A Mente em função do Corpo

Na semana passada tentei demonstrar que todo o corpo existiria apenas como substrato à mente e, mais, que na verdade se existisse um deus nada existiria de fato. Mas, depois pensei que, por outro lado, pode haver mais de uma forma de se ver a questão e que talvez a coisa seja mais “orgânica”. Parece ser possível crer que o que ocorra seja justamente o contrário.

A MENTE EM FUNÇÃO DO CORPO

Na semana passada tentei demonstrar que todo o corpo existiria apenas como substrato à mente e, mais, que na verdade se existisse um deus nada existiria de fato. Mas, depois pensei que, por outro lado, pode haver mais de uma forma de se ver a questão e que talvez a coisa seja mais “orgânica”. Parece ser possível crer que o que ocorra seja justamente o contrário. Ou seja, o cérebro, e por conseqüência a mente, é que estão a serviço do corpo, mais precisamente dos intestinos. Mantê-los cheios pode ser a finalidade de todo o aparato corporal de qualquer espécie viva sobre a Terra.

Enchemos nossos intestinos e eles novamente acabam vazios, devido a uma aparente ineficiência natural. Com isso, nosso cérebro recebe a mensagem sensorial de que devemos enchê-los novamente. O órgão pensante analisa, calcula e comanda as atividades dos membros superiores e inferiores com o objetivo de providenciar os meios que levem o restante dos órgãos a termo.

Quanto a não existirmos, são os intestinos que nos dão a noção de nossa existência efetiva, pois ao serem esvaziados deixam vestígios indeléveis de sua passagem. Ora, o estrume não é algo abstrato, como pode ser facilmente comprovado por qualquer de nossos sentidos. Sendo então nosso esterco concreto, por certo nós, da mesma forma, devemos sê-lo também, pois não há como extrair-se de um abstato um concreto.

A concretude pressupõe a existência ontológica da coisa, ou seja, em si mesma, independentemente da continuidade de quem (ou do que) a gere. É claro que nossa porcaria tem existência própria, já que pode permanecer, mesmo que nós, os geradores, desapareçamos.

Então, aquela aparente ineficiência intestinal presta-se ao fim de demarcar a efetiva existência do ser concreto.

Fica evidente que existimos, somos concretos e provavelmente gerados por um sistema ainda maior, também concreto, que, da mesma forma, luta para manter seus intestinos abastecidos e cheios.