Momentâneos poéticos cotidianos

Não há como encarar as coisas de maneira diferente.
(Pois se eu não estou mentindo quem está? – Ele é mentiroso, eu não minto!)
Os momentâneos, o fato é que eles estão sempre aí, basta ter a paciência de garimpá-los.

A vida pode ter poesia se você quiser.

Sem a menor responsabilidade
Basta afinar a sensibilidade
Eles estão aí todos os dias

Ponteiros parados nas
Prateleiras da relojoaria

Flores murcham aos
Poucos na floricultura

No paredão elevam-se janelas
Umas apagadas e outras não

O Sol surpreende a Força Coletiva
Na metade do caminho
E ao pôr-se não encontra ninguém em casa

Mendigo que acorda e prefere não
Se levantar vê a moça no Taier
A equilibrar-se no salto
Falando ao celular

E chove de repente se fazendo arco
Quebrando o cinza hediondo
E lá no fim há um pote de ouro
Ouro para aqueles que vêem
E vendo acreditam