Rota Alterada (ou Discurso)

Ao construir a mansão da Barbie, os engenheiros não economizaram dinheiro. Televisões, videogames, computadores conectados com a Internet, geladeiras lotadas de guloseimas, sala de ginástica e piscina.Botaram até fliperamas e uma pista de boliche. Ah, quase ia esquecendo da sala de cinema em três dimensões com máquina de pipocas e refrigerante. Cuidaram de cada detalhe para que nada faltasse.

Ao construir a mansão da Barbie, os engenheiros não economizaram dinheiro. Televisões, videogames, computadores conectados com a Internet, geladeiras lotadas de guloseimas, sala de ginástica e piscina.Botaram até fliperamas e uma pista de boliche. Ah, quase ia esquecendo da sala de cinema em três dimensões com máquina de pipocas e refrigerante. Cuidaram de cada detalhe para que nada faltasse.

Mas eles esqueceram de Becky, a amiguinha paraplégica que anda numa cadeira de rodas. As portas da casa são estreitas. A nova boneca não pode entrar para se divertir com a turma, porque sua cadeira de rodas não passa no batente da porta. E, mesmo se passasse, ela só poderia ficar na sala. Pois no bilionário projeto arquitetônica da casa da Barbie, dispensaram elevadores e rampas, O acesso aos outros andares da mansão é feito através de escadarias.

O absurdo erro estratégico da fábrica de brinquedos que produz a boneca se tornou um exemplo de realidade de vida. ‘Becky é outra boneca que vai mostrar a riqueza e a diversidade que vemos no mundo de hoje.’ – disse uma gerente da indústria norte-americana produtora da boneca. Se era realismo o que eles queriam, foi justamente isso que conseguiram.

(adaptado do texto “Casa de Bonecas”, de Marcelo Starobinas, no livro “12 Faces do Preconceito”).

Mas não é preciso atravessar fronteiras para darmos de cara com o muro do preconceito. Todos temos os nossos. Umas vezes mais, outras menos aparentes. E não seria diferente com os velhos. Velhice passou a ser “3ª Idade”, “MelhorIdade”, “MaiorIdade”, e muitas outras modas por aí. Mas não deixou de ter velhos. Cada um do seu jeito, com a sua vida. Eles também não escapam e têm recebido as mais variadas denominações: ora são idosos, ora vovozinhos, ora velhinhos. Mas mudar o nome não elimina o preconceito, quando muito o faz migrar para outro substantivo.

Aliás, é no mesmo livro citado acima, no texto “Quem Gosta de Velho é Reumatismo”, que deparei-me com uma maravilhosa frase de Luiz Eugênio Gracez Leme: “O melhor combate ao preconceito é o exercício sistemático do respeito (…)”. Não creio que seja necessário dizer mais. Está tudo escrito nessas poucas palavras entre as aspas. E como é difícil realizarmos as coisas simples dessa vida, não? O negócio é seguir tentando. Só isso. O resto? O resto é discurso e não serve para muita coisa …