O Fórum Social Mundial e o PT

Não é apenas boataria não. Por incrível que pareça, ilustres de todos os lados começam a pipocar com a idéia de retirar de Porto Alegre a condição de sede do Fórum Social Mundial. E parece não haver vermelhidão alguma em suas faces com tão escandalosa idéia. Pior, deixam claro que o motivo é não ter mais o PT como o partido de poder na capital gaúcha. É por esse caminho que se manifestam as instituições do MST, CUT e Não é apenas boataria não. Por incrível que pareça, ilustres de todos os lados começam a pipocar com a idéia de retirar de Porto Alegre a condição de sede do Fórum Social Mundial. E parece não haver vermelhidão alguma em suas faces com tão escandalosa idéia. Pior, deixam claro que o motivo é não ter mais o PT como o partido de poder na capital gaúcha. É por esse caminho que se manifestam as instituições do MST, CUT e UNE, reforçando assim seu incontestável vínculo político e toda uma trajetória de inconcebível parcialidade enquanto movimentos sociais ou “do povo”. Este tão vergonhoso posicionamento que atordoa a minha alma apartidária e desperta minha fúria democrática, sem dúvida terá como repercussão o aumento da rejeição nacional a este declarado partido esquerdista. Impossível considerar de outra forma. Parece que o recado do povo nestas últimas eleições nas grandes cidades brasileiras não foi entendido. Se o foi, devo imaginar que trata-se de algo que gira em torno de prepotência e arrogância tal postura do PT. Algo que você já deve ter lido em “A Revolta dos Bichos” e que impede a visão de um evento de cunho transformador que também possa ser em si modificável.

E de repente então, essa idéia absurda de estruturas rígidas e mentes inflexíveis começa a reavivar certos medos e a nos mostrar que talvez não o fossem tão descabidos assim. Quem já não ouviu algo do tipo “se eles assumirem, tomarão conta do que é seu, terás que repartir com eles”. Pois o PT parece se adonar indevidamente do que é meu, seu, nosso. Do que é do povo e então, em última (ou primeiríssima) análise, do que é social. Reforça aliás, a postura dos petistas mais militantes nas rodas em que discuto política, entre um copo de chopp ou um passeio pelo verde. “Nós é que somos os bons, os que se interessam pelas minorias, pelo social, que lemos livros-cabeça, que passeamos pela Cidade Baixa e escutamos a música alternativa”. Eles, somente eles. Não ouse outra sigla apoiar os movimentos “dos sem” e muito menos ousem seguir com o orçamento participativo sem pagar os devidos royalties (se é que me permitem usar algum americanismo em tempos de globalização) para a “turma do Lula lá”.

E então a essa altura você já deve estar com receio de algum regime autoritário ou pensar que a democracia serve enquanto a eles serve, uma vez que assumem que o Fórum, não sendo mais uma vitrine do PT, porque as contingências sociais (evolutivas ou não) assim o fizeram, não tem mais sentido em aqui existir. Imagino que deva você estar pelo menos refletindo a respeito de tudo o que acreditou até agora, seja para um lado ou para o outro. Ou, quem sabe, sendo um deles, siga sentindo que está no seu direito tirar o meu direito, já que não há contentamento em ser você apenas um esquerdo. Pois fica assim estabelecido por eles, que o Fórum Social Mundial de Porto Alegre não é mais Social, nem Mundial e quizás ainda possa ser chamado de Fórum, uma vez que terá neste cantinho do mundo um porto muito triste.