Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade mutatis mutandis, mas (quase) sempre às quartas...


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11/05/2005 - Edição número 127

Pequenas Criaturas na Estrada Para Lugar Nenhum


 
Editorial
Editorial
Rafael Luiz Reinehr
Prima Lettera

A Sociedade das Películas
Marlon Schirrmann

Poetikaos

Auto Análise
Fabricio Pessoa

Viva a Loura
Leonel B

Tirinha
Malvados
André Dahmer
Colunas

Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

O Mundo em Marcha!
Marcelo Adifa

Parafernália
Ibbas Filho
Utopias
Luiz Maia
Lifelines
Lenne
I-Racional
Pedro Volkmann
Liberdade Vigiada
Marcos Pedroso
Vale-Tudo
Bernardo W.K.
A Semana dos Quadrinhos - Um resumo mundial
Marko Ajdaric

 

Editorial
Rafael Luiz Reinehr

Guanina, Adenina, Timina, Timina, Adenina, Citosina, Adenina

Nem sempre temos inspiração para escrever. Às vezes, não temos vontade de escrever sobre aquele tema da moda, sobre o assunto polêmico ou sobre o que quer que seja.

Nessa hora, nos pegamos fitando ao largo, percebendo a pilha de blocos de rascunho à nossa direita; os livros enfileirados na estante, esperando que sua solidão seja encerrada com uma visita nossa; as revistas, os CDs, os papéis no lixo; um violão estático retribui o olhar, como se perguntasse:

-"O que está havendo com você? Cadê aquela sua energia de tempos atrás? Você trabalhou muito para ter cada um de nós, e agora, é isso que merecemos? Ficarmos de lado, jogados a um canto, esquecidos?"

Compromissos se avolumam, a vida adulta chega com toda força e tira nossas defesas. Chegamos a um tempo onde tudo parece se transformar na busca por uma pretensa "estabilidade".

Trabalhamos horas incontáveis no afã de encontrar um ponto no futuro onde poderíamos, se quiséssemos, nunca mais trabalhar; nossa situação econômica assim nos permitiria.

Passamos a ir dormir pensando no que fazer no dia seguinte, nos trabalhos e nos compromissos. Muitas vezes, esquecemos de dar toda atenção que aquela pessoa que se encontra ali, bem pertinho e que divide conosco nossas angústias, merece.

O assunto não termina. Vai, mas volta, como todos ciclos que permeiam a história deste sítio.

Vou citar aqui, pela terceira vez desde outubro de 2002, Gilles Deleuze: “Não sofremos de falta de comunicação, mas ao contrário, sofremos com todas as forças que nos obrigam a nos exprimir quando não temos grande coisa a dizer”.

E como na edição 63, de 19 de fevereiro de 2004, concluo, mais uma vez, sem medo de repetir algo que tem significado renovado nesta edição:

"Valeu Deleuzinho! Este é o Simplicíssimo um laboratório onde se misturam em uma panela de expressão tanto o resultado das forças sociais e culturais que nos estimulam a pensar, agir e escrever o que pensamos, agimos e escrevemos quanto os subversivos que vivem de explosões de espírito ou já souberam se desvencilhar em parte destas “forças poderosas” que nos “obrigam” exprimir algo que não mereceria ser dito. Aqui, abraçamos todos. E fodam-se os pseudo-intelectuais de plantão..."

Não parece que escrevi isso agorinha? Hummm... Muito bom olhar para trás e ver que os ideais continuam os mesmos, apesar das intempéries que só quem acompanha esta Nau desde o princípio pode se lembrar.

Aos novos escritores, poetas, contistas e cronistas deste Brasil varonil, um aviso: seus textos já foram lidos, selecionados e serão publicados a seu devido tempo. Nas últimas semanas temos tido um aumento significativo nas colaborações tanto em prosa como em poesia e já estamos pensado em uma forma de aumentar a publicação de ambas para que seus textos não demorem muito a serem publicados.

Novamente, fica a lembrança de que nas próximas semanas estaremos de cara nova. Novo layout, mais dinâmico e gostoso de navegar.

E aos pseudo-intelectuais de plantão... Não esqueçam da diversão!

Rafael Luiz Reinehr

PS: atentem para o belíssimo texto de Marlon Schirrmann, "A sociedade das Películas", que estréia nesta edição do Simplicíssimo.

A mediocridade do talento

"Quem entre nós não tem talento? Mesmo aqueles que nada têm, têm talento até os políticos - até os jornalistas... Fique pois dito de uma vez para sempre: quem me disser que eu tenho talento, ofende-me; quem me disser que sou um homem de talento, aflige-me.
Renego o vosso talento; despejo-o com os jornais na latrina. Falo-vos claro; para mim o talento não é senão o grau sublime da mediocridade. O talento é aquela forma superior de inteligência que todos podem compreender, apreciar e amar. O talento é aquela mistura saborosa de facilidade, de espírito, de lugares-comuns afectados, de filiteísmo um tanto brilhante que agrada às senhoras, aos professores, aos advogados, aos mundanos, às famosas pessoas cultas, em suma, a todos os que estão meio por meio entre o céu e a terra, entre o paraíso e o inferno, a igual distância da animalidade profunda e do gênio grande.
"

Giovanni Papini, em "Um homem liquidado"

citação retirada do Citador

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A sociedade das Películas
Marlon Schirrmann*

O mundo vive uma realidade que aos poucos vem aparecendo cada vez mais na mídia e aos olhos do cidadão. Tu já percebeste que cada vez mais as pessoas escondem-se? Pois bem, esta é a realidade perniciosa que bate todos os dias a nossa porta. Na década de 70 as pessoas saiam com a família para caminhar. Iam para a Saldanha Marinho tomar chimarrão e conversar com os amigos. Faziam questão de aparecer nas ruas para mostrar a sua liberdade de ir e vir. As pessoas ao passear cumprimentavam-se e passeavam tranqüilas, mesmo com o regime totalitarista imposto, elas ainda tinham uma certa liberdade. A liberdade, esta que me refiro, é a de poder ir e vir sem medo de ser reconhecido, ou melhor, de ser visto. Os carros que perambulam por estas bandas do século XXI tem suas janelas mais escuras e o que enxerga-se dentro deles são apenas vultos, na “sombra”. Proteção? Lógico, mas não do sol. Existe uma teoria que cada vez mais se enquadra a sociedade brasileira moderna. É a chamada “Teoria das janelas quebradas” ou broken windows theory que teve ótimos resultados na terrinha do Tio Sam. Seguindo uma breve explanação de seu fundamento, ela nos conta uma história abstrata: Em um bairro um menino atira uma pedra em uma janela de uma casa abandonada. Neste bairro moram “pessoas de família”, honradas e, ao qual as crianças jogam futebol na rua, tranqüilas. Que nostalgia. Destarte, o garoto quebra aquela janela. Depois de algum tempo a grama cresce, cada vez mais quebram-se janelas, a casa começa a perder a pintura e a atrair mendigos. Pessoas de má conduta rodeiam o local Torna-se sombria e com aspecto de “sujo”, mal cuidado . Os moradores do bairro já não sentem-se tão seguros neste e já não deixam mais os filhos brincarem de jogar futebol na rua. Temem os estranhos. Ficam com medo dos novos indivíduos que agora habitam aquela casa e tomam as ruas. Por fim os moradores, mudam-se dali. Quase todos. Procuram outro lugar mais tranqüilo para viver. Mais “seguro”, assim como era antes aquele bairro. Após alguns meses, pessoas que não se intimidam com esta situação de caos tomam o lugar dos antigos moradores. Essas pessoas socialmente não honradas, bêbados, tomam a rua, fanfarrões gritam na madrugada. Pois bem. Tornou-se um bairro de marginalizados. Logo, crimes acontecem diariamente neste bairro e a casa das janelas quebradas é, agora, um simples alojamento que representa o monumento do medo e da desordem. Tu irias morar neste lugar? Imagine-se. Pois bem, veja o seguinte, com um bairro assim, onde predomina o medo, logo espalhara o caos para outros pontos limítrofes deste bairro e por fim contaminará toda cidade. Segundo escrito pelo Promotor Daniel Sperb Rubin, “em 1982, o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminalista George Kelling, ambos americanos, publicaram na revista Atlantic Monthly um estudo em que, pela primeira vez, se estabelecia uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade. Naquele estudo, cujo título era The Police and Neiborghood Safety (A Policia e a Segurança da Comunidade), os autores usaram a imagem de janelas quebradas para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam, aos poucos, infiltrar-se numa comunidade, causando a sua decadência e a conseqüente queda da qualidade de vida”(1) . Parece exagero não? Pois é, olhe pela tua janela, sim, esta que ainda não esta quebrada, e perceba que teu vizinho não sai mais de casa. Que o teu carro tem películas e que na tua porta tem enormes grades com aqueles grandes cadeados. Em algumas casas cercas elétricas, cães ferozes e ainda, apesar de tudo, pessoas armadas até os dentes. Mas para quê? Proteger-se lógico! De quem? Aí vem o fundamento deste artigo. De quem? Com o passar dos minutos nos entocamos cada vez mais dentro de nossas casas, nos protegemos do que há lá fora. Os que habitam o tal bairro correm livres enquanto nossa segurança são os tais cadeados. Vivemos em uma continua psicose ao qual nos leva a uma neurose social, ou seja, um medo constante (estresse, nervosismo), o que muda e muito, nosso comportamento social. Com isso pessoas mais agressivas, menos humanas e mais descrentes nos pactos que na revolução francesa foram criados (pactos sociais), e que aquelas pessoas da década de 70 tanto lutaram para nos dar. A liberdade! Leis que mantêm uma sociedade e um Estado Democrático de Direito, por uma lei que constitui a ação das pessoas e do Estado, a tal de Constituição, proclamada no ano de 1988. Essa deixou claras as intenções do Estado e os rumos da nova sociedade que os antigos chamavam de utopia. Essa, a intenção, era e é a liberdade. Que liberdade. O barulho e a “anarquia” que ronda muitas noites de Santa Maria traduzem o desrespeito às condições de convivência em sociedade. O descaso com a policia e com o cidadão. Contravenções penais ou crimes considerados de pequeno valor social são praticados diariamente. As janelas quebram-se diariamente, e ninguém as conserta. Adiante quebram-se outras e outras. Bêbados tomam as ruas e algazarras tornam-se constantes. O próximo passo é introduzirmos sistemas bloqueadores de som em nossas janelas a fim de impedir que o som inoportuno da anarquia entre, para podermos dormir sossegados, e assim esquecer as algazarras que rondam adentram a madrugada.
Assim, confirmando o que tenho dito, nos enclausuramos mais ainda em nossa tocas. Somos agora os presos, presidiários ou prisioneiros que cumprem o regime nas próprias casas a fim de manter os delinqüentes pro lado de fora, longe do olhar. O delinqüente fica abaixo dos holofotes e nós no escuro e escondidos. O combate ao crime é o grande alvo das discussões no âmbito social, político e jurídico, mas o que é ressaltado são os crimes de grande amplitude, de grande ameaça social e as pequeninas janelas continuam quebradas e sendo quebradas. O que necessitamos é um maior enfoque às contravenções penais ou crimes de pequena repressão do Estado, esses que aos poucos geram crimes de maior dano social. Aqui não me refiro aos crimes de bagatela, como roubo de galinhas para o próprio sustento. Falo do descaso às regras de trânsito, do desrespeito a idosos em filas de banco, do relaxamento de imposições aos pedintes e ébrios que tomam algumas avenidas das cidades. Do barulho constante durante a noite. Enfim, da perturbação ao cidadão que merece a chamada paz, sossego.
O que ocorre atualmente é que tentam cortar os galhos de uma grande árvore chamada criminalidade, mas se esquecem que suas raízes cada dia criam mais profundidade e virilidade. Cada vez mais gera-se ramos e a cada galho cortado brota-se dois ou três mais espécies e formas de crimes. Um exemplo de repressão a estes crimes de contravenção ocorreu nos Estados Unidos, na cidade de Nova York, onde os policiais intensificaram suas atenções a pequenos crimes, como pular a roleta da estação de metrô para não pagar o mesmo. As estatísticas mostraram que após algumas semanas o metro teve uma grande redução de estupros, furtos de carteiras etc. Isso por que foi intensificado o trabalho nos pequenos crimes o que intimida os delinqüentes impedindo-os de cometer crimes de maior potencial ofensivo.
Nosso código penal adota o que chamamos de “Direito Penal Mínimo”. Sucintamente significa que apenas delitos que ferem os bens jurídicos de relevante valor ou necessários, como a vida, a propriedade etc. Como leciona Cezar Bitencourt, “o princípio da intervenção mínima, também conhecida como ultima ratio, orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a proteção de determinado bem jurídico ” e destarte cita o autor mencionado “se para o restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas civis ou administrativas, são estas que devem ser empregadas e não as penais”(2). Seria o sossego público, a paz social e o direito a segurança, direitos de relevância para o direito penal? Claro que sim, e apesar da inflação legislativa onde se aplica uma pena aos casos mais ridículos da vida, pequenos incidentes como as “janelas quebradas” ficam impunes e sem a atenção merecida. Em consideração final, proponho este tema a sociedade que como eu tem a utopia dos antigos incrustada na alma. A utopia da liberdade de ir e vir sem empecilhos e a utopia da paz social, da ordem e do progresso. Proponho sair da caverna que Platão mencionava em seu discurso intitulado “A caverna”, que contava a história de pessoas que viviam de costas para o fogo e para a entrada, podendo olhar apenas sombras, ate que alguém descobriu o exterior e percebeu que lá fora havia um mundo diferente do antes pensado. Devemos descobrir que vivemos em um mundo diferente das sombras, longe do escuro e perto da realidade, da liberdade.
Hoje no Brasil, convivemos com intoleráveis índices de criminalidade. O “bairro” está tomado
Tiremos as grades, os cadeados. Vamos para a luz e que os que vivem em casas abandonadas e com as “janelas quebradas” reduzam-se äs sombras. Vamos consertar os males criados e voltar ao bairro, aquele, nostálgico. Está é minha utopia. Sociedade, tiremos as películas.

“A desordem é, comprovadamente, fonte de criminalidade e deve ser rigorosamente combatida. O pensamento que se convencionou de chamar “Direito Penal Mínimo” peca ao considerar como dignos de proteção pela norma penal apenas condutas que configurem atos de violência grave exercida a pessoa, atuando portanto, apenas repressivamente, e não preventivamente em relação a criminalidade violenta. A norma penal deve proteger, também, aqueles bens cuja violação gera desordem, medo e, mais tarde, criminalidade”. Daniel Sperb Rubin, Promotor de Justiça do RS.

(1) RUBIN, Daniel Sperb. Artigo “Janelas Quebradas, Tolerância zero e Criminalidade”.

(2) BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Volume 1. Ed. Saraiva, pg 11.

*Marlon William Schirrmann,
Acadêmico do curso de Direito da ULBRA Santa Maria

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Auto Análise
Fabricio Pessôa


Comparando-me com alguma coisa
Como poderia me exemplificar?
Que características posso me dar?
Escuro como a caverna
Embaçado como a neblina
Transparente como água cristalina
Usado como a taverna
Vazio como o nada
Triste como o velório
Calmo, sereno, simplório
Sem graça como o escritório
Da velha e chata advogada.
Maltratado como escravo
Penitente como o pecador
Surrado pelo amor
Com alma cheia de dor
Flechado como o alvo
Burro, como o pateta
Insiste em amar
Sabendo que em nada vai dar
Sabendo que só vai piorar
Mas tenho que sofrer, sou poeta!


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Viva a Loura
Leonel B

Quando sinto
Já é domingo.
Visto uma sainha
Aquela blusa justinha
E saio direto:
- Tchau, vou ao Beto.
Cabelo cor de palha
(Meu charme não falha!)
O sapato de salto
Me deixa no alto
O corpo torneado,
Muito bronzeado,
Sempre malhado,
Com algum silicone
Justificando o nome.
E se há um oco
Vai muito reboco,
Sem contar a pintura,
Essa grande mistura
Como massa corrida
Que me deixa lisa
Como a Mona Lisa.
(Seja lá quem for
que de arte tenho horror
e nas colunas, na lista,
não consta essa bisca.)
Assim como o ar
Não me falte o Credicard
Menos ainda o celular
(Esse o número, só ligar.)
Nem a quinquilharia
Que carrego dia a dia,
Toda sempre dourada
Combinando com a pele plastificada.
Anéis, colares, pulseira,
Se exagero até piteira

E aquela tatuagem
Que me dá coragem
De mostrar o bumbum
Para qualquer um.
De conversa eu gosto
Mas também aposto
Em algum big brother
Ou no Harry Potter.
Adoro curtir a Xuxa
(Ela também é gaúcha)
E de muita leitura
Para ganhar cultura
E, quem sabe, as malas
Para a ilha de Caras.
Encerro esta parte
Do que aprecio na arte
Lendo o Alquimista
Desse grande artista
Que é genial
The best intelectual.
Aí está, sou assim,
E peço que gostem de mim
Pois é difícil pagar analista
Que só quer receber à vista.
(E esta pensão safada
que está sempre atrasada!)
Vivo bem, fora do mundo
E só me chateia, lá no fundo,
Quando o Macho Man na rua
Me cobiça e grita: - Perua!

Outono2003

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Malvados
André Dahmer


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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Vácuos Esparsos

A marmita na mão, sentado no paralelepípedo [palavra bonita] e os olhos perdidos em um futuro melhor. Olha pro lado e vê um encarte do zaffari. "Hum, dois e noventa e nove o yaculte. Quando tiver dinheiro, comprarei." Deolar remancha e acha que não vai comer o ovo; pergunta se eu quero. Não me faço de rogado.

****

Uma gola rulê muito, muito alta. Um vento - sim, talvez algum vento nos cabelos, porque vento nos cabelos sempre fica extremamente estiloso. Pode estar sentada em um café, embora soe um pouco burguês, mas um café me parece o cenário ideal para tais devaneios. O dono, e é sempre ele que atende, caminha até você e nesta hora você faz um gesto vago, sem parecer antipática ou coisa parecida, dando a entender que por enquanto não quer nada. Só ficar por ali e observar, um pouco. Só um pouco, ao menos por enquanto. Ele diz que tem pedir alguma coisa, não ligando para o seu silêncio e o seu ar de poeta sofredora com uma caneta bic com a tampa roída em uma mão eternamente suspensa. Você ainda tenta lançar um olhar que revele toda a amargura existente no seu coração enlevado, mas ele não liga muito e coloca o cardápio na sua frente.

****

Talvez alguns poucos momentos de isolamento e nada mais será preciso. Já terá a medida certa para julgar-se um pouco melhor e talvez possa tecer opiniões menos preconceituosas. Também, pouco importa. Não capta muito bem a ordem atual dos acontecimentos, mas se mantém, ainda assim, atento, os olhos vidrados e a respiração compassada. Limpa o sangue em toda a volta e titubeia entre lavar a faca na pia e levá-la consigo embrulhada em um jornal que serve de forro para a cama da cachorrinha Pequetita. Pequetita se manteve quietinha o tempo todo, e, para falar a verdade, não parecia a melhor amiga do homem. Continua estática a um canto, não se importando nem mesmo quando tem seu jornal retirado de baixo de si. Sobe para o sofá e ensaia uma volta em torno para afofar o lugar antes de cair em sono profundo. As luvas! Não sabe o que fazer com as luvas... Olha o quadro sobre o armário e se encanta com a menina ruiva de muitas sardas. Será que é filha? Talvez se sinta só... Poderá pensar nisto depois, mas por enquanto precisa ainda achar detergente no armário embaixo da pia.


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O Mundo em Marcha!
Marcelo Adifa

Veja e o Jornalismo Marrom

É desnecessário citar que a imprensa é um dos pilares de sustentação de qualquer sistema social ou governo. Aliado à estrutura oficial de formação educacional e à religião, a imprensa, e os grandes meios de comunicação que a formam podem gerar estabilidade a um governante ou provocar verdadeiro alvoroço. Obviamente, sabemos que aquela máxima que diz que a imprensa e a informação são imparciais não merece crédito algum. A mídia atende a interesses claros, de classe e posição social. Os jornais e TVs são feitos e dirigidos no sentido a gerar uma verdade aparente, direcionada à dados e inequívocos interesses. Ao longo da história pudemos ver como esse fenômeno funcionou: manifestações de milhares de estudantes contra a ditadura militar e que a Globo anunciava como festas no Rio e em São Paulo; o cerceamento a artistas e intelectuais de esquerda, o caso Collor de Mello, construído pelo fraudulento império de Roberto Marinho. Isso somente para citarmos alguns casos.

Nesta semana que passou, por mais uma vez, o verdadeiro jornalismo, feito por poucos, baseado na veracidade dos fatos (ou ao menos na contraposição de verdades supostas) foi ferido. A revista Veja, manchada de sangue marrom em seu conteúdo, despejou nas bancas do País uma edição com ataques sórdidos e vis ao governo de Hugo Chavéz na Venezuela. Publicou informações falsas e dados desatualizados ou inventados por alguma mente criativa (resta saber se americana ou brasileira). Veja sequer procurou ouvir adequadamente os representantes do governo deste País irmão para compor seu texto cheio de anacronismos e vulgaridades. Talvez nostálgica pela volta da ditadura que tanto a favoreceu Veja produziu um arremedo de matéria, cheia de anacronismos e boçalidades.

Não é de hoje que esse Semanário apresenta estes ataques àqueles que pensam de uma forma diferente da sua. Não há muito, num erro (proposital talvez) histórico, Veja arruinou a carreira do político gaúcho Ibsen Pinheiro; por muitos anos pendurou-se nos galões dos militares brasileiros e de sua ditadura inumana; flertou com torturadores e serviu a uma gama de propósitos estranhos ao jogo democrático.

Essa matéria sobre a Venezuela e sua principal liderança não foi diferente. Veja tem saudades da guerra fria e a sua maneira tenta reinaugurá-la. Não há dúvidas que esse semanário seja hoje a melhor revista americana editada em português.

Do que uma Veja é Capaz

Tínhamos programado há certo tempo uma atividade com o Cônsul-Geral da Venezuela, Sr. Jorge Luís Durán Centeno, pessoa das mais próximas a Chavéz, Capitão do Exército Venezuelano e Estadista de grande valia. Tendo fechado a impressão de convites, o agendamento de local, etc, eis que Veja ganha as ruas com essa matéria espúria sobre nosso vizinho. Pudemos observar claramente como a população local reagiu ao arremedo jornalístico de Veja. A comunidade venezuelana da região de Sorocaba (local onde seria realizada a atividade) ficou arredia, a UNISO (Universidade de Sorocaba) cancelou a cessão de seus auditórios (ela possui seis) sem explicações. E todos, absolutamente todos os auditórios da cidade, subitamente aparecerem alugados. Universidades, sindicatos, espaços públicos, todos nos cerraram as portas. De medo. Talvez para seguir as “vejaverdades” da vida. Mais mui bem, sou teimoso e iremos realizar a atividade com Duran nem que seja em minha casa.

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Parafernália
Ibbas Filho

Politicamente Correto

_ Oi, tudo... tudo... tudo ...?
_ Sim tudo... tudo... tudo. E você?
_ Também. Você viu o... o... o?
_ Ah sim, aquele teu amigo, o... o... o.
_ Isso!
_ Passou por aqui. Ele é... é ... é.
_ Aham, é... é... é. E onde ele foi?
_ Foi no ... no ... no.
_ Pôxa, no ... no ... no?
_ Isso mesmo. O que você queria com o... o... o?
_ Bater um papo sobre... sobre ... sobre.
_ Falei sobre ... sobre ... sobre, com a... a... a, que é... é... é.
_ Que legal eu acho a... a... a, uma... uma... uma.
_ Concordo com você. Bom vou indo na... na... na, que teremos um... um... um. Até mais.
_ Super! Não sabia que tinha... tinha... tinha, na... na... na... Bom, vou ver se acho o... o... o, na... na... na. Tchau!

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Utopias
Luiz Maia

Projeto Necessário

Parabéns à Câmara dos Deputados por aprovar o projeto de Lei de Biossegurança que libera pesquisa com células-tronco. A comunidade científica e a população comemoram o dia 2 de março de 2005, que entrará para a história simbolizando a libertação de pessoas deficientes, daquelas portadoras de doenças degenerativas como o diabetes, o mal de Parkinson, a esclerose múltipla, o mal de Alzenhaimer etc. Com o avanço da nova medicina regenerativa, há prenúncio de esperança no ar. O que não é concebível é uma decisão tão importante como essa ficarà mercê da boa vontade de parlamentares, que, em última análise, costumam legislar muito mais em causa própria do que a favor dos verdadeiros anseios da população. Desta vez a sociedade saiu vencedora porque prevaleceu a pressão sobre os deputados, mas se o projeto fosse arquivado, atendendo a pedidos da Igreja e de setores anacrônicos da sociedade, o que estaríamos comemorando hoje? Fica aqui o alerta para que todos nós sejamos partícipes das grandes decisões deste País.

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Luiz Maia

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Lifelines
Lenne

Cada dia que passa, mais um dia que passa...

Vou trocar você por outro absurdo. Vou trocar meu sonho por outra realidade. Vou deixar de lado meus conceitos. Vou trocar meus medos por palavras, meus olhares por decisões. Vou ignorar provocações, deixar de lado quem não me tolera. Vou te escrever, te ligar. Não pra ti. Vou fazer ver que ninguém é insubstituível. Que amores vão. E vão para sempre. E que amores não são nada mais que caprichos. Vou riscar nomes. Vou gravar outros. Outono. Não me provoquem hoje. Hoje não.

***

Hora de recomeçar. De esquecer. De retomar. Retomar velhos objetivos. Ir embora. Ir para não voltar, sem culpa, sem ressentimento. Somente ir. As vezes é preciso desistir. Hoje eu desisto. Hoje eu não quero. Hoje eu reaprendo respirar. Hoje eu risco teu nome. Hoje eu tento reencontrar outro caminho. Hoje eu recomeço. E volto para o mesmo ponto.

***

Cada dia um outro dia, algo vai acontecer. Seja o que for. Algo vai acontecer. Algo está acontecendo. Menos um dia, mais um dia. Você escolhe qual a melhor maneira de encarar. Você pode se esconder hoje. Pode fugir. Hoje. Não amanhã. Ninguém foge para sempre. Ou você pode colocar a cara para bater. Pode ir atrás do que você quer. Claro, a gente pode cair, e agente caí. Várias vezes. Mas ninguém aprende a se levantar se não cair. Viver sem desafios não é viver, é apenas contemplar. O que de vez em quando não é de todo o mal. De vez em quando. Se hoje é o dia, faça dele seu dia. Vá em frente. Não se esconda demais. Se não a gente acaba desaparecendo.

***

Parece que por um dia eu tenho outros olhos.
E esses olhos são os que me fazem continuar.


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I-Racional
Pedro Volkmann

Violentos Haikais 30/X

Deserto
Flor de cactus
linda, mas espinha

Faroeste 17/X

Olho para você
Não paro de enxergar
nem de te amar

Idéias

Quando pensamos em educação vem à tona uma série de perguntas difíceis de responder. Na verdade, algumas são impossíveis.
Como podemos saber o que cada um sabe?
A partir daí surgem os problemas. Para surpreender uma pessoa você deve entregar alguma coisa que ela não saiba, porém próxima o suficiente para que ela entenda. Esta distância é determinada pela capacidade autopoiética de cada indivíduo. Opa! Autopoiese! Do Varela e do Maturana.
No dia-a-dia isto se torna, ao mesmo tempo, simples e complicado. Você pode atribuir qualquer desentendimento intelectual ao fato da pessoa ter pouca ou nenhuma capacidade de reconstrução.
Porém isto não resolve nenhum problema prático, pois o fator crítico neste caso é chegar neste ponto, no ponto ideal de cada uma das pessoas com as quais você interage.
Como fazer isto se o conhecimento médio de cada pessoa é igual sempre. O detalhe é que alguns conhecem muito de coisas que outros desconhecem por completo.
Muito além de conhecimento, isto também tem relação com gostos e valores. Atingir as pessoas no ponto certo pode ser uma grande questão cultural.
Realmente, uma das principais ferramentas da cultura, a linguagem se inter-relaciona de forma contínua com a cultura. Além de uma não existir sem a outra, uma influencia a velocidade que a outra sofre mudanças.
Agora, ai que está o ponto onde eu quero chegar.
O que devemos para fazer para que a forma de pensar seja diferente é mudar a capacidade autopoiética de nossos interlocutores.
Mudando isto, mudamos a cultura e nosso mundo.
Não pense que estou com idéias megalomaníacas, não quero mudar o mundo, quero mudar apenas o meu mundo.

Ih! Estou de volta, cada vez mais e mais, de ré na contramão.

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Liberdade Vigiada
Marcos Pedroso

Breve.

O ruído intermitente brada

Acabou o brevíssimo momento

Quando começou já falava

Do termo e do desalento

Rápido como uma pestanejada

Instantâneo.

Fim sem meio, sem gosto

É assim não muda

Efêmero. O tempo de cobrir o rosto

Sentado. Cansado. Clamo ajuda

Sinto pesar. Na cabeceira um enrosco

Lamento.

Mas não. Hoje eu ficaria

Decidi não atender ao chamado

Decidi não acabou. Por dentro ria

Vitorioso & resolvido

Decidi mereço. Não me renderia

Minutos.

Dez momentos enfrentei

No ar refiz as agruras da batalha

Percebi era fraco, murmurei

A obrigação de andar no fio da navalha

Sentado, e ao espelho me aprumei

As ruas.

A sair sonhando com o entrar

Fraco vendido desiste cativo

Olhos embotados. O breve recostar

Boca amarga. Deixar o objetivo

Triste vou, mas, fico no altar

Multidão.

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Vale-Tudo
Bernardo W.K.

A paixão pela literatura. Mas desde o principio isso era pouco para que eu pudesse escrever algo que realmente mexesse com o poeta Gabo a ponto de receber uma resposta genuína do rapaz. Não quero aqui sessões de concordo e discordo por causa disso, quero algo um pouco maior. Na minha confessa ignorância, acredito que preciso conhecê-lo antes de botar um assunto na mesa. E foi vasculhando meus baús que achei algumas frases perdidas... Entenda como puder.

- As pessoas muito gordas só descobrem que são gordas o suficiente numa briga de família ou na morte.

- O meio é sempre a divisão de algo.

- Os pobres e os ricos se conhecem por família e vêem as leis como sugestões. A classe média não tem características especiais.

- “Na praia”
_ É assim que eles escrevem livro pai?
_ Só os mais pobres filhos.

- Censurar é ter vergonha do outro.

- A solidão feliz inveja.

- Pensar alto é transpor camadas cerebrais por adrenalina.

- As máquinas irão vencer quando finalmente não fizerem mais barulho.

- Imagine uma pipa no Japão medieval.

- Divulgar a arte é cagar para a sociedade.

- Se a polícia tem barcos, é porque devem existir ladrões do mar.

- Uma partida de futevôlei no século XVIII seria regida por uma orquestra. Se tivéssemos inventado esse esporte antes do balé, o que seria das mulheres?

- “Espírito”
_ Sou espírito! – E deu cambalhotas, fez gestos japoneses com a mão e me olhou no olho. Em mim.
_ Sou espírito! Eu sei a vida e os pensamentos de todo mundo.
Achei graça.
_ Sei que o diabo foi expulso do Céu! Sai daqui Satanás! Ele foi embora pra sempre.
_ Como sabe disso?
_ Mas olha aqui, eu sou esporte! Judô, Futebol e capoeira. Mas eu não bebo por causa do Diabo não, eu bebo é de Jesus.

- Os extremos estão condenados a sê-los. Os homens perfeitos sempre terão 1.80m.

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A Semana dos Quadrinhos.
                            Um resumo mundial

Marko Ajdaric

 

INTERNACIONAL

100 anos de Floyd Gottfredson. E 70 do Mickey definitivo

Floyd Gottfredson: o desenhista que deu a personalidade definitiva de Mickey, completou 100 anos nesta quinta-feira, dia 5. Para sorte de Mickey, Floyd Gottfredson entrou na Disney em abril de 1930, poucos meses após o próprio Walt Disney ter criado o personagem. A arte de Floyd nas tiras de Mickey foi tão marcante que do mês seguinte em diante, o personagem lhe foi confiado, Assim, em 5 de maio de 1930, no exato dia em que Floyd Gottfredson completava 30 anos, saía a primeira tira do personagem que rapidamente encantou o mundo. Gottfredson trabalhou até os 70 anos, embora nunca tivesse tido o direito de assinar as tiras, e faleceu em 1986. O centenário teria passado em branco não fosse um belo especial da editora alemã Ehapa, que rapidamente foi motivo para a imprensa da Alemanha dedicar belas matérias ao criador.

Almada: 266 fanzines na 8ª Feira Internacional

Depois de 4 anos, Almada realiza mais uma edição da Feira Internacional do Fanzine, a oitava. E o trabalho 'de formiguinha', quase invisível acabou sendo recompensado. A cidade portuguesa estará apreciando a maior reunião da produção independente de quadrinhos do mundo, de 13 a 21 de maio. Até o último informe oficial que recebemos, no dia 4, já haviam 266 títulos de fanzines confirmados na mostra, de 17 países, incluindo 86 edições brasileiras

Vale destacar uma sessão especial da Tertúlia BD de Lisboa, que acontecerá em meio ao evento. Até onde sabemos, a Tertúlia BD é, decerto em língua portuguesa e com muitas probabilidades de o ser no mundo, o maior centro de reuniões de fanzineiros. A livraria já sediou mais de 275 encontros de produtores independentes da Nona Arte.

Morreu Zeke Zekley

Aos 90 anos, morreu o tirista americano Zeke Zekley, que foi o auxiliar direto de George McManus na antológica série de Pafúncio (Bringing up Father), até a morte do criador da série, em 1954. Como o King Features Syndicate acabou não efetivando o esperado com o falecimento de McManus, escolhendo outro autor para seguir as tiras de Pafúncio, Zekley acabou criando sua própria série: Dud Dudley. Zekley ainda fundou a editora Sponsored Comics, e o registro que ficou de seus colegas é que foi um patrão melhor que a King Features...

O novo Capitão América

Uma nova safra do gibi do Capitão América está por vir, nos EUA. A Marvel confiou ao roteirista Ed Brubaker esta tarefa. Na primeira edição, teremos a presença do Caveira Vermelha... e mais não contamos para evitar tirar o sabor de leitores que não gostam de muitas antecipações.

Os indicados aos Prêmios Harvey 2005

Saiu a lista de indicados aos Prêmios Harvey (Harvey Awards), cuja entrega acontece em 11 de junho. Com a crescente participação do mainstream entre os indicados aos prêmios Eisner, a atenção especial que os Harvey tem é exatamente por conta de indicar os bons trabalhos que são realizados por quadrinhistas que não ocupam os maiores espaços da imprensa geral e especializada. Não que os nomes já reconhecidos por um público maior não figurem. Concorrem, este ano, Alejandro Jodorowsky, Art Spiegelman, Brad Meltzer, Brian Michael Bendis, Brian K. Vaughan, Humberto Ramos, Jeff Smith, Garry Trudeau, Neil Gaiman e Osamu Tezuka.

Entre os indicados, ressalvamos que o canadense Seth teve reconhecido seu trabalho não só pela monumental reedição completa das histórias de Charlie Brown e seus amigos em Peanuts, mas também pelo seu minimalista e quase artesanal 'Palookaville'.

Do ponto de vista das obras que ajudam o apreciador da Nona Arte a entender sua história e suas possibilidades, houve uma bela e justa série de indicações para Fantagraphics e Komikwerks.

Canadá: os vencedores do Shuster Awards

O prêmio aos melhores do ano nos quadrinhos do Canadá - uma homenagem a Joe Shuster, um dos criadores do Superman - revelou os vencedores de sua primeira edição.

As grandes vencedoras, no contexto geral, foram obras das grandes editoras americanas de super-heróis, o que evidencia a dependência do mercado de trabalho para os artistas canadenses. Como melhor editora canadense de HQs, foi indicada a Arcana Studios. Cerebus - de Dave Sim e Gerhard, que também concorre aos Harvey, ganhou um prêmio especial por seus 300 números, um recorde absoluto na HQ canadense.

Doug Wright Awards: o outro prêmio do Canadá

Uma boa 'briga' está lançada no Canadá, e o vencedor presumível é a arte sequencial. Um outro prêmio, menos comentado, também tem sua primeira edição em 2005. Homenageando Doug Wright, quadrinhista que foi o maior protagonista canadense de 1940 a 1980, o prêmio começa - com pés no chão - com apenas com 2 categorias, mas que mostram claramente a sua vocação: melhor talento emergente e melhor obra. Os vencedores serão anunciados no dia 28, durante o Toronto Comic Arts Festival. A lista de indicados tem um perfil muito diferente da dos Shusters, e privilegia a produção veiculada no Canadá.

De nenhum a 2 prêmios, é um avanço mais que considerável, e os debates comparativos entre as duas listas só fortalecem a compreensão real do potencial canadense na Nona Arte.

Condorito em espanhol nos EUA

O único personagem de quadrinhos da América do Sul a ser difundido nos EUA ganhou uma edição de 128 páginas, totalmente em espanhol. Em 'Condorito La Aventura Comienza', ele aparece com toda a turma, numa iniciativa da Rayo, editora especializada no público latino. O preço: 15 dólares.

A Planeta anuncia uma constelação

A Planeta DeAgostini anunciou já os títulos que serão lançados no Saló 2005, em Barcelona, que espera ter mais do que os 94.000 visitantes de 2004.

A extensa lista é de entusiasmar vários públicos: confira alguns dos autores incluídos: Marc Andreyko, Sergio Aragonés, Kyle Baker, Milton Caniff, Mark Millar, Muñoz e Sampayo, Fabian Nicienza, Alex Raymond, Charles Schultz, Sergio Toppi e Naoki Urasawa.

Apocalypse Nerd

Peter Bagge continua sendo um dos nomes mais ativos da cena independente, não só nos EUA como também na Europa. Depois de Hate, seu Apocalypse Nerd, começa a ser publicado pela Dark Horse. Trata-se de uma divertida série de tiras em que os atuais 'bem-sucedidos' se mostram completamente inúteis na sociedade que sobrevem de um apocalipse em que todos os bens de consumo desapareceram. Não só o tema é muito bem sacado como, segundo quem já leu, muito bem desenvolvido.

Fullmetal Alchemist, com full force

Além do 3º RPG para PS2, em andamento, e do filme recém lançado, Fullmetal Alchemist tem mais 3 destaques recentes: além de estar sempre entre os líderes de vendagem entre os mangás no Japão, a criação de Hiromu Arakawa chega a seu primeiro TP, nos EUA, com 192 páginas em preto e branco, a 10 dólares. A última novidade vem da editora japonesa Gakken, que anunciou o lançamento de um livro de 175 páginas que utiliza os personagens da série como apoio didático no aprendizado do idioma inglês.

Will Eisner no MoCCA

'Will Eisner: a Retrospective' é o nome da grade mostra que será aperta no MoCCA. Entre os originais que o grande centro nova-iorquino de difusão dos quadrinhos irá expor estão incluídos todos os originais de Spirit, desde 1947.

Por falar em Will Eisner, finalmente a maravilhosa montagem de 'Avenida Dropsie', peça idealizada por Felipe Hirsch inspirada em Dropsie Avenue foi notícia nos EUA, através do consultadíssimo The Beat.

Nuvole in Città: 2 meses de quadrinhos, em Bolonha

Bolonha leva a sério o título (um pouco auto-outorgado) de 'Capitale del Fumetto in Italia'. Até o dia 10 de junho, o evento 'Nuvole in Città' toma conta da cidade, por meio de várias manifestações, especialmente sessões de autógrafos de autores italianos e internacionais. A maior lição que o evento tem a ofertar para outras cidades é a enorme sinergia que garante o sucesso da iniciativa: além do governo municipal e regional, estão envolvidas as fumetterias, os estudantes de Belas Artes, as editoras e claro, os quadrinhistas. O bom destes eventos é que eles geram frutos imediatos e outros que esperamos noticiar daqui há 5, 10 ou 20 anos...

Sebastian X, o surfista da Humanoïdes

Sebastian X, de Michelangelo de la Neve e Stuart Immonen, anunciado em 2003, finalmente chegou às gibiterias de França, Bélgica, Suíça e do Québec, em abril, e contou não só com o entusiasmo dos bedeïstes mas também de revistas especializadas em surf. A trama está longe de ser um passeio pelas ondas. Michelangelo de la Neve criou um personagem ecologista que enfrenta uma das mais sórdidas corporações americanas: a indústria farmacêutica, personificada no reverendo Godstar. Um prato cheio para os trabalhos em planos abertos do canadense Stuart Immonen. Em entrevista ao uBC Fumetti, Michelangelo de la Neve não escondeu a sua satisfação em poder encontrar uma fórmula de apontar certos podres poderes atualmente intocáveis em sua pátria, a Itália.

Apesar do fim do acordo Humanoïdes Associés / DC, o surfista vai chegar aos EUA em breve, pela própria DC.

Sergio Toppi em livro

A Black Velvet Editrice publicou 'Sergio Toppi: Nero su Bianco con Eccezioni', que mostra a trajetória de um dos maiores mestres italianos vivos desde seu início no Corriere dei Piccoli até sua regular presença em publicações de vários países, passando por revistas como 'Linus' e Corto Maltese'. O livro tem 192 páginas e custa 15 euros.

Sins Entido, internacional

A Sins Entido está ampliando seu nome já consolidado com uma das casas independentes de referência na Espanha. Um título que projeta a casa nesta direção é a publicação de um volume de Fats Waller, do argentino Carlos Sampayo (Alack Sinner) e do italiano Igort, que versa sobre a vida do genial jazzman Fats Waller e sua época. Selos que são responsáveis pela edição do álbum em outros países dão conta de sua excelência: Coconino (Itália) e Casterman (França/Bélgica). O primeiro álbum foi definido como uma 'sinfonia' em quadrinhos, pelos resenhistas do sempre exigente BD Paradisio.

Nova minissérie de Hellboy

Em junho, Mike Mignola volta a publicar um gibi de Hellboy. O primeiro depois do sucesso que o personagem teve com o filme, em 2004. A mini, chamada The Island, tem como atrativo extra o anúncio da revelação de um segredo sobre Hellboy.

O novo da Bonelli

O primeiro dos 18 episódios (que tem o particular detalhe de ser ilustrado por Bruno Brindisi) de Brad Barron chegou às fumetterie de toda Itália na sexta-feira. Idealizada e escrita por Tito Faraci, um artista egresso da Disney, Brad Barron vai navegar entre a ficção científica, o faroeste ao melhor estilo da Bonelli e o drama existencial. O próprio Faraci garante que seu intento é realizar uma série no mais puro estilo bonelliano. Por falar em Sergio Bonelli, o principal nome da casa italiana já avisou que a Amazônia vai entrar no centro das histórias de Mister No. Principalmente, pelo lado humano.

Uma suite musical baseada em Tintin

Mats Lidstrom, violoncelista sueco residente em Londres, anunciou uma suite Tintin, dividida em várias peças, inspiradas na criação de Hergé. O CD da suite apresentara composições baseadas em diferentes aventuras de Tintin e seus amigos, como L'Ile Noire, L'Affaire Tournesol e - claro - Les Bijoux de la Castafiore. O palco para apresentação do CD, que conta com a aprovação da Fundação Moulinsart, é de gala: a Royal Academy of Music, na capital dos ingleses.

Enfim, os gibis de 75 cents da Alias

Os gibis de 75 cents da Alias Comics começam a chegar às gibiterias americanas no dia 11. O viés da safra é nitidamente comercial, na qual se misturam uma trama policial de Mike S. Miller (Deal with the Devil), que promete ser o trabalho de melhor qualidade entre as novidades a 'mangalóides, HQs de terror, mulheres bonitas e ação pura. O novo esforço editorial complementa e entrada em cena da Alias, que se apresentou ao público americano com o anúncio de XIII, o título que tornou a excelente dupla Jean van Hamme e William Vance um sucesso absoluto na Europa.

Mudanças no mercado francês

Na França, mais um golpe na editora Semic. Depois de perder os direitos de publicar quadrinhos da Marvel em 1997. A multinacional Panini vai passar a publicar os títulos da DC Comics na França. Os fãs não gostaram muito da mudança, pois o cuidado da Semic nos gibis e especais sempre foi digno de muitos aplausos. Quem teve direito a uma ótima notícia na semana foi a L'An 2. Segundo a própria editora, um acordo pelo qual a Actes Sud vai passar a integrar o capital da editora fundada por Thierry Groensteen vai permitir um curso mais longo e seguro à casa que tem sido um dos espaços mais avançados na difusão dos quadrinhos autorais na França.

6º Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada

De 19 de maio a 5 de junho, Lisboa sedia seu maior evento dedicado à Nona Arte.

A Finlândia é o país convidado e terá direito a 6 exposições individuais e uma coletiva, que reúne mais de 20 autores. A entropia, conceito derivado da física moderna, e que representa o grau de incerteza de uma informação é a marca característica do salão desde sua 1ª edição, mas neste ano, ela está afirmada como tema central. Segundo informe publicado pela Bedeteca de Lisboa, 'a sua oferta está centrada no que é novo e diferente. Não pelo valor da novidade em si, mas sim pela sua carga ou marca do tempo que a produziu, quer se considerem os autores, quer as estórias, ou as técnicas utilizadas'. Para quem acha que a aposta possa ser alta demais, vale lembrar que foi uma finlandesa que venceu o festival Fumetto, em Lucerna, noticiado no resumo da semana passada: Amanda Vähämäki.

Na próxima semana, traremos os outros destaques, para não esgotar neste resumo um evento tão importante.

Camarões: hora de Fescarhy 2005

O 7º Festival de Caricatura e Humor de Yaoundé (Fescarhy), marca a persistência dos artistas da Nona Arte camaronesa pela afirmação do valor de seu trabalho. O salão foi aberto no dia 19 de abril, e segue até o dia 7 de maio. Nós conseguimos contornar as poucas informações sobre a edição deste ano com um documento que consideramos oportuno indicar, para que se tenha idéia aproximada de como é o ambiente do salão: uma fotogaleria da edição de 2004, posta online pela editora suíça Paquet, que claro, põem em evidencia a alegria dos claríssimos helvéticos em estar irmanados com seus colegas de Camarões: Confira aqui.

Joe Quesada no Newsarama

Agora, toda sexta-feira, o Newsarama, um dos sites de maior visibilidade de notícias e previews do que produzem os quadrinhos americanos, traz uma entrevista com Joe Quesada, editor-chefe da Marvel. Dan DiDio, editor-chefe da DC, provavelmente terá um espaço semelhante.

Revista gratuita de 100.000 exemplares sobre BD

Lançada em junho de 2004, a revista Zoo tenta um novo tipo de modelo de comercialização. Ao invés de 10.000 exemplares ao preço de banca de 1,90 euros, vai passar a ter 100.000 exemplares gratuitos ao público, em junho de 2005, contando que os anúncios paguem os custos de circulação. No primeiro número do novo formato, 30 resenhas de lançamentos de bandes dessinées, tiras, quadrinhos e matérias especiais sobre Sin City, o filme, 30 anos de Fluide Glacial e sobre os projetos de L'Association.

RPG da Disney

Kingdom Hearts II (ou Kingdom Hearts 2) é mais um RPG fruto da colaboração entre a Square Enix e a Disney Interactive, em que Mickey envergando uma escura capa, Donald e Pateta estão entre os principais personagens. Mas as possibilidades de encontrar o personagem com que você se identifica são inúmeras. Na verdade, mais de 100 personagens da Disney podem ser 'assumidos' pelos jogadores. O jogo deve ser lançado no final do ano

4 novidades da WildStorm

City of Tomorrow, minissérie de 6 episódios de Howard Chaykin é uma incursão na ficção científica em que empregados municipais, na verdade andróides, alteram a paz de uma aparente utopia criada na Califórnia em um futuro não muito distante, a partir do momento em que são atingidos por um vírus.

Warren Ellis, com desenhos de J.H. Williams III (de Promethea) está lançando o gibi 'Desolation Jones', que sairá bimensalmente. Desolation Jones, um agente da Inteligência da Grã-Bretanha é o único sobrevivente de uma experimentação 'científica' que acaba detonando boa parte de sua identidade, e o leva a aceitar um trabalho não muito limpo de detetive em Los Angeles.

A argumentista Devin Grayson (Nightwing) e Brian Stelfreeze são os responsáveis por Matador, uma série em que o personagem mais interessante é Isabel Cardona, uma policial de origem cubana discriminada por seus colegas. A série foi lançada no dia 4.

Já J. Scott Campbell e o roteirista Andy Hartnell, lançam em junho a edição 0 de Wildsiderz, terminando um hiato entre seu grande sucesso - Danger Girl - e um período em que basicamente trabalhou como capista. Wildsiderz tem pouca coisa de original, mas parece meticulosamente planejado para vender bem: trata-se de um grupo de adolescentes que não usam armas, lutam karatê e, principalmente, usam roupas extremamente vistosas.

Filme do Surfista Prateado

A 20th Century Fox, em fase final para o lançamento do filme do Quarteto Fantástico, anunciou que já começou a por em execução a produção de um filme do Surfista Prateado, em parceria com a Marvel, tendo Avi Arad como responsável. O filme, em computação gráfica, contará a origem do herói criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1966, e que foi uma das maiores inovações temáticas do período, na Casa das Idéias, especialmente por incluir um protagonista cujas preocupações filosóficas questionavam até os limites do que seja existência. É bom lembrar que o Surfista Prateado já foi até desenhado pelo genial Moebius, o que sinaliza que potencial para um belo filme sobra. Vamos ver no que dá. Também se anunciou o 3º filme dos X-Men.

HQ de jornalista do Libération conta como se lava dinheiro

Denis Robert, um veterano jornalista do Libération, lançou pelo selo da Dargaud o 1º volume de 'Tout Va Bien', cujo subtítulo é 'Yvan et la Banquière', com desenhos de Thomas Clement. Assim, a série de reportagens que o tornaram célebre no âmbito do jornalismo investigativo sobre as várias formas como o dinheiro oriundo das mais várias formas de trambiques, especialmente das grandes corporações ganha uma versão que pode ajudar a ampliar um horizonte muito interessante da Nona Arte.

Novo formato para os quadrinhos europeus?

Pedro Cleto, articulista do mais que recomendável Jornal de Notícias, do Porto, publicou uma análise que considera que multiplicação das edições de comics e mangas no mercado europeu, cm seus baixos preços, tende a deslocar os criadores de bandes dessinées do atual formato de álbuns para uma possível volta das revistas.

Cães invadem o Charles M. Schultz Museum

Desde 23 de abril , e até 26 de setembro, o Charles M. Schultz Museum, em Santa Rosa, na Califórnia, sedia a exposição 'Top Dogs: Comic Canines before and after Snoopy,' que apresenta desenhos de 50 séries em que os cães são protagonista (ou quase), como Krazy Kat, Buster Brown, Yellow Kid, Blondie, Little Orphan Annie, Mutts, Dilbert e Marmaduke.

Outra boa notícia ligada a Charles Schultz é o lançamento de 'Woodstock: A Birds Eye View', um livro especial só com tiras do simpático e inquieto passarinho.

Kid Paddle em Game Boy Advance

Depois de vender 2.5000 álbuns pela Dupuis e de ser transformado em desenho animado, Kid Paddle, o personagem de Midam vai virar videogame. A Atari promete que o personagem estará disponível para os usuários de Game Boy Advance em novembro. Vejamos se agora o Brasil terá chance de conhecer Kid Paddle, o engraçadíssimo personagem cuja 'arma' é o joystick antes do game, pois além dos quadrinhos, ele já está no Jetix espanhol desde março...

Novo tipo de humor: scans que comentam o que vai nos jornalões

Es la Hora de las Tortas, um dos blogs que compõem a central espanhola de sites de fãs de quadrinhos Tebelogs, apresenta uma forma jocosa que usa muito bem os recursos de Internet e seu próprio acervo e conhecimento: com o título 'la actualidad semanal a través de los cómics', o blog traz uma forma muito eficaz e direta de humor: reproduz despachos curtos de notícias da semana e 'comenta' através da seleção de uma capa de gibis de super-heróis. A idéia funciona por que as escolhas são muito bem feitas.

HQs NO BRASIL

I Encontro e Exposição de Comics, no Rio

Com apoio do Museu Histórico Nacional e espaço cedido pela Universidade Estácio de Sá, Luciano Filizola conseguiu realizar um novo marco para os quadrinhos do Rio: o I Encontro e Exposição de Comics, evento com o subtítulo 'As Histórias em Quadrinhos de Nossas Vidas: Mitos e Heróis'

Entre 5 e 7 de maio, o campus Nova América da Estácio, no bairro popular de Del Castilho, sediou palestras e exibição de vídeos, além da abertura da exposição de quadrinhos.

Entre os palestrantes, além do próprio Filizola, estavam no programa Rodrigo Fonseca, responsável pela nova linha de quadrinhos da Ediouro e Mark Novoselic, quadrinhista autor de Topman, que também está no novo número - o quinto - do fanzine sergipano O Martelo, de Erick Lima Lustosa. Esperamos em breve noticiar um balanço do evento.

Wander Antunes estréia na Espanha

L'Oeil du Diable, com roteiros do brasileiro Wander Antunes e desenhos do galego Tirso Cons, lançado pela casa suíça Paquet será lançada na Espanha, pela Recerca Editorial, que escolheu uma data muito especial para a apresentação da obra: o Salón del Cómic de Barcelona. Um selo de garantia do texto de Antunes vai com certeza ajudar a tornar a obra mais difundida: a tradução ficou a cargo de Enrique Sanchez Abuli, autor de Torpedo e um dos mais respeitados quadrinhistas em atividade na Espanha. Wander também concedeu uma entrevista ao Neorama dos Quadrinhos, publicada na segunda-feira.

Obras Completas de Carl Barks

Mais 2 volumes das Obras Completas de Carl Barks chegam às bancas e livrarias do Brasil, em maio. Destaque maior para o volume 11, que reproduz 'O Segredo do Castelo', publicada pela Editora Abril em O Pato Donald #1, de 1950.

Tintin au Pays de Soviets, no Brasil?

Um anúncio de deixar qualquer apreciador da arte de Hergé de queixo caído foi veiculado esta semana, por fontes idôneas. A Companhia das Letras estaria pensando em publicar 'Tintim no País dos Sovietes', uma versão do primeiro álbum de Tintin. Por mais que gostemos da idéia, ainda vamos apurar melhor a informação (a editora não nos retornou uma comunicação) pois é difícil crer que a obra que ainda não teve versões autorizadas em mercados que são fiéis a Tintin há décadas o seja exatamente no Brasil, aonde a editora está retomando a série, dando a ótima oportunidade dos jovens leitores conhecerem a mais fundamental obra da nona arte de expressão franco-belga, depois de um longo período de descontinuidade.

Ivan Reis: Rann-Thanagar War 1, esgotado

As minisséries relacionadas com o evento Infinite Crisis, da DC, têm sido uma sucessão de edições esgotadas. No caso do brasileiro Ivan Reis, o primeiro de 6 gibis de Rann-Thanagar War, em que ele divide a arte com Marc Campos (o roteiro é de Dave Gibbons), também foi completamente vendido, 2 semanas antes do lançamento, marcado para 11 de maio. Uma reimpressão já foi providenciada, com a mesma arte da capa, apenas com mudanças na colorização.

Henfil na TV

A semana terminou com um brinde à memória do traço nacional. O Canal Brasil exibiu, no sábado, o documentário 'Cartas da Mãe', de Marina Willer e Fernando Kinas, com narração de Antonio Abujamra, que apresentou entrevistas e animações feitas pelo Henfil, entremeadas com leituras de trechos de cartas que ele escrevia para sua mãe - Dona Maria, e que ficaram gravadas na memória de quem leu o livro e as crônicas do mesmo nome.

Miguel Imbiriba, numa entrevista em português

Gonçalo Garcia, o quadrinhista português que vem obtendo visibilidade com seu SAD no mercado francês, nos brindou esta semana com a primeira matéria de fundo em português sobre a trajetória do brasileiro Miguel Imbiriba no mercado das bandes dessinées. Numa entrevista publicada pela Central Comics, Miguel Imbiriba teve oportunidade de falar sobre a receptividade a seu trabalho com o primeiro volume de Myrkos, pela Dargaud, e da enorme dose de suor e perseverança que teve até chegar a esta vitrine.

Quadroid 2

Já está online o número 2 da revista digital Quadroid. A revista bimestral vem com 3 HQs de gênero e estilo bastante diferentes: 'A Casa', uma história de terror de Alexandre Lobão e Wace; Rakkar, uma sátira às HQs de bárbaros no traço do novo talento Fabiano Pallante e uma história de ficção científica de E.C.Nickel, chamada 'Numa Terra Estranha'.

Aquablue, nova série francesa no Brasil

O Neorama dos Quadrinhos obteve autorização para publicar uma resenha do pesquisador português José de Matos-Cruz, a partir da edição de Aquablue pela Asa. A série deve ser lançada no Brasil este ano, pela Ediouro.

Aquablue é uma saga de fantasia heróica, cuja inspiração referencia os conflitos universais entre ganância e resgate. Nela, os argumentistas Thierry Cailleteau e Olivier Vatine, também ilustrador, mostram um jovem sobrevivente de um naufrágio de uma nave galáctica, que chega a um planeta cujos pescadores o tomam por mensageiro dos deuses... Segundo Matos-Cruz, Vatine procura uma nova gramática visual para a arquitetura do imaginário, e 'o resultado é deslumbrante, prodigioso...'

Ziraldo assume o Caderno B do JB

O Jornal do Brasil escolheu um dos maiores nomes da Nona Arte brasileira para passar a dirigir o seu caderno cultural, criado há 45 anos. A primeira boa consequência é que aumentou o número de tiras publicadas pelo matutino carioca.

Um mangá cult no cinema

Old Boy, baseado no mangá do mesmo nome de Minegishi Nobuaki e Tsuchiya Garon, publicado em 8 volumes pela editora japonesa Futabasha chega no dia 13 de maio a algumas salas de cinema do Brasil. Ambientado na Coréia do Sul e na Nova Zelândia, o filme, dirigido por Park Chanwook, tem um 'detalhe' todo especial: foi vencedor Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, em 2004.

DVD de Batman

'Batman Animated Series: The Legend Begins' é o novo título que traz o Homem-Morcego às videolocadoras do Brasil. A fita traz uma mostra de 110 minutos da série animada que teve um grande sucesso de público na TV norte-americana nos anos 90. Um extra que merece destaque é o 'Vamos Desenhar Batman & Superman', que aumenta a interatividade do DVD e possibilita horas adicionais de curtição para a garotada.

Berserk e Angel Sanctuary chegam ao Brasil

Berserk, o mangá de Kentaro Miura, que já tem inúmeras versões pelo mundo, finalmente chega às bancas braseiras, pela Panini, assim como Angel Sanctuary, de Kaori Yuki, outro campeão de vendas internacional.

Berserk versa sobre um guerreiro que vaga alheio ao mundo tomado pela corrupção e pela decadência. Angel Sanctuary traz uma história de um amor proibido.

Berserk tem formato semelhante ao de Éden e Angel Sanctuary, semelhante ao de Peach Girl. As edições estão sendo traduzidas direto do japonês, mantendo a leitura 'invertida'. Cada edição brasileira vai equivaler a meio tankobon (de 100 a 120 páginas). Ambos são desaconselháveis para menores.

Nova revistas com o selo Marvel

Agora em maio estréia Geração Marvel, um novo gibi da Panini que procura atingir leitores mais jovens, com personagens clássicos - como Homem-Aranha e Quarteto Fantástico - em adaptação para os dias de hoje, reproduzindo o que é publicado pela linha Marvel Age, dos EUA. A revista, em formatinho, terá 52 páginas e distribuição setorizada.

A revista O Incrível Hulk se transforma, em julho, em Universo Marvel – uma publicação mensal de 100 páginas que trará algumas novas séries para o Brasil, que até então não tinham onde ser publicadas.

Uma graphic novel do Brasil

Octavio Aragão, que já foi coordenador de arte do jornal O Globo e subeditor de arte do jornal O Dia (o maior papão de prêmios internacionais na área, no Rio) lançou o universo Intempol, um projeto de ficção científica 100% nacional. Como fruto desse projeto, sai, no dia 15, 'The Long Yesterday', versão em quadrinhos de um conto do livro 'Intempol: uma Antologia de Contos sobre Viagens no Tempo, de 2000. Com roteiro de Osmarco Valladão e arte de Manoel Magalhães, o thriller policial sairá pela Editora Comic Store com 48 páginas em cores, papel couché, no formato magazine ao preço de 30 reais. Segundo os autores, a obra contem uma 'vocação macunaímica que mescla os romances de Raymond Chandler aos quadrinhos de Moebius e Daniel Torres'. Vamos esperar para ver o resultado de uma aposta tão alta, mas de quem conhece o chão em que pisa.

Mostra de Samuel Casal

Com visitação gratuita até 29 de maio, Samuel Casal, o tricampeão do Troféu HQ Mix do ano passado, expõe 25 gravuras feitas em linóleo, que procuram nos ajudar a refletir sobre a influência ´da coexistência entre homens e animais. A mostra acontece no Museu do Trabalho, em Porto Alegre. Samuel Casal, atualmente editor de arte do Diário Catarinense - de Florianópolis - também é responsável pelo fato dos catarinenses terem um ilustrador de qualidade singular em suas mãos, regularmente: ninguém menos que Juarez Machado.

QUADRINHOS, EDUCAÇÃO & CIDADANIA

A história do Chile em quadrinhos, em 20 volumes

Já saiu o 1º volume de Histocomix, a história do Chile em quadrinhos. O projeto da série prevê que sejam lançados 20 volumes sobre 4 períodos da história do país, cada um com 5 álbuns. Os 4 períodos escolhidos são: a Guerra de Arauco, a Independência, a República e a Guerra do Pacífico. A obra retoma uma tradição chilena no setor, especialmente, da antológica revista Mampato. Pelo que nos contam os colegas do portal Ergocomics, a obra vai melhor em qualidade de documentação histórica do que em desenhos. O que é uma tendência que pode ser revertida mais facilmente do que se ocorresse o contrário...

O primeiro número relata a descoberta do Chile, e tem encontrado uma boa divulgação tanto paga quanto jornalística. Vejamos se este exemplo contagia outros editores.

USA Today: HQs são perfeitamente válidas para a educação

O jornal de circulação nacional USA Today, surpreendeu ao publicar um extenso artigo na quarta-feira, no qual os quadrinhos são considerados um instrumento completamente válido para o apoio à educação formal. Um dos fios condutores da matéria foi o crescente número de educadores e bibliotecários que apóiam o uso de gibis nas escolas. A matéria arremata com uma lista de gibis recomendáveis para leitura, a partir de 12 anos, que inclui Sandman, Usagi Yojimbo, Persepolis, Blankets além de gibis e mangás do mainstream.

Wesley Duke Lee, inspirado em HQ

O nome de Wesley Duke Lee, dentro do panorama artístico dos anos 60, no Brasil, é quase um rasgo de luz na noite da censura. Naquele tempo, ele conseguiu, com uma arte conceitual que os censores não entendiam e portanto não barravam, dar o único recado crítico que alfinetava algumas cabeças antenadas no Brasil, com a introdução das dimensões do espaço, tempo e tecnologia nas artes plásticas, associados a uma contundente forma de expor os produtos da chamada cultura de massas. Em 1966, ele foi um dos fundadores da Rex Gallery, que sobreviveu até 1967 como um museu vivo, palco de experimentação e lançamento de novas idéias.

Pois é o fervor dos anos 60 que está exposto agora em 38 desenhos nunca expostos antes, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo. Do alto de seus 73 anos, Wesley Duke Lee não esconde que a maior série, de 30 trabalhos, é uma adaptação de uma histórias em quadrinhos sobre a vida da atriz norte-americana Jean Harlow. Ingressos a 4 reais (2 para estudantes), sendo que aos sábados o ingresso é gratuito.

'Jornal na Sala de Aula': HQs nas mãos dos alunos

O projeto Jornal na Sala de Aula, do Diário do Nordeste (de Fortaleza) existe há 8 anos. Seu principal objetivo é desenvolver o hábito de leitura entre alunos de escolas públicas. Numa nota desta semana, o jornal publicou que na Escola Municipal Germano José do Nascimento, o jornal serve até de tema de esquetes e peças nas aulas de teatro. Desde os classificados até as charges e as histórias em quadrinhos, tudo é aproveitado pelos professores na sala de aula. Para quem conhece as charges do Sinfrônio e as tiras do Capitão Rapadura, é mais do que animador fechar os olhos e imaginar as crianças debatendo estas criações na sala de aula....

Corpo de Bombeiros de Fortaleza: pioneiro na A. Latina


O Colégio Militar do Corpo de Bombeiros de Fortaleza anunciou a criação de uma revista educativa de HQs direcionada ao público infantil.

O personagem central - Capitão Tocha - vai passar mensagens de prevenção de acidentes e incêndios. 15.000 exemplares já estão garantidos, o que, se bem distribuído, pode alcançar uma fatia mais do que ponderável da população fortalezense. A Universidade de Fortaleza (Unifor)é a principal aliada do projeto. Segundo o comandante do colégio, coronel Duarte Frota, é a primeira publicação do tipo na América Latina.

Quênia: uma HQ contra a AIDS

Uma HQ educacional sobre HIV/AIDS foi criada no Quênia, pelo médico Kimani Njogu, que também dirige com sucesso um programa de rádio sobre o mesmo assunto, aproveitando um traço cultural dos quenianos: a primeira coisa que eles costumam ler nos jornais impressos são as tiras. O médico diz que o gibi consagra seu antigo desejo de colocar a cultura popular a serviço da saúde.

Os personagens do gibi abordam com sutileza e doses de afetividade o tema, mostrando as realidades de 3 ambientes sociais diferentes do país. Pelo que nos informam os colegas do Réseau Africain de Presse, o gibi não só agrada imensamente à população como tem o apoio da imprensa queniana, que consagra uma média de 3 notas sobre a iniciativa, por semana, desde que ela foi lançada, há 4 anos. Sem dúvida, uma combinação de recursos muito melhor do que o apelo invasivo e descontinuado sobre o tema do atual governo do Brasil.

Uma outra iniciativa no mesmo sentido acontece em Los Angeles (EUA), no dia 15 de Maio. Trata-se do Hard Heroes 2, uma festa à fantasia no MJ's Bar em que as pessoas irão vestidas de personagens de HQs, e cuja verba será revertida para a OnG Being Alive, que dá apoio a aidéticos.

225 peças arqueológicas em mostra de Astérix

La Pulperie de Chicoutimi, um complexo de atrações culturais e turísticas dedicado à valorização do patrimônio de Saguenay - Lac-Saint-Jean (no Québec) e também à difusão da arte e da história, leva aos canadenses a forma interessante de associar a genial criação de René Goscinny ao conhecimento arqueológico criada pelo museu de Leiden, o Museu Nacional de Antiguidades da Holanda.

Assim, até 8 de janeiro de 2006, os jovens de todas as idades do Québec podem se maravilhar com peças que reconstituem, minuciosamente, a vida quotidiana na aldeia gaulesa de Astérix, dos instrumentos usados na medicina à época até as forjas da quais saíam as armas dos guerreiros.

Brinquedotecas

A Associação Brasileira de Brinquedotecas - ABBri - está promovendo uma campanha para aumentar o número de associados em todo o Brasil. O principal objetivo é ampliar a capacidade de formar novos educadores especializados em brinquedotecas. O número de brinquedotecas no Brasil atualmente anda na casa de 3.000. Porém, na maioria deles, não há profissionais com qualificação adequada. Dificilmente se poderia querer melhor parceiro para a Nona Arte brasileira. Mas como não há nenhuma entidade que organize os profissionais do setor, resta apenas esperar que uma de nossas editoras de quadrinhos consiga perceber as possibilidades que estes grande número de centros de convívio infantil oferece. O número deve aumentar, pis uma lei aprovada em março torna obrigatória a instalação de brinquedotecas em unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação. A ABBri também publica o periódico informativo O Brinquedista.

Ziraldo na 5ª Feira Nacional do Livro

A 5ª Feira Nacional do Livro, de Ribeirão Preto, espera 290.000 visitantes e 300 escritores brasileiros e estrangeiros. Para acelerar a divulgação do evento - que acontece em setembro, a organização da feira escolheu divulgar em primeiro lugar 2 nomes: o do Ziraldo e da acadêmica Nélida Piñon. Ambos com a marca de ser não só bons artistas, mas também de ser agentes da integração da criação nacional com a de outros países.

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Gentileza prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em tamanho maior no blógue do amigo.

 


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 


 

 

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