Eu nunca vou te abandonar

Tá bom, então funciona assim… Você não paga suas obrigações trabalhistas e fiscais durante muito tempo. Esse “muito tempo” deve ser entendido como mais de duas décadas, no mínimo. Você deixa essa dívida avolumar-se até o ponto onde não é possível sequer negociar o abatimento dos juros, pois apenas este já é impagável. Tá bom, então funciona assim… Você não paga suas obrigações trabalhistas e fiscais durante muito tempo. Esse “muito tempo” deve ser entendido como mais de duas décadas, no mínimo. Você deixa essa dívida avolumar-se até o ponto onde não é possível sequer negociar o abatimento dos juros, pois apenas este já é impagável.

Sequer dá pra imaginar que quando falamos na previdência pública falida desde os tempos dos avós de Pelé, Pepe, Coutinho e Mengálvio, estamos falando da contribuição dessas entidades que movimentam quantias estratosféricas mês a mês, na contrapartida da evolução social, cultural e financeira da maioria esmagadora da população desse país muito, mas muito rico mesmo.

Enfim, agora temos a Timemania. Tendo como garoto propaganda o Pelé, este mesmo acima citado, quer dizer, citei o avô dele, o pai do Dondinho, mas entendemos, certo? O objetivo desta loteria é sanar as dívidas dos clubes de futebol. Não os pequenos clubes, como o Barras-PI, ou XIV de Julho de Piri-Piri, o Asa de Arapiraca. Estes, por incrível que pareça, dificilmente têm dívidas com a União, mas em compensação, seus jogadores e treinadores são obrigados a manter duas ou três profissões paralelas para exercer o amado futebol. Estamos falando dos monstros, grandes clubes, com raras exceções (se é que as há). Sim, a conversa é simples. Depois de se endividar por culpa exclusiva de suas próprias administrações corruptas, leia-se entidades particulares, associações desportivas independentes, vem o Governo Federal ajudar, criando uma outra modalidade de loteria que, diga-se pelo puro achismo, será amplamente divulgada e consumida, já que o assunto é de interesse de segurança nacional. Ou esse país viveria sem o esporte do povo, o eterno circo…

Então, chamando a todos os conhecidos e desconhecidos, amigos e inimigos mortais, parte este projeto de aprendiz de escritor falido a conclamá-los todos e mais alguns, muitos e milhões, a organizar uma carreata em direção ao Palácio do Planalto, falar com os “homi”, pois estamos bem endividados, e precisamos urgentemente de uma loteria, quem sabe a “besta-mania”, ou a “burro-mania”, ou quem sabe a “idiota-imbecil-estúpido-mania”. Sugestões serão bem aceitas, mas já adianto que não adiantará… Pois não conhecemos o Ricardo Teixeira, nem o Pelé (ou seria o Edson, entende?), nem o Lula nem sequer o Milton Neves.

Fiquem tranqüilos, quando não dá pra criar impostos, criam-se loterias, que não haveria problema algum de serem criadas. Bastaria que não comprássemos, não participássemos, mas aí já é pedir demais, né? Como viver sem ópio, sem circo, sem Benedito Rui Barbosa, sem BBB, sem o Timão (nunca vou te abandonar, lembrem-se)?

Esta escrita se auto-destruirá em cinco dias, horas, minutos ou segundos, mas o assunto não, este tem garantia de permanência de quantas eleições forem necessárias, porque nem é difícil convencer alguém por aqui.

E viva o Obama (amigo do Osama?). Seria divertido ver um presidente estadunidense negro e com o nome árabe…

É o fim, mas pode ser só a cabecinha (não tem ombro mesmo).