Chuva de outono

Não admitia nenhuma estação diferente daquelas duas. Para ele tudo se resumia a inverno e verão. Parou extasiado, pois tinha uma visão incomum: aqueles olhos brilhavam de tal forma que viajou dali. Se via contemplando um céu ensolarado digno de um quadro, pensava não contemplá-lo sozinho, isso o mantinha firme, passaria anos ali parado, era o que bastava. Sem entender foi surpreendido: alguns pingos caiam em seus braços.

Não admitia nenhuma estação diferente daquelas duas. Para ele tudo se resumia a inverno e verão. Parou extasiado, pois tinha uma visão incomum: aqueles olhos brilhavam de tal forma que viajou dali. Se via contemplando um céu ensolarado digno de um quadro, pensava não contemplá-lo sozinho, isso o mantinha firme, passaria anos ali parado, era o que bastava. Sem entender foi surpreendido: alguns pingos caiam em seus braços. Como podiam? O céu estava lindíssimo há segundos atrás. Não ligava, continuava, então notou que acordara daquele sonho que mesmo em pé o tomara. Procurou pelos lados e já não via mais aqueles olhos. Sem saber correu desesperado até avistar um senhor que parecia observá-lo. Então perguntou:
—Meu Senhor, está ai há muito tempo?
Aquele senhor já com certa idade e cachimbo na mão respondia com um semblante bem ranzinza no rosto:
—Estou sim, por quê?
O sonhador desesperado, agora mais desesperado que sonhador respondeu com outra pergunta:
—O Senhor não viu mais ninguém por aqui? Nem uma menina linda dos olhos mais lindos que já vi?
—Bem, vi sim. Assim que o tempo mudou, ela se foi. Tentou lhe alertar, mas algo como um transe parecia tomá-lo. Além disso, ela gritava que odiava o outono que sempre acabava com os planos dela.
Sem nunca prestar atenção a estações do ano, um surpreso sonhador perguntou:
—Não estamos no inverno?
—Não amigo, essa chuva foi de outono, o inverno deve vir pior ainda.