Absurdo

Estou, há nem sei quanto tempo, aqui olhando o cursor piscando na tela do micro.

Também não sei quanta coisa passou pela cabeça nesse tempo. Nenhuma certeza, só a de que foi mesmo muita coisa.

Uma delas é que, neste exato momento (enquanto estas letras vão surgindo aqui, enquanto o Dream Theater, em um desempenho impecável e exclusivo meu,

ABSURDO

Estou, há nem sei quanto tempo, aqui olhando o cursor piscando na tela do micro.

Também não sei quanta coisa passou pela cabeça nesse tempo. Nenhuma certeza, só a de que foi mesmo muita coisa.

Uma delas é que, neste exato momento (enquanto estas letras vão surgindo aqui, enquanto o Dream Theater, em um desempenho impecável e exclusivo meu, rola sobre tudo o que a vida ali de fora me dedica, enquanto você pacientemente deseja-me mais sorte na próxima, enquanto tantas realidades etéreas passam em meu mundo turbulento e surreal), em tantas partes da realidade externa (essa que é aceita como a única “real” e “verdadeira”) há tanta morte e destruição (em todos os níveis e sentidos possíveis) a troco de nada, a troco de alguma coisa que se aceita como “real” e “verdadeira”.

Não vou ficar de discurso piegas, porque detesto essa gente hipócrita que se promove às custas da miséria alheia; mas, não posso negar um profundo sentimento de inutilidade. Não consigo conter a idéia de que sou tão detestável quanto essa gente que detesto.

Além da dúvida quanto à minha “qualidade”, lá vem mais uma: existe absurdo maior do que este mundo? Isso tudo não é mesmo um grande absurdo?

Quase que imediatamente surge uma terceira questão: e eu, nesse meio?

Sinto-me como se, enquanto tanta sandice está acontecendo, estivesse aqui apenas (e tranqüilamente) “jogando milho aos pombos”.