Meias-verdades

Já soube, e li ou assisti, muitas matérias e documentários sobre o sucesso a partir de muito trabalho e dedicação. E é sempre o mesmo enredo, mostrando os “batalhadores” que saíram de uma condição de “perdedores” (termo preferido pelos donos do mundo) para “vencedores”.

Já soube, e li ou assisti, muitas matérias e documentários sobre o sucesso a partir de muito trabalho e dedicação. E é sempre o mesmo enredo, mostrando os “batalhadores” que saíram de uma condição de “perdedores” (termo preferido pelos donos do mundo) para “vencedores”.

Mas, até hoje, não soube de uma única matéria mostrando os milhares, quem sabe milhões, que tentaram com todas as suas forças e não conseguiram nada além da ruína. Enquanto isso, os “vencedores” não passam de uma meia-dúzia por edição (não haveria mesmo como manter no ar um especial semanal só com “vencedores”…).

Faz-se acreditar que todo aquele que trabalhar muito (e, portanto, questionar pouco) poderá conquistar a tranqüilidade financeira (quem sabe até a independência — mas que xila é essa de “independência financeira”?), ao mesmo tempo em que se passa, subliminarmente, a idéia de que quem está na pior é porque não se esforça, é preguiçoso. Então, todos põem-se a trabalhar mais e a questionar menos, em busca de um tal “sucesso” (ter “sucesso” é dispor de um bom montante que garanta a participação no mercado consumidor ou é estar em paz consigo mesmo e com seus próximos?), guiados cegamente por esse objetivo.

Isso parece parte de uma doutrinação.

Em meio à luta encarniçada que se estabelece em busca do “sucesso” (já que nem todos poderão alcançá-lo — para que um vença, muitos devem perder), não se podem escutar as gargalhadas diabólicas por detrás das colinas…