A vigília do eremita

Eu hoje acordei no fosco sorriso lunar, minguante que só. O pescoço em brando formigar. Madrugada curta para meu dia sem você. Esta guarita, um mundo para mim. O odor da grama cortada me alerta as narinas, não sou o único habitante desta terra erma, um vivente diurno há 

Eu hoje acordei no fosco sorriso lunar, minguante que só. O pescoço em brando formigar. Madrugada curta para meu dia sem você. Esta guarita, um mundo para mim. O odor da grama cortada me alerta as narinas, não sou o único habitante desta terra erma, um vivente diurno há de tê-la aparado. Lá bem longe, os contornos dos jovens na entrada do inferninho. Um carro passa, os pneus gritam e você ainda dorme tranquila, não sonha comigo. Vultos me circundam, saco a lanterna do cinto, espectros de você a ofuscar meu entorno. O feixe de luz unicamente me revela os soturnos olhos amarelos, filhos da treva que me visitam. Me pergunto se na hagiografia sobre mim, escreverão seu nome, ou serei o monge afeto aos felinos, que vem lamber o sabor da ponta dos meus dedos.