no tribunal

– a primeira testemunha apresente-se, por favor – pediu o juiz. (feitas as formalidades a testemunha se senta) – diga o que a senhora ouviu naquele dia – solicita.

– a primeira testemunha apresente-se, por favor – pediu o juiz.

(feitas as formalidades a testemunha se senta)

– diga o que a senhora ouviu naquele dia – solicita.

– pois não, doutor juiz. Então, eu sou vizinha deles, moro no apartamento ao lado. Bom, eu estava passando quando ouvi barulhos e resolvi escutar melhor, porque me assustei pensando que tivesse acontecendo algum assalto, o senhor sabe: hoje em dia…

– minha senhora, pode ser mais lacônica possível, para não perdermos tempo?

– la… lacô… o que, doutor??

– Seja mais "objetiva", minha senhora – cuspiu o juiz.

– ah, sim, senhor doutor, então… eu grudei meus ouvidos na parede e ouvi ele dizendo para ela: “por favor, eu só quero a mala, pela última vez, pegar minhas roupas; depois disso vou embora e você nunca mais me verá” e ela falava “isso não! Você irá embora sem isso” e ele dizia “por favor eu preciso muito… a mala e vou embora” , e ela “ eu já disse que não! se depender de mim, não… isso não!”, e ele falou “olha, eu não quero brigar, me deixe a mala (mais irado) ou não verá nossa filha mais!, aí ela falou “está bem, darei o que você pede, mas não me separe da nossa filha!”…

– está bem – corta o juiz – já chega; outra testemunha.

(feitas as formalidades a outra testemunha se senta)

– diga o que a senhora ouviu naquele dia – solicita novamente o juiz.

– pois não, doutor juiz. Então, eu sou vizinha deles, moro no apartamento ao lado. Bom, eu estava passando quando ouvi sussurros e resolvi grudar meus ouvidos porque me assustei pensando que tivesse acontecendo algum assalto, porque hoje em dia o senhor sabe…

– ah não, de novo ?!? pode ser mais lacônica possível, para não perdermos tempo?

– la… lacô… o que, doutor??

– Seja mais "objetiva", minha senhora – vociferou o juiz.

– ah, sim, senhor doutor, então… eu grudei meus ouvidos na parede e ouvi ele dizendo para ela: “por favor, eu só quero amá-la, pegar minhas roupas; depois disso vou embora e você nunca mais me verá” e ela falava “isso não! Você irá embora sem isso” e ele dizia “por favor eu preciso muito… amá-la e vou embora” , e ela “ eu já disse que não! se depender de mim, não… isso não!”, e ele falou “olha, eu não quero brigar, me deixe amá-la (mais irado) ou não verá nossa filha mais!, aí ela falou “está bem, darei o que você pede, mas não me separe da nossa filha!”…

– já chega, minha senhora, pode ir para o seu lugar. Senhores, diante dessas palavras testemunhais eu declaro que o senhor (aponta para o marido) devolva sua mala, refaça-se com sua esposa e passe a amá-la mais. E quanto à senhora (aponta para a esposa) trate de esconder a tal mala para que não haja recaídas do seu marido para ir embora e trate de ser feliz com sua filha e seu marido, pois percebi nesta audiência como ele olhava para a senhora e a senhora para ele: ele quer muito amá-la!! Caso encerrado!!