Uma cantiga

Não pretendo aqui dar aulas, ou algo que o valha, mas quero trazer à memória daqueles que um dia já viram, e apresentar para aqueles que não conhecem o trovadorismo. Movimento específico de Portugal na idade média, tem um grande valor histórico e literário, já que norteou vários movimentos posteriores. (Como toda linha histórica literária)

Não pretendo aqui dar aulas, ou algo que o valha, mas quero trazer à memória daqueles que um dia já viram, e apresentar para aqueles que não conhecem o trovadorismo. Movimento específico de Portugal na idade média, tem um grande valor histórico e literário, já que norteou vários movimentos posteriores. (Como toda linha histórica literária)

Estas letras eram acompanhadas por músicas e apresentadas por jograis à corte. O detalhe o qual não posso me furtar de destacar, é que o tratamento Senhor, à época, era exclusivamente masculino e usado para os senhores feudais, os donos de tudo e de todos no feudo. O trovador tomou a liberdade de usá-lo no feminino em sua cantiga para demonstrar seu estado de vassalagem à mulher amada, a principal característica do formalismo sentimental trovadoresco.

Em minha opinião, uma delícia:

Quando mi agora for’e me alongas
De vos, senhor, e nom poder veer
Esse vosso fremoso parecer
Quero vus ora por Deus perguntar

Senhor fremosa que farei enton?
Dized’ya coita do meu coraçon!

E dized-me em que vus fiz pesar
Por que mi-assi mandades ir morrer?
Ca me mandasde ir alhur viver?
E pois m’eu for e me sem vos achar,

Senhor fremosa que farei enton?
Dized’ya coita do meu coraçon!

E non sei eu côo possa morar
U non vri’vos, que me fez Deus querer
Bem, por meu mal; por em quero saber:
E quando vus non vir , nem vus falar,
 
Senhor fremosa que farei enton?
Dized’ya coita do meu coraçon!

Nuno Fernandes Torneol (meados do século XIII)