O jardim das camélias

– Você insiste em não virar a chave. Duas voltas é tudo que peço. Você trêmula das certezas, duvidosa de sua dádiva. Não nos negue nossas infindas noites acalentadas. O capacho de nossa porta criará raízes sob meus pés até que refloresçam seus frutos por mim.

 

– Você insiste em não virar a chave. Duas voltas é tudo que peço. Você trêmula das certezas, duvidosa de sua dádiva. Não nos negue nossas infindas noites acalentadas. O capacho de nossa porta criará raízes sob meus pés até que refloresçam seus frutos por mim.

– Você, Ulisses incrédulo do matrimônio, trilhe seu caminho de volta ao inferninho. Volte grande fornicador da Alameda Cabral, volte àquelas damas de desonra e seus aromas de incenso da Índia, perfumes florais e hálito de Marlboro vermelho e conhaque Presidente.

– Pois retornarei ao nosso ninho de lençóis Santista nem que para isso tenha que fazer deste quintal um imenso jardim de camélias. Jurarão juntas contra suas injúrias, todas – a mão entre a Bíblia e o rosário, duas lágrimas negras de maquiagem escorrida, cinta-liga roxa aparecendo por debaixo da saia – hão de declarar unissonantes jamais terem comigo dormido.