O Ethos, a introdução, e coisas sobre as minhas angústias.

Ainda estou em busca do Ethos deste espaço que inadvertidamente cederam-me, no entanto, já fui capaz de algumas reflexões(Eu o gênio):
Quando me sento ao teclado, e penso, e escrevo, organizo um pouco esta bagunça que temos por dentro, pelo menos para que as idéias (dei esse nome) possam fazer fila para sair. Também percebi que quando coloco-me a escrever, não coloco-me a mim, e sim a outro

Ainda estou em busca do Ethos deste espaço que inadvertidamente cederam-me, no entanto, já fui capaz de algumas reflexões(Eu o gênio):
Quando me sento ao teclado, e penso, e escrevo, organizo um pouco esta bagunça que temos por dentro, pelo menos para que as idéias (dei esse nome) possam fazer fila para sair. Também percebi que quando coloco-me a escrever, não coloco-me a mim, e sim a outro personagem, que entre em cena e toma conta das ações. Não, não, digo aos entusiastas do espiritismo (ou o que quer que seja), de que não se trata de psicografia (ou o que quer que seja), respeito a todos, mas não se trata disso. O tal já existe em mim e só toma sua posição, já tem seu caráter o qual irá se mostrar (assim espero.)
O fato é que a busca deste Ethos nos levará (a nós? Não sei) a um interessante campear por terrenos inóspitos da (minha) impressão humana da terra, visão metropolitana, tão bem cantada na primeira metade do século passado.
Escolhi este nome para a coluna, pois nunca estamos sozinhos (lugar comum? Pode ser, mas como funciona!) vide Pinóquio, Jonas, Virgilio, Dante, ou Camões!
Sobre agradar, se me perguntassem, diria que não é minha primeira função por aqui, acho que minha ‘missão’ se inicia antes deste ponto, mas se fosse possível não me incomodaria com isso. E por aí vai…

 

Guerra

Isso aqui tá muito ruim. Desde que há muito tempo, desde que há anos o dia começou chuvoso e chumbo.
Como isso mexe com os humores, quase tão poderoso quanto a lua na maré. Aperto os dentes até me doer a cabeça. Vibrar de ódio, pensamentos fixos, olhar vidrado, vidrando mármore negro. Água fria, vento frio. Noite o dia todo.
Não vejo o fim, não há fim. Minha esperança.
Sobre e desce, passo firme, pernas bambas. Fome frio asco. Nada muito profundo, mas tudo com a marca d’água do vazio, do sem-sentido; guarda-chuva sem tecido. O lixo do homem.
Penso pensamentos descartáveis, descartáveis soldados rendidos. Trincheira cheia de cadáveres jovens – Inocentes? Nunca.
Sair de farda, sair da farda. Poucas, muito poucos estão armados, ou são preparados para enfrentar e estreitisse da garganta ou a acidez de saliva, e então morrem entrincheirados e jovens, inocentes jamais! Quem veste farda não é inocente, mesmo sendo, não é.
Coisas do noite-a-noite não são guerreiros, são obrigação, para isso é que estás aí.
Mas guerra é guerra, e quando o toque de recolher acolhe estes mimos, é hora de encarar, encarar o espelho. – Opressão? Não! Opressão eu como no café da manhã, isto é muito mais. Amassado como latinha, enlatado como sardinha, temperado com óleo, pó, e cinza-chumbo, prata suja, ouro velho. Meus pés estão molhados, olhos congelados, gelo de água suja, cinza-chumbo, prata suja, o ouro novo como o velho.
Enquanto falamos, soldados morrem, na boca para serem cuspidos, na trincheira, serão esquecidos, na garganta, engasgarão até a morte de seu autor. Este sim um inocente!