Cinzas

Quarta-feira de cinzas tem muito em comum com o nome. O dia está cinza. As cores das fantasias desbotaram. Os carros alegóricos estão quebrados, jogados em cantos obscuros. As pessoas estão cinzas, sem cor, sem apetite, sem vontade, sem tesão. Gastaram simplesmente…

São Paulo, 01 de março de 2006.


CINZAS


Quarta-feira de cinzas tem muito em comum com o nome. O dia está cinza. As cores das fantasias desbotaram. Os carros alegóricos estão quebrados, jogados em cantos obscuros. As pessoas estão cinzas, sem cor, sem apetite, sem vontade, sem tesão. Gastaram simplesmente…

Teremos alguns poucos meses antes da copa do mundo, que irá parar novamente o país. Sem nenhuma importância este fato, já que, se é para crescer 2,3% ao ano, não fará a menor diferença.

Enfim, minha cabeça está tão vazia quanto o clima das pessoas, embora o feriadão passado tenha grande utilidade no descanso mental tão necessário.

Sigo como meus parlamentares que, embora dia útil, e embora com não poucos projetos, leis e CPI´s a encaminhar, analisar, aprovar, ainda não chegaram. O Congresso está vazio, e esta semana deverá ficar dessa forma. Depois ouviremos nos jornais que, em vista do ano de eleições, não dará tempo para terminar qualquer das CPI´s em andamento.

Bom, já que o Lula não sabia, e continua afirmando que não existe mensalão, e já que a tão útil oposição insiste em afirmar que só houve mesmo corrupção neste governo, seguirei ao menos hoje fingindo que trabalho, ganhando desonestamente meu salário, às custas dos contribuintes paulistanos.

Peço que não digam nada a ninguém, ou digam, e punam-me, e destituam-me, pois, quem sabe, possa este infeliz funcionário público ocupante de cargo de confiança, servir de exemplo, ser usado como instrumento da revolta da população geral.

Na justificativa de minha demissão, terei o prazer de elucidar minha atitude, ou a falta dela: “Ora, meritíssimo, estou me guardando pra quando o próximo carnaval chegar”. Como se, em algum momento do ano, nesse final de mundo, em algum dia sequer, não houvesse carnaval…


Marcos Claudino.