo de madeira dura e enegrecida, muito usada pelos corsários para construir suas embarcações.
Ainda era possível ver marcas de antigas tentativas frustradas de romper o imponente portão, o qual não tombou diante de nenhum exército ou rei. Havia no imenso portão alguns crânios encravados e não havia nenhuma alça, ou ferrolho que fizesse com que o portão abrisse por fora. As dobradiças também não eram visíveis.
"Enfim chegamos". Abandonou definitivamente o assombro em forma de lembrança, não mais pensaria na já distante Vila dos Carvalhos, só queria buscar um lugar para recostar a cabeça e tentar dormir um pouco, havia sido dura a jornada, quinze dias a cavalo pelo vale, e mais três a pé na subida da montanha. Mal sabia ele que estava tudo por começar!

O seleto grupo era formado por todo tipo de homem, guerreiros, carregadores, escudeiros, arqueiros, e uns tipos estranhos de capa, de certo mesmo somente que nenhum era confiável, até agora ele não era capaz de se lembrar porque tinha aceitado embarcar nesta loucura. Mas não era este sua preocupação no momento, queria mesmo era dormir, dormiu.

Estava sendo uma noite agitada e mal dormida por causa do cansaço da subida. Além de acordar às vezes com um estalido da lenha verde que ardia

na fogueira improvisada ou uma gargalhada de algum dos outros homens, tivera de se retorcer para encaixar o corpo em uma posição onde as saliências do solo e as raízes não cutucassem suas costelas e as costas à medida que ia se mexendo.

Às vezes chegava a abrir o olho e numa visão embaçada, via pela luz bruxulear da fogueira, agora quase em brasas, os homens no turno da guarda enquanto os outros dormiam nas mesmas circunstancia em que ele se encontrava.

De súbito, num sobressalto foi acordado pelo que parecia ser um enorme grupo de seres os quais não teve tempo de identificar, pois ao dar conta do que ocorria, foi desacordado por uma forte pancada na cabeça. "Eu sabia que não deveria ter aceitado aquela proposta", pensou sentindo a pancada, pouco antes de cair desacordado.

…Não sei se continua…