S.A.C. Parte II

Conforme prometido, segue a segunda parte do relato fictício do Serviço de Atendimento ao Cliente, trazendo a desforra da outra metade, fazendo um pouco de justiça neste mundo virtual…

S.A.C. – Parte II

– Alô, por favor, serviço de atendimento ao cliente.
– Um minuto, senhora, estamos transferindo a ligação…
– Teobaldo, boa noite, em que podemos ajudar?
– Boa noite Teobaldo. Gostaria de fazer uma reclamação quanto ao funcionamento do meu marido.
– Senhora, precisamos confirmar alguns dados para verificar se o marido é realmente o seu, ok?
– Ok…
– Nome, CPF, endereço, RG, data de nascimento, nome do pai, da mãe, do filho e do espírito santo, amém…
– Blá, blá, blá, blá, blá… (imagine que ela respondeu tudo)
– Ok, senhora, informações confirmadas. Qual o defeito apresentado?
– Bem, Teobaldo, parece que ele mudou um pouco, desde a data de compra… Está diferente…
– Bem, senhora, poderia fornecer maiores detalhes?
– Sabe o que é, acabei de renovar o contrato de um ano para vitalício. Acontece que, desde a assinatura do novo contrato, ele parece outra pessoa. Resolveu beber com os amigos até tarde, assiste futebol o domingo inteiro, esquece meu aniversário, larga roupas e toalhas no banheiro e no quarto, enfim, cheguei a pensar que havia sido trocado…
– Pois bem, senhora, o que acontece é que seu marido pulou de fase. Está no manual de instruções. Logo após a renovação, geralmente eles se sentem seguros, e tendem a voltar suas atenções para outras atividades típicas de sua configuração total.
– Mas a configuração normal não era a anterior? Como mudou?
– É um processo automático, senhora. Todas as características sempre estiveram lá. Ele apenas as reprimiu durante a fase periódica, e agora tem a necessidade de liberar as demais atividades guardadas.
– Quer dizer, Teobaldo, que a partir de agora ele será sempre assim?
– Não senhora, isso será só durante os próximos seis anos. A partir daí, haverá um equilíbrio natural, com alternações leves entre a primeira e a última versão.
– Olha, estou interessada em trocar meu plano… Quanto fica para mudar para o plano “marido ideal, dinheiro, sexo, atenção, carinho, dedicação e compreensão”?
– Lamento senhora, mas o cancelamento de seu plano atual “casada e ferrada lê lê lê” exige uma carência de um ano até a aquisição de outro plano. Além do mais, o plano “marido ideal, dinheiro, sexo, atenção, carinho, dedicação e compreensão” apresentou muitos problemas técnicos, com os espécimes mudando suas opções sexuais em alguns anos. Eles apaixonavam-se por produtos similares, e não conseguíamos retornar à configuração original…
– Quer dizer que terei que conviver com esse traste o resto da vida, ou então ficar um ano chupando dedo?
– Exatamente senhora. Mais alguma informação que possamos fornecer?
– Sim, quanto fica se eu destruir este?
– Olha senhora, não recomendamos esta opção, por trazer alguns problemas interpretativos nas cláusulas adicionais, aquelas linhas pequenas do contrato, entende?
– …
– Alô, senhora, alguém na linha?
– …
A proprietária passou com um trator sobre o produto, destruindo-o completamente. Mudou-se, trocou de identidade, de emprego e de cidade. Comprou um modelo “adolescente tarado”, com prazo de troca do produto a cada cinco anos, e hoje vive feliz, num lugarejo distante, rodeada pela inveja das amigas, portadoras do plano “casada e ferrada lê lê lê”, vitalício, claro…