O PT, o Lula e Você – Prá que lado afinal?

Pôxa, é verdade e tenho que admitir: votei no Collor com medo do Lula mudar muita coisa no governo, sabe como é, meter o dedo que ele não tem onde não devia. Na verdade, os cerca de 35 mil brasileiros que votaram nele (42,75% do povo) são objetos raros de se encontrar por aí. Estão sumidos por não estarem assumidos. Também era minha (e de todo brasileiro) primeira eleição direta, eu nunca tinha feito isso na vida, jet-ski é o maior barato

Pôxa, é verdade e tenho que admitir: votei no Collor com medo do Lula mudar muita coisa no governo, sabe como é, meter o dedo que ele não tem onde não devia. Na verdade, os cerca de 35 mil brasileiros que votaram nele (42,75% do povo) são objetos raros de se encontrar por aí. Estão sumidos por não estarem assumidos. Também era minha (e de todo brasileiro) primeira eleição direta, eu nunca tinha feito isso na vida, jet-ski é o maior barato e blá, blá, blá. Mas deixemos a vergonha de lado com a célebre “honni soi qui mal y pense” (alguém por favor me ajude a escrever isso direito!).

Anos mais tarde e, finalmente eleito, agora com as expectativas populares de mudança, Lula conseguiu construir tantas alianças de direita quanto necessárias para descaracterizar sua canhotice. Aliás, esse negócio de direita e esquerda é bem complicado. Sempre pensei que direita é aquele que está do lado de quem governa e esquerda a oposição. Isso faria bastante sentido numa democracia onde a maioria elege o dono que merece (alusões musicais ao Nei Lisboa) e são também os destros a maioria. Mas não é bem assim e achei um texto interessante sobre isso no Jornal Veritas , no site da Associação Cultural Montfort (que nem eu tinha ouvido falar antes). Em todo caso, acho que o Detran deveria providenciar algumas placas de “proibido converter à direita”, “escândalos proibidos à esquerda” ou coisas do gênero, para centrar definitivamente essa gente.

Mas enfim, com tantas voltas e reviravoltas, parece que andamos mesmo foi em círculo. Pouca coisa mudou, para lamento de alguns, de outros e do próprio presidente que vê seus amigos MSTistas seguirem numa ferrenha, impaciente e Fidelista batalha contra o governo que hay. Será que poderíamos pois, ter acelerado o processo político-democrático brasileiro elegendo Lula ainda em 1989? Não sei não. Todo processo é, por conceito, um processo. Precisa do antes para alcançar o agora e ter o depois. Éramos outros, diferentes dos que agora somos, mesmo que iguais a antes. Um velho probleminha dialético, conhecido dos filósofos de plantão desde que Heráclito se meteu nessa canoa. E por falar em plantão, vou encerrando por aqui senão chego atrasado …