|
|
|
11/05/2005 - Edição número 127
Pequenas Criaturas na Estrada Para Lugar Nenhum
|
| |
|
|
|
Editorial
Rafael Luiz Reinehr |
|
Guanina, Adenina, Timina, Timina,
Adenina, Citosina, Adenina
Nem sempre temos inspiração para
escrever. Às vezes, não temos vontade de escrever
sobre aquele tema da moda, sobre o assunto polêmico
ou sobre o que quer que seja.
Nessa hora, nos pegamos fitando ao largo, percebendo
a pilha de blocos de rascunho à nossa direita; os livros
enfileirados na estante, esperando que sua solidão
seja encerrada com uma visita nossa; as revistas, os CDs,
os papéis no lixo; um violão estático
retribui o olhar, como se perguntasse:
-"O que está havendo com você?
Cadê aquela sua energia de tempos atrás? Você
trabalhou muito para ter cada um de nós, e agora, é
isso que merecemos? Ficarmos de lado, jogados a um canto,
esquecidos?"
Compromissos se avolumam, a vida adulta chega
com toda força e tira nossas defesas. Chegamos a um
tempo onde tudo parece se transformar na busca por uma pretensa
"estabilidade".
Trabalhamos horas incontáveis no afã
de encontrar um ponto no futuro onde poderíamos, se
quiséssemos, nunca mais trabalhar; nossa situação
econômica assim nos permitiria.
Passamos a ir dormir pensando no que fazer no
dia seguinte, nos trabalhos e nos compromissos. Muitas vezes,
esquecemos de dar toda atenção que aquela pessoa
que se encontra ali, bem pertinho e que divide conosco nossas
angústias, merece.
O assunto não termina. Vai, mas volta,
como todos ciclos que permeiam a história deste sítio.
Vou citar aqui, pela terceira vez desde outubro
de 2002, Gilles Deleuze: “Não sofremos de
falta de comunicação, mas ao contrário,
sofremos com todas as forças que nos obrigam a nos
exprimir quando não temos grande coisa a dizer”.
E como na edição
63, de 19 de fevereiro de 2004, concluo, mais uma vez,
sem medo de repetir algo que tem significado renovado nesta
edição:
"Valeu Deleuzinho! Este é o Simplicíssimo
um laboratório onde se misturam em uma panela de expressão
tanto o resultado das forças sociais e culturais que
nos estimulam a pensar, agir e escrever o que pensamos, agimos
e escrevemos quanto os subversivos que vivem de explosões
de espírito ou já souberam se desvencilhar em
parte destas “forças poderosas” que nos
“obrigam” exprimir algo que não mereceria
ser dito. Aqui, abraçamos todos. E fodam-se os pseudo-intelectuais
de plantão..."
Não parece que escrevi isso agorinha? Hummm... Muito
bom olhar para trás e ver que os ideais continuam os
mesmos, apesar das intempéries que só quem acompanha
esta Nau desde o princípio pode se lembrar.
Aos novos escritores, poetas, contistas e cronistas deste
Brasil varonil, um aviso: seus textos já foram lidos,
selecionados e serão publicados a seu devido tempo.
Nas últimas semanas temos tido um aumento significativo
nas colaborações tanto em prosa como em poesia
e já estamos pensado em uma forma de aumentar a publicação
de ambas para que seus textos não demorem muito a serem
publicados.
Novamente, fica a lembrança de que nas próximas
semanas estaremos de cara nova. Novo layout, mais dinâmico
e gostoso de navegar.
E aos pseudo-intelectuais de plantão... Não
esqueçam da diversão!
Rafael Luiz Reinehr
PS: atentem para o belíssimo
texto de Marlon Schirrmann, "A sociedade das Películas",
que estréia nesta edição do Simplicíssimo.
A mediocridade do talento
"Quem entre nós não tem
talento? Mesmo aqueles que nada têm, têm talento
até os políticos - até os jornalistas...
Fique pois dito de uma vez para sempre: quem me disser que
eu tenho talento, ofende-me; quem me disser que sou um homem
de talento, aflige-me.
Renego o vosso talento; despejo-o com os jornais na latrina.
Falo-vos claro; para mim o talento não é senão
o grau sublime da mediocridade. O talento é aquela
forma superior de inteligência que todos podem compreender,
apreciar e amar. O talento é aquela mistura saborosa
de facilidade, de espírito, de lugares-comuns afectados,
de filiteísmo um tanto brilhante que agrada às
senhoras, aos professores, aos advogados, aos mundanos, às
famosas pessoas cultas, em suma, a todos os que estão
meio por meio entre o céu e a terra, entre o paraíso
e o inferno, a igual distância da animalidade profunda
e do gênio grande."
Giovanni Papini, em "Um
homem liquidado"
citação
retirada do Citador
|
subir
A sociedade
das Películas
Marlon Schirrmann* |
|
O mundo vive uma realidade que aos poucos vem
aparecendo cada vez mais na mídia e aos olhos do cidadão.
Tu já percebeste que cada vez mais as pessoas escondem-se?
Pois bem, esta é a realidade perniciosa que bate todos
os dias a nossa porta. Na década de 70 as pessoas saiam
com a família para caminhar. Iam para a Saldanha Marinho
tomar chimarrão e conversar com os amigos. Faziam questão
de aparecer nas ruas para mostrar a sua liberdade de ir e
vir. As pessoas ao passear cumprimentavam-se e passeavam tranqüilas,
mesmo com o regime totalitarista imposto, elas ainda tinham
uma certa liberdade. A liberdade, esta que me refiro, é
a de poder ir e vir sem medo de ser reconhecido, ou melhor,
de ser visto. Os carros que perambulam por estas bandas do
século XXI tem suas janelas mais escuras e o que enxerga-se
dentro deles são apenas vultos, na “sombra”.
Proteção? Lógico, mas não do sol.
Existe uma teoria que cada vez mais se enquadra a sociedade
brasileira moderna. É a chamada “Teoria das janelas
quebradas” ou broken windows theory que teve
ótimos resultados na terrinha do Tio Sam. Seguindo
uma breve explanação de seu fundamento, ela
nos conta uma história abstrata: Em um bairro um menino
atira uma pedra em uma janela de uma casa abandonada. Neste
bairro moram “pessoas de família”, honradas
e, ao qual as crianças jogam futebol na rua, tranqüilas.
Que nostalgia. Destarte, o garoto quebra aquela janela. Depois
de algum tempo a grama cresce, cada vez mais quebram-se janelas,
a casa começa a perder a pintura e a atrair mendigos.
Pessoas de má conduta rodeiam o local Torna-se sombria
e com aspecto de “sujo”, mal cuidado . Os moradores
do bairro já não sentem-se tão seguros
neste e já não deixam mais os filhos brincarem
de jogar futebol na rua. Temem os estranhos. Ficam com medo
dos novos indivíduos que agora habitam aquela casa
e tomam as ruas. Por fim os moradores, mudam-se dali. Quase
todos. Procuram outro lugar mais tranqüilo para viver.
Mais “seguro”, assim como era antes aquele bairro.
Após alguns meses, pessoas que não se intimidam
com esta situação de caos tomam o lugar dos
antigos moradores. Essas pessoas socialmente não honradas,
bêbados, tomam a rua, fanfarrões gritam na madrugada.
Pois bem. Tornou-se um bairro de marginalizados. Logo, crimes
acontecem diariamente neste bairro e a casa das janelas quebradas
é, agora, um simples alojamento que representa o monumento
do medo e da desordem. Tu irias morar neste lugar? Imagine-se.
Pois bem, veja o seguinte, com um bairro assim, onde predomina
o medo, logo espalhara o caos para outros pontos limítrofes
deste bairro e por fim contaminará toda cidade. Segundo
escrito pelo Promotor Daniel Sperb Rubin, “em
1982, o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo
criminalista George Kelling, ambos americanos, publicaram
na revista Atlantic Monthly um estudo em que, pela primeira
vez, se estabelecia uma relação de causalidade
entre desordem e criminalidade. Naquele estudo, cujo título
era The Police and Neiborghood Safety (A Policia e a Segurança
da Comunidade), os autores usaram a imagem de janelas quebradas
para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam,
aos poucos, infiltrar-se numa comunidade, causando a sua decadência
e a conseqüente queda da qualidade de vida”(1)
. Parece exagero não? Pois é, olhe pela tua
janela, sim, esta que ainda não esta quebrada, e perceba
que teu vizinho não sai mais de casa. Que o teu carro
tem películas e que na tua porta tem enormes grades
com aqueles grandes cadeados. Em algumas casas cercas elétricas,
cães ferozes e ainda, apesar de tudo, pessoas armadas
até os dentes. Mas para quê? Proteger-se lógico!
De quem? Aí vem o fundamento deste artigo. De quem?
Com o passar dos minutos nos entocamos cada vez mais dentro
de nossas casas, nos protegemos do que há lá
fora. Os que habitam o tal bairro correm livres enquanto nossa
segurança são os tais cadeados. Vivemos em uma
continua psicose ao qual nos leva a uma neurose social, ou
seja, um medo constante (estresse, nervosismo), o que muda
e muito, nosso comportamento social. Com isso pessoas mais
agressivas, menos humanas e mais descrentes nos pactos que
na revolução francesa foram criados (pactos
sociais), e que aquelas pessoas da década de 70 tanto
lutaram para nos dar. A liberdade! Leis que mantêm uma
sociedade e um Estado Democrático de Direito, por uma
lei que constitui a ação das pessoas
e do Estado, a tal de Constituição, proclamada
no ano de 1988. Essa deixou claras as intenções
do Estado e os rumos da nova sociedade que os antigos chamavam
de utopia. Essa, a intenção, era e
é a liberdade. Que liberdade. O barulho e a “anarquia”
que ronda muitas noites de Santa Maria traduzem o desrespeito
às condições de convivência em
sociedade. O descaso com a policia e com o cidadão.
Contravenções penais ou crimes considerados
de pequeno valor social são praticados diariamente.
As janelas quebram-se diariamente, e ninguém as conserta.
Adiante quebram-se outras e outras. Bêbados tomam as
ruas e algazarras tornam-se constantes. O próximo passo
é introduzirmos sistemas bloqueadores de som em nossas
janelas a fim de impedir que o som inoportuno da anarquia
entre, para podermos dormir sossegados, e assim esquecer as
algazarras que rondam adentram a madrugada.
Assim, confirmando o que tenho dito, nos enclausuramos mais
ainda em nossa tocas. Somos agora os presos, presidiários
ou prisioneiros que cumprem o regime nas próprias casas
a fim de manter os delinqüentes pro lado de fora, longe
do olhar. O delinqüente fica abaixo dos holofotes e nós
no escuro e escondidos. O combate ao crime é o grande
alvo das discussões no âmbito social, político
e jurídico, mas o que é ressaltado são
os crimes de grande amplitude, de grande ameaça social
e as pequeninas janelas continuam quebradas e sendo quebradas.
O que necessitamos é um maior enfoque às contravenções
penais ou crimes de pequena repressão do Estado, esses
que aos poucos geram crimes de maior dano social. Aqui não
me refiro aos crimes de bagatela, como roubo de galinhas para
o próprio sustento. Falo do descaso às regras
de trânsito, do desrespeito a idosos em filas de banco,
do relaxamento de imposições aos pedintes e
ébrios que tomam algumas avenidas das cidades. Do barulho
constante durante a noite. Enfim, da perturbação
ao cidadão que merece a chamada paz, sossego.
O que ocorre atualmente é que tentam cortar os galhos
de uma grande árvore chamada criminalidade, mas se
esquecem que suas raízes cada dia criam mais profundidade
e virilidade. Cada vez mais gera-se ramos e a cada galho cortado
brota-se dois ou três mais espécies e formas
de crimes. Um exemplo de repressão a estes crimes de
contravenção ocorreu nos Estados Unidos, na
cidade de Nova York, onde os policiais intensificaram suas
atenções a pequenos crimes, como pular a roleta
da estação de metrô para não pagar
o mesmo. As estatísticas mostraram que após
algumas semanas o metro teve uma grande redução
de estupros, furtos de carteiras etc. Isso por que foi intensificado
o trabalho nos pequenos crimes o que intimida os delinqüentes
impedindo-os de cometer crimes de maior potencial ofensivo.
Nosso código penal adota o que chamamos de “Direito
Penal Mínimo”. Sucintamente significa que apenas
delitos que ferem os bens jurídicos de relevante valor
ou necessários, como a vida, a propriedade etc. Como
leciona Cezar Bitencourt, “o princípio da intervenção
mínima, também conhecida como ultima ratio,
orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando
que a criminalização de uma conduta só
se legitima se constituir meio necessário para a proteção
de determinado bem jurídico ” e destarte cita
o autor mencionado “se para o restabelecimento da ordem
jurídica violada forem suficientes medidas civis ou
administrativas, são estas que devem ser empregadas
e não as penais”(2). Seria o sossego público,
a paz social e o direito a segurança, direitos de relevância
para o direito penal? Claro que sim, e apesar da inflação
legislativa onde se aplica uma pena aos casos mais ridículos
da vida, pequenos incidentes como as “janelas quebradas”
ficam impunes e sem a atenção merecida. Em consideração
final, proponho este tema a sociedade que como eu tem a utopia
dos antigos incrustada na alma. A utopia da liberdade de ir
e vir sem empecilhos e a utopia da paz social, da ordem e
do progresso. Proponho sair da caverna que Platão mencionava
em seu discurso intitulado “A caverna”, que contava
a história de pessoas que viviam de costas para o fogo
e para a entrada, podendo olhar apenas sombras, ate que alguém
descobriu o exterior e percebeu que lá fora havia um
mundo diferente do antes pensado. Devemos descobrir que vivemos
em um mundo diferente das sombras, longe do escuro e perto
da realidade, da liberdade.
Hoje no Brasil, convivemos com intoleráveis índices
de criminalidade. O “bairro” está tomado
Tiremos as grades, os cadeados. Vamos para a luz e que os
que vivem em casas abandonadas e com as “janelas quebradas”
reduzam-se äs sombras. Vamos consertar os males criados
e voltar ao bairro, aquele, nostálgico. Está
é minha utopia. Sociedade, tiremos as películas.
“A desordem é, comprovadamente, fonte de
criminalidade e deve ser rigorosamente combatida. O pensamento
que se convencionou de chamar “Direito Penal Mínimo”
peca ao considerar como dignos de proteção pela
norma penal apenas condutas que configurem atos de violência
grave exercida a pessoa, atuando portanto, apenas repressivamente,
e não preventivamente em relação a criminalidade
violenta. A norma penal deve proteger, também, aqueles
bens cuja violação gera desordem, medo e, mais
tarde, criminalidade”. Daniel Sperb Rubin,
Promotor de Justiça do RS.
(1) RUBIN, Daniel Sperb. Artigo “Janelas Quebradas,
Tolerância zero e Criminalidade”.
(2) BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal.
Volume 1. Ed. Saraiva, pg 11.
*Marlon William Schirrmann,
Acadêmico do curso de Direito da ULBRA Santa Maria
|
subir
Auto
Análise
Fabricio Pessôa |
|
Comparando-me com alguma coisa
Como poderia me exemplificar?
Que características posso me dar?
Escuro como a caverna
Embaçado como a neblina
Transparente como água cristalina
Usado como a taverna
Vazio como o nada
Triste como o velório
Calmo, sereno, simplório
Sem graça como o escritório
Da velha e chata advogada.
Maltratado como escravo
Penitente como o pecador
Surrado pelo amor
Com alma cheia de dor
Flechado como o alvo
Burro, como o pateta
Insiste em amar
Sabendo que em nada vai dar
Sabendo que só vai piorar
Mas tenho que sofrer, sou poeta!
|
subir
|
Quando sinto
Já é domingo.
Visto uma sainha
Aquela blusa justinha
E saio direto:
- Tchau, vou ao Beto.
Cabelo cor de palha
(Meu charme não falha!)
O sapato de salto
Me deixa no alto
O corpo torneado,
Muito bronzeado,
Sempre malhado,
Com algum silicone
Justificando o nome.
E se há um oco
Vai muito reboco,
Sem contar a pintura,
Essa grande mistura
Como massa corrida
Que me deixa lisa
Como a Mona Lisa.
(Seja lá quem for
que de arte tenho horror
e nas colunas, na lista,
não consta essa bisca.)
Assim como o ar
Não me falte o Credicard
Menos ainda o celular
(Esse o número, só ligar.)
Nem a quinquilharia
Que carrego dia a dia,
Toda sempre dourada
Combinando com a pele plastificada.
Anéis, colares, pulseira,
Se exagero até piteira
E aquela tatuagem
Que me dá coragem
De mostrar o bumbum
Para qualquer um.
De conversa eu gosto
Mas também aposto
Em algum big brother
Ou no Harry Potter.
Adoro curtir a Xuxa
(Ela também é gaúcha)
E de muita leitura
Para ganhar cultura
E, quem sabe, as malas
Para a ilha de Caras.
Encerro esta parte
Do que aprecio na arte
Lendo o Alquimista
Desse grande artista
Que é genial
The best intelectual.
Aí está, sou assim,
E peço que gostem de mim
Pois é difícil pagar analista
Que só quer receber à vista.
(E esta pensão safada
que está sempre atrasada!)
Vivo bem, fora do mundo
E só me chateia, lá no fundo,
Quando o Macho Man na rua
Me cobiça e grita: - Perua!
Outono2003
|
subir

Clique aqui para
ampliar
|
subir
Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
|
Vácuos Esparsos
A marmita na mão, sentado no paralelepípedo [palavra
bonita] e os olhos perdidos em um futuro melhor. Olha pro
lado e vê um encarte do zaffari. "Hum, dois e noventa
e nove o yaculte. Quando tiver dinheiro, comprarei."
Deolar remancha e acha que não vai comer o ovo; pergunta
se eu quero. Não me faço de rogado.
****
Uma gola rulê muito, muito alta. Um vento - sim, talvez
algum vento nos cabelos, porque vento nos cabelos sempre fica
extremamente estiloso. Pode estar sentada em um café,
embora soe um pouco burguês, mas um café me parece
o cenário ideal para tais devaneios. O dono, e é
sempre ele que atende, caminha até você e nesta
hora você faz um gesto vago, sem parecer antipática
ou coisa parecida, dando a entender que por enquanto não
quer nada. Só ficar por ali e observar, um pouco. Só
um pouco, ao menos por enquanto. Ele diz que tem pedir alguma
coisa, não ligando para o seu silêncio e o seu
ar de poeta sofredora com uma caneta bic com a tampa roída
em uma mão eternamente suspensa. Você ainda tenta
lançar um olhar que revele toda a amargura existente
no seu coração enlevado, mas ele não
liga muito e coloca o cardápio na sua frente.
****
Talvez alguns poucos momentos de isolamento e nada mais será
preciso. Já terá a medida certa para julgar-se
um pouco melhor e talvez possa tecer opiniões menos
preconceituosas. Também, pouco importa. Não
capta muito bem a ordem atual dos acontecimentos, mas se mantém,
ainda assim, atento, os olhos vidrados e a respiração
compassada. Limpa o sangue em toda a volta e titubeia entre
lavar a faca na pia e levá-la consigo embrulhada em
um jornal que serve de forro para a cama da cachorrinha Pequetita.
Pequetita se manteve quietinha o tempo todo, e, para falar
a verdade, não parecia a melhor amiga do homem. Continua
estática a um canto, não se importando nem mesmo
quando tem seu jornal retirado de baixo de si. Sobe para o
sofá e ensaia uma volta em torno para afofar o lugar
antes de cair em sono profundo. As luvas! Não sabe
o que fazer com as luvas... Olha o quadro sobre o armário
e se encanta com a menina ruiva de muitas sardas. Será
que é filha? Talvez se sinta só... Poderá
pensar nisto depois, mas por enquanto precisa ainda achar
detergente no armário embaixo da pia.
|
subir
O
Mundo em Marcha!
Marcelo Adifa |
|
Veja e o Jornalismo Marrom
É desnecessário citar que a imprensa
é um dos pilares de sustentação de qualquer
sistema social ou governo. Aliado à estrutura oficial
de formação educacional e à religião,
a imprensa, e os grandes meios de comunicação
que a formam podem gerar estabilidade a um governante ou provocar
verdadeiro alvoroço. Obviamente, sabemos que aquela
máxima que diz que a imprensa e a informação
são imparciais não merece crédito algum.
A mídia atende a interesses claros, de classe e posição
social. Os jornais e TVs são feitos e dirigidos no
sentido a gerar uma verdade aparente, direcionada à
dados e inequívocos interesses. Ao longo da história
pudemos ver como esse fenômeno funcionou: manifestações
de milhares de estudantes contra a ditadura militar e que
a Globo anunciava como festas no Rio e em São Paulo;
o cerceamento a artistas e intelectuais de esquerda, o caso
Collor de Mello, construído pelo fraudulento império
de Roberto Marinho. Isso somente para citarmos alguns casos.
Nesta semana que passou, por mais uma vez, o verdadeiro jornalismo,
feito por poucos, baseado na veracidade dos fatos (ou ao menos
na contraposição de verdades supostas) foi ferido.
A revista Veja, manchada de sangue marrom em seu conteúdo,
despejou nas bancas do País uma edição
com ataques sórdidos e vis ao governo de Hugo Chavéz
na Venezuela. Publicou informações falsas e
dados desatualizados ou inventados por alguma mente criativa
(resta saber se americana ou brasileira). Veja sequer procurou
ouvir adequadamente os representantes do governo deste País
irmão para compor seu texto cheio de anacronismos e
vulgaridades. Talvez nostálgica pela volta da ditadura
que tanto a favoreceu Veja produziu um arremedo de matéria,
cheia de anacronismos e boçalidades.
Não é de hoje que esse Semanário apresenta
estes ataques àqueles que pensam de uma forma diferente
da sua. Não há muito, num erro (proposital talvez)
histórico, Veja arruinou a carreira do político
gaúcho Ibsen Pinheiro; por muitos anos pendurou-se
nos galões dos militares brasileiros e de sua ditadura
inumana; flertou com torturadores e serviu a uma gama de propósitos
estranhos ao jogo democrático.
Essa matéria sobre a Venezuela e sua principal liderança
não foi diferente. Veja tem saudades da guerra fria
e a sua maneira tenta reinaugurá-la. Não há
dúvidas que esse semanário seja hoje a melhor
revista americana editada em português.
Do que uma Veja é Capaz
Tínhamos programado há certo tempo uma atividade
com o Cônsul-Geral da Venezuela, Sr. Jorge Luís
Durán Centeno, pessoa das mais próximas a Chavéz,
Capitão do Exército Venezuelano e Estadista
de grande valia. Tendo fechado a impressão de convites,
o agendamento de local, etc, eis que Veja ganha as ruas com
essa matéria espúria sobre nosso vizinho. Pudemos
observar claramente como a população local reagiu
ao arremedo jornalístico de Veja. A comunidade venezuelana
da região de Sorocaba (local onde seria realizada a
atividade) ficou arredia, a UNISO (Universidade de Sorocaba)
cancelou a cessão de seus auditórios (ela possui
seis) sem explicações. E todos, absolutamente
todos os auditórios da cidade, subitamente aparecerem
alugados. Universidades, sindicatos, espaços públicos,
todos nos cerraram as portas. De medo. Talvez para seguir
as “vejaverdades” da vida. Mais mui bem, sou teimoso
e iremos realizar a atividade com Duran nem que seja em minha
casa.
|
subir
|
Politicamente Correto
_ Oi, tudo... tudo... tudo ...?
_ Sim tudo... tudo... tudo. E você?
_ Também. Você viu o... o... o?
_ Ah sim, aquele teu amigo, o... o... o.
_ Isso!
_ Passou por aqui. Ele é... é ... é.
_ Aham, é... é... é. E onde ele foi?
_ Foi no ... no ... no.
_ Pôxa, no ... no ... no?
_ Isso mesmo. O que você queria com o... o... o?
_ Bater um papo sobre... sobre ... sobre.
_ Falei sobre ... sobre ... sobre, com a... a... a, que é...
é... é.
_ Que legal eu acho a... a... a, uma... uma... uma.
_ Concordo com você. Bom vou indo na... na... na, que
teremos um... um... um. Até mais.
_ Super! Não sabia que tinha... tinha... tinha, na...
na... na... Bom, vou ver se acho o... o... o, na... na...
na. Tchau!
|
subir
|
Projeto Necessário
Parabéns à Câmara dos Deputados
por aprovar o projeto de Lei de Biossegurança que libera
pesquisa com células-tronco. A comunidade científica
e a população comemoram o dia 2 de março
de 2005, que entrará para a história simbolizando
a libertação de pessoas deficientes, daquelas
portadoras de doenças degenerativas como o diabetes,
o mal de Parkinson, a esclerose múltipla, o mal de
Alzenhaimer etc. Com o avanço da nova medicina regenerativa,
há prenúncio de esperança no ar. O que
não é concebível é uma decisão
tão importante como essa ficarà mercê
da boa vontade de parlamentares, que, em última análise,
costumam legislar muito mais em causa própria do que
a favor dos verdadeiros anseios da população.
Desta vez a sociedade saiu vencedora porque prevaleceu a pressão
sobre os deputados, mas se o projeto fosse arquivado, atendendo
a pedidos da Igreja e de setores anacrônicos da sociedade,
o que estaríamos comemorando hoje? Fica aqui o alerta
para que todos nós sejamos partícipes das grandes
decisões deste País.
|
subir
|
Cada dia que passa, mais um dia que
passa...
Vou trocar você por outro absurdo. Vou trocar meu sonho
por outra realidade. Vou deixar de lado meus conceitos. Vou
trocar meus medos por palavras, meus olhares por decisões.
Vou ignorar provocações, deixar de lado quem
não me tolera. Vou te escrever, te ligar. Não
pra ti. Vou fazer ver que ninguém é insubstituível.
Que amores vão. E vão para sempre. E que amores
não são nada mais que caprichos. Vou riscar
nomes. Vou gravar outros. Outono. Não me provoquem
hoje. Hoje não.
***
Hora de recomeçar. De esquecer. De retomar. Retomar
velhos objetivos. Ir embora. Ir para não voltar, sem
culpa, sem ressentimento. Somente ir. As vezes é preciso
desistir. Hoje eu desisto. Hoje eu não quero. Hoje
eu reaprendo respirar. Hoje eu risco teu nome. Hoje eu tento
reencontrar outro caminho. Hoje eu recomeço. E volto
para o mesmo ponto.
***
Cada dia um outro dia, algo vai acontecer. Seja o que for.
Algo vai acontecer. Algo está acontecendo. Menos um
dia, mais um dia. Você escolhe qual a melhor maneira
de encarar. Você pode se esconder hoje. Pode fugir.
Hoje. Não amanhã. Ninguém foge para sempre.
Ou você pode colocar a cara para bater. Pode ir atrás
do que você quer. Claro, a gente pode cair, e agente
caí. Várias vezes. Mas ninguém aprende
a se levantar se não cair. Viver sem desafios não
é viver, é apenas contemplar. O que de vez em
quando não é de todo o mal. De vez em quando.
Se hoje é o dia, faça dele seu dia. Vá
em frente. Não se esconda demais. Se não a gente
acaba desaparecendo.
***
Parece que por um dia eu tenho outros olhos.
E esses olhos são os que me fazem continuar.
|
subir
I-Racional
Pedro Volkmann |
|
Violentos Haikais 30/X
Deserto
Flor de cactus
linda, mas espinha
Faroeste 17/X
Olho para você
Não paro de enxergar
nem de te amar
Idéias
Quando pensamos em educação vem à tona
uma série de perguntas difíceis de responder.
Na verdade, algumas são impossíveis.
Como podemos saber o que cada um sabe?
A partir daí surgem os problemas. Para surpreender
uma pessoa você deve entregar alguma coisa que ela não
saiba, porém próxima o suficiente para que ela
entenda. Esta distância é determinada pela capacidade
autopoiética de cada indivíduo. Opa! Autopoiese!
Do Varela e do Maturana.
No dia-a-dia isto se torna, ao mesmo tempo, simples e complicado.
Você pode atribuir qualquer desentendimento intelectual
ao fato da pessoa ter pouca ou nenhuma capacidade de reconstrução.
Porém isto não resolve nenhum problema prático,
pois o fator crítico neste caso é chegar neste
ponto, no ponto ideal de cada uma das pessoas com as quais
você interage.
Como fazer isto se o conhecimento médio de cada pessoa
é igual sempre. O detalhe é que alguns conhecem
muito de coisas que outros desconhecem por completo.
Muito além de conhecimento, isto também tem
relação com gostos e valores. Atingir as pessoas
no ponto certo pode ser uma grande questão cultural.
Realmente, uma das principais ferramentas da cultura, a linguagem
se inter-relaciona de forma contínua com a cultura.
Além de uma não existir sem a outra, uma influencia
a velocidade que a outra sofre mudanças.
Agora, ai que está o ponto onde eu quero chegar.
O que devemos para fazer para que a forma de pensar seja diferente
é mudar a capacidade autopoiética de nossos
interlocutores.
Mudando isto, mudamos a cultura e nosso mundo.
Não pense que estou com idéias megalomaníacas,
não quero mudar o mundo, quero mudar apenas o meu mundo.
Ih! Estou de volta, cada vez mais e mais, de ré na
contramão.
|
subir
Liberdade
Vigiada
Marcos Pedroso |
|
Breve.
O ruído intermitente brada
Acabou o brevíssimo momento
Quando começou já falava
Do termo e do desalento
Rápido como uma pestanejada
Instantâneo.
Fim sem meio, sem gosto
É assim não muda
Efêmero. O tempo de cobrir o rosto
Sentado. Cansado. Clamo ajuda
Sinto pesar. Na cabeceira um enrosco
Lamento.
Mas não. Hoje eu ficaria
Decidi não atender ao chamado
Decidi não acabou. Por dentro ria
Vitorioso & resolvido
Decidi mereço. Não me renderia
Minutos.
Dez momentos enfrentei
No ar refiz as agruras da batalha
Percebi era fraco, murmurei
A obrigação de andar no fio da navalha
Sentado, e ao espelho me aprumei
As ruas.
A sair sonhando com o entrar
Fraco vendido desiste cativo
Olhos embotados. O breve recostar
Boca amarga. Deixar o objetivo
Triste vou, mas, fico no altar
Multidão.
|
subir
|
A paixão pela literatura. Mas desde
o principio isso era pouco para que eu pudesse escrever
algo que realmente mexesse com o poeta Gabo a ponto de receber
uma resposta genuína do rapaz. Não quero aqui
sessões de concordo e discordo por causa disso, quero
algo um pouco maior. Na minha confessa ignorância,
acredito que preciso conhecê-lo antes de botar um
assunto na mesa. E foi vasculhando meus baús que
achei algumas frases perdidas... Entenda como puder.
- As pessoas muito gordas só descobrem que são
gordas o suficiente numa briga de família ou na morte.
- O meio é sempre a divisão de algo.
- Os pobres e os ricos se conhecem por família e
vêem as leis como sugestões. A classe média
não tem características especiais.
- “Na praia”
_ É assim que eles escrevem livro pai?
_ Só os mais pobres filhos.
- Censurar é ter vergonha do outro.
- A solidão feliz inveja.
- Pensar alto é transpor camadas cerebrais por adrenalina.
- As máquinas irão vencer quando finalmente
não fizerem mais barulho.
- Imagine uma pipa no Japão medieval.
- Divulgar a arte é cagar para a sociedade.
- Se a polícia tem barcos, é porque devem
existir ladrões do mar.
- Uma partida de futevôlei no século XVIII
seria regida por uma orquestra. Se tivéssemos inventado
esse esporte antes do balé, o que seria das mulheres?
- “Espírito”
_ Sou espírito! – E deu cambalhotas, fez gestos
japoneses com a mão e me olhou no olho. Em mim.
_ Sou espírito! Eu sei a vida e os pensamentos de
todo mundo.
Achei graça.
_ Sei que o diabo foi expulso do Céu! Sai daqui Satanás!
Ele foi embora pra sempre.
_ Como sabe disso?
_ Mas olha aqui, eu sou esporte! Judô, Futebol e capoeira.
Mas eu não bebo por causa do Diabo não, eu
bebo é de Jesus.
- Os extremos estão condenados a sê-los. Os
homens perfeitos sempre terão 1.80m.
|
subir
A
Semana dos Quadrinhos.
Um resumo
mundial
Marko Ajdaric
|
|
INTERNACIONAL
100 anos de Floyd Gottfredson. E 70 do Mickey definitivo
Floyd Gottfredson: o desenhista que deu a personalidade
definitiva de Mickey, completou 100 anos nesta quinta-feira,
dia 5. Para sorte de Mickey, Floyd Gottfredson entrou na
Disney em abril de 1930, poucos meses após o próprio
Walt Disney ter criado o personagem. A arte de Floyd nas
tiras de Mickey foi tão marcante que do mês
seguinte em diante, o personagem lhe foi confiado, Assim,
em 5 de maio de 1930, no exato dia em que Floyd Gottfredson
completava 30 anos, saía a primeira tira do personagem
que rapidamente encantou o mundo. Gottfredson trabalhou
até os 70 anos, embora nunca tivesse tido o direito
de assinar as tiras, e faleceu em 1986. O centenário
teria passado em branco não fosse um belo especial
da editora alemã Ehapa, que rapidamente foi motivo
para a imprensa da Alemanha dedicar belas matérias
ao criador.
Almada: 266 fanzines na 8ª Feira Internacional
Depois de 4 anos, Almada realiza mais uma edição
da Feira Internacional do Fanzine, a oitava. E o trabalho
'de formiguinha', quase invisível acabou sendo recompensado.
A cidade portuguesa estará apreciando a maior reunião
da produção independente de quadrinhos do
mundo, de 13 a 21 de maio. Até o último informe
oficial que recebemos, no dia 4, já haviam 266 títulos
de fanzines confirmados na mostra, de 17 países,
incluindo 86 edições brasileiras
Vale destacar uma sessão especial da Tertúlia
BD de Lisboa, que acontecerá em meio ao evento. Até
onde sabemos, a Tertúlia BD é, decerto em
língua portuguesa e com muitas probabilidades de
o ser no mundo, o maior centro de reuniões de fanzineiros.
A livraria já sediou mais de 275 encontros de produtores
independentes da Nona Arte.
Morreu Zeke Zekley
Aos 90 anos, morreu o tirista americano Zeke Zekley, que
foi o auxiliar direto de George McManus na antológica
série de Pafúncio (Bringing up Father), até
a morte do criador da série, em 1954. Como o King
Features Syndicate acabou não efetivando o esperado
com o falecimento de McManus, escolhendo outro autor para
seguir as tiras de Pafúncio, Zekley acabou criando
sua própria série: Dud Dudley. Zekley ainda
fundou a editora Sponsored Comics, e o registro que ficou
de seus colegas é que foi um patrão melhor
que a King Features...
O novo Capitão América
Uma nova safra do gibi do Capitão América
está por vir, nos EUA. A Marvel confiou ao roteirista
Ed Brubaker esta tarefa. Na primeira edição,
teremos a presença do Caveira Vermelha... e mais
não contamos para evitar tirar o sabor de leitores
que não gostam de muitas antecipações.
Os indicados aos Prêmios Harvey 2005
Saiu a lista de indicados aos Prêmios Harvey (Harvey
Awards), cuja entrega acontece em 11 de junho. Com a crescente
participação do mainstream entre os indicados
aos prêmios Eisner, a atenção especial
que os Harvey tem é exatamente por conta de indicar
os bons trabalhos que são realizados por quadrinhistas
que não ocupam os maiores espaços da imprensa
geral e especializada. Não que os nomes já
reconhecidos por um público maior não figurem.
Concorrem, este ano, Alejandro Jodorowsky, Art Spiegelman,
Brad Meltzer, Brian Michael Bendis, Brian K. Vaughan, Humberto
Ramos, Jeff Smith, Garry Trudeau, Neil Gaiman e Osamu Tezuka.
Entre os indicados, ressalvamos que o canadense Seth teve
reconhecido seu trabalho não só pela monumental
reedição completa das histórias de
Charlie Brown e seus amigos em Peanuts, mas também
pelo seu minimalista e quase artesanal 'Palookaville'.
Do ponto de vista das obras que ajudam o apreciador da Nona
Arte a entender sua história e suas possibilidades,
houve uma bela e justa série de indicações
para Fantagraphics e Komikwerks.
Canadá: os vencedores do Shuster Awards
O prêmio aos melhores do ano nos quadrinhos do Canadá
- uma homenagem a Joe Shuster, um dos criadores do Superman
- revelou os vencedores de sua primeira edição.
As grandes vencedoras, no contexto geral, foram obras das
grandes editoras americanas de super-heróis, o que
evidencia a dependência do mercado de trabalho para
os artistas canadenses. Como melhor editora canadense de
HQs, foi indicada a Arcana Studios. Cerebus - de Dave Sim
e Gerhard, que também concorre aos Harvey, ganhou
um prêmio especial por seus 300 números, um
recorde absoluto na HQ canadense.
Doug Wright Awards: o outro prêmio do Canadá
Uma boa 'briga' está lançada no Canadá,
e o vencedor presumível é a arte sequencial.
Um outro prêmio, menos comentado, também tem
sua primeira edição em 2005. Homenageando
Doug Wright, quadrinhista que foi o maior protagonista canadense
de 1940 a 1980, o prêmio começa - com pés
no chão - com apenas com 2 categorias, mas que mostram
claramente a sua vocação: melhor talento emergente
e melhor obra. Os vencedores serão anunciados no
dia 28, durante o Toronto Comic Arts Festival. A lista de
indicados tem um perfil muito diferente da dos Shusters,
e privilegia a produção veiculada no Canadá.
De nenhum a 2 prêmios, é um avanço mais
que considerável, e os debates comparativos entre
as duas listas só fortalecem a compreensão
real do potencial canadense na Nona Arte.
Condorito em espanhol nos EUA
O único personagem de quadrinhos da América
do Sul a ser difundido nos EUA ganhou uma edição
de 128 páginas, totalmente em espanhol. Em 'Condorito
La Aventura Comienza', ele aparece com toda a turma, numa
iniciativa da Rayo, editora especializada no público
latino. O preço: 15 dólares.
A Planeta anuncia uma constelação
A Planeta DeAgostini anunciou já os títulos
que serão lançados no Saló 2005, em
Barcelona, que espera ter mais do que os 94.000 visitantes
de 2004.
A extensa lista é de entusiasmar vários públicos:
confira alguns dos autores incluídos: Marc Andreyko,
Sergio Aragonés, Kyle Baker, Milton Caniff, Mark
Millar, Muñoz e Sampayo, Fabian Nicienza, Alex Raymond,
Charles Schultz, Sergio Toppi e Naoki Urasawa.
Apocalypse Nerd
Peter Bagge continua sendo um dos nomes mais ativos da cena
independente, não só nos EUA como também
na Europa. Depois de Hate, seu Apocalypse Nerd, começa
a ser publicado pela Dark Horse. Trata-se de uma divertida
série de tiras em que os atuais 'bem-sucedidos' se
mostram completamente inúteis na sociedade que sobrevem
de um apocalipse em que todos os bens de consumo desapareceram.
Não só o tema é muito bem sacado como,
segundo quem já leu, muito bem desenvolvido.
Fullmetal Alchemist, com full force
Além do 3º RPG para PS2, em andamento, e do
filme recém lançado, Fullmetal Alchemist tem
mais 3 destaques recentes: além de estar sempre entre
os líderes de vendagem entre os mangás no
Japão, a criação de Hiromu Arakawa
chega a seu primeiro TP, nos EUA, com 192 páginas
em preto e branco, a 10 dólares. A última
novidade vem da editora japonesa Gakken, que anunciou o
lançamento de um livro de 175 páginas que
utiliza os personagens da série como apoio didático
no aprendizado do idioma inglês.
Will Eisner no MoCCA
'Will Eisner: a Retrospective' é o nome da grade
mostra que será aperta no MoCCA. Entre os originais
que o grande centro nova-iorquino de difusão dos
quadrinhos irá expor estão incluídos
todos os originais de Spirit, desde 1947.
Por falar em Will Eisner, finalmente a maravilhosa montagem
de 'Avenida Dropsie', peça idealizada por Felipe
Hirsch inspirada em Dropsie Avenue foi notícia nos
EUA, através do consultadíssimo The Beat.
Nuvole in Città: 2 meses de quadrinhos, em
Bolonha
Bolonha leva a sério o título (um pouco auto-outorgado)
de 'Capitale del Fumetto in Italia'. Até o dia 10
de junho, o evento 'Nuvole in Città' toma conta da
cidade, por meio de várias manifestações,
especialmente sessões de autógrafos de autores
italianos e internacionais. A maior lição
que o evento tem a ofertar para outras cidades é
a enorme sinergia que garante o sucesso da iniciativa: além
do governo municipal e regional, estão envolvidas
as fumetterias, os estudantes de Belas Artes, as editoras
e claro, os quadrinhistas. O bom destes eventos é
que eles geram frutos imediatos e outros que esperamos noticiar
daqui há 5, 10 ou 20 anos...
Sebastian X, o surfista da Humanoïdes
Sebastian X, de Michelangelo de la Neve e Stuart Immonen,
anunciado em 2003, finalmente chegou às gibiterias
de França, Bélgica, Suíça e
do Québec, em abril, e contou não só
com o entusiasmo dos bedeïstes mas também de
revistas especializadas em surf. A trama está longe
de ser um passeio pelas ondas. Michelangelo de la Neve criou
um personagem ecologista que enfrenta uma das mais sórdidas
corporações americanas: a indústria
farmacêutica, personificada no reverendo Godstar.
Um prato cheio para os trabalhos em planos abertos do canadense
Stuart Immonen. Em entrevista ao uBC Fumetti, Michelangelo
de la Neve não escondeu a sua satisfação
em poder encontrar uma fórmula de apontar certos
podres poderes atualmente intocáveis em sua pátria,
a Itália.
Apesar do fim do acordo Humanoïdes Associés
/ DC, o surfista vai chegar aos EUA em breve, pela própria
DC.
Sergio Toppi em livro
A Black Velvet Editrice publicou 'Sergio Toppi: Nero su
Bianco con Eccezioni', que mostra a trajetória de
um dos maiores mestres italianos vivos desde seu início
no Corriere dei Piccoli até sua regular presença
em publicações de vários países,
passando por revistas como 'Linus' e Corto Maltese'. O livro
tem 192 páginas e custa 15 euros.
Sins Entido, internacional
A Sins Entido está ampliando seu nome já consolidado
com uma das casas independentes de referência na Espanha.
Um título que projeta a casa nesta direção
é a publicação de um volume de Fats
Waller, do argentino Carlos Sampayo (Alack Sinner) e do
italiano Igort, que versa sobre a vida do genial jazzman
Fats Waller e sua época. Selos que são responsáveis
pela edição do álbum em outros países
dão conta de sua excelência: Coconino (Itália)
e Casterman (França/Bélgica). O primeiro álbum
foi definido como uma 'sinfonia' em quadrinhos, pelos resenhistas
do sempre exigente BD Paradisio.
Nova minissérie de Hellboy
Em junho, Mike Mignola volta a publicar um gibi de Hellboy.
O primeiro depois do sucesso que o personagem teve com o
filme, em 2004. A mini, chamada The Island, tem como atrativo
extra o anúncio da revelação de um
segredo sobre Hellboy.
O novo da Bonelli
O primeiro dos 18 episódios (que tem o particular
detalhe de ser ilustrado por Bruno Brindisi) de Brad Barron
chegou às fumetterie de toda Itália na sexta-feira.
Idealizada e escrita por Tito Faraci, um artista egresso
da Disney, Brad Barron vai navegar entre a ficção
científica, o faroeste ao melhor estilo da Bonelli
e o drama existencial. O próprio Faraci garante que
seu intento é realizar uma série no mais puro
estilo bonelliano. Por falar em Sergio Bonelli, o principal
nome da casa italiana já avisou que a Amazônia
vai entrar no centro das histórias de Mister No.
Principalmente, pelo lado humano.
Uma suite musical baseada em Tintin
Mats Lidstrom, violoncelista sueco residente em Londres,
anunciou uma suite Tintin, dividida em várias peças,
inspiradas na criação de Hergé. O CD
da suite apresentara composições baseadas
em diferentes aventuras de Tintin e seus amigos, como L'Ile
Noire, L'Affaire Tournesol e - claro - Les Bijoux de la
Castafiore. O palco para apresentação do CD,
que conta com a aprovação da Fundação
Moulinsart, é de gala: a Royal Academy of Music,
na capital dos ingleses.
Enfim, os gibis de 75 cents da Alias
Os gibis de 75 cents da Alias Comics começam a chegar
às gibiterias americanas no dia 11. O viés
da safra é nitidamente comercial, na qual se misturam
uma trama policial de Mike S. Miller (Deal with the Devil),
que promete ser o trabalho de melhor qualidade entre as
novidades a 'mangalóides, HQs de terror, mulheres
bonitas e ação pura. O novo esforço
editorial complementa e entrada em cena da Alias, que se
apresentou ao público americano com o anúncio
de XIII, o título que tornou a excelente dupla Jean
van Hamme e William Vance um sucesso absoluto na Europa.
Mudanças no mercado francês
Na França, mais um golpe na editora Semic. Depois
de perder os direitos de publicar quadrinhos da Marvel em
1997. A multinacional Panini vai passar a publicar os títulos
da DC Comics na França. Os fãs não
gostaram muito da mudança, pois o cuidado da Semic
nos gibis e especais sempre foi digno de muitos aplausos.
Quem teve direito a uma ótima notícia na semana
foi a L'An 2. Segundo a própria editora, um acordo
pelo qual a Actes Sud vai passar a integrar o capital da
editora fundada por Thierry Groensteen vai permitir um curso
mais longo e seguro à casa que tem sido um dos espaços
mais avançados na difusão dos quadrinhos autorais
na França.
6º Salão Lisboa de Ilustração
e Banda Desenhada
De 19 de maio a 5 de junho, Lisboa sedia seu maior evento
dedicado à Nona Arte.
A Finlândia é o país convidado e terá
direito a 6 exposições individuais e uma coletiva,
que reúne mais de 20 autores. A entropia, conceito
derivado da física moderna, e que representa o grau
de incerteza de uma informação é a
marca característica do salão desde sua 1ª
edição, mas neste ano, ela está afirmada
como tema central. Segundo informe publicado pela Bedeteca
de Lisboa, 'a sua oferta está centrada no que é
novo e diferente. Não pelo valor da novidade em si,
mas sim pela sua carga ou marca do tempo que a produziu,
quer se considerem os autores, quer as estórias,
ou as técnicas utilizadas'. Para quem acha que a
aposta possa ser alta demais, vale lembrar que foi uma finlandesa
que venceu o festival Fumetto, em Lucerna, noticiado no
resumo da semana passada: Amanda Vähämäki.
Na próxima semana, traremos os outros destaques,
para não esgotar neste resumo um evento tão
importante.
Camarões: hora de Fescarhy 2005
O 7º Festival de Caricatura e Humor de Yaoundé
(Fescarhy), marca a persistência dos artistas da Nona
Arte camaronesa pela afirmação do valor de
seu trabalho. O salão foi aberto no dia 19 de abril,
e segue até o dia 7 de maio. Nós conseguimos
contornar as poucas informações sobre a edição
deste ano com um documento que consideramos oportuno indicar,
para que se tenha idéia aproximada de como é
o ambiente do salão: uma fotogaleria da edição
de 2004, posta online pela editora suíça Paquet,
que claro, põem em evidencia a alegria dos claríssimos
helvéticos em estar irmanados com seus colegas de
Camarões: Confira aqui.
Joe Quesada no Newsarama
Agora, toda sexta-feira, o Newsarama, um dos sites de maior
visibilidade de notícias e previews do que produzem
os quadrinhos americanos, traz uma entrevista com Joe Quesada,
editor-chefe da Marvel. Dan DiDio, editor-chefe da DC, provavelmente
terá um espaço semelhante.
Revista gratuita de 100.000 exemplares sobre BD
Lançada em junho de 2004, a revista Zoo tenta um
novo tipo de modelo de comercialização. Ao
invés de 10.000 exemplares ao preço de banca
de 1,90 euros, vai passar a ter 100.000 exemplares gratuitos
ao público, em junho de 2005, contando que os anúncios
paguem os custos de circulação. No primeiro
número do novo formato, 30 resenhas de lançamentos
de bandes dessinées, tiras, quadrinhos e matérias
especiais sobre Sin City, o filme, 30 anos de Fluide Glacial
e sobre os projetos de L'Association.
RPG da Disney
Kingdom Hearts II (ou Kingdom Hearts 2) é mais um
RPG fruto da colaboração entre a Square Enix
e a Disney Interactive, em que Mickey envergando uma escura
capa, Donald e Pateta estão entre os principais personagens.
Mas as possibilidades de encontrar o personagem com que
você se identifica são inúmeras. Na
verdade, mais de 100 personagens da Disney podem ser 'assumidos'
pelos jogadores. O jogo deve ser lançado no final
do ano
4 novidades da WildStorm
City of Tomorrow, minissérie de 6 episódios
de Howard Chaykin é uma incursão na ficção
científica em que empregados municipais, na verdade
andróides, alteram a paz de uma aparente utopia criada
na Califórnia em um futuro não muito distante,
a partir do momento em que são atingidos por um vírus.
Warren Ellis, com desenhos de J.H. Williams III (de Promethea)
está lançando o gibi 'Desolation Jones', que
sairá bimensalmente. Desolation Jones, um agente
da Inteligência da Grã-Bretanha é o
único sobrevivente de uma experimentação
'científica' que acaba detonando boa parte de sua
identidade, e o leva a aceitar um trabalho não muito
limpo de detetive em Los Angeles.
A argumentista Devin Grayson (Nightwing) e Brian Stelfreeze
são os responsáveis por Matador, uma série
em que o personagem mais interessante é Isabel Cardona,
uma policial de origem cubana discriminada por seus colegas.
A série foi lançada no dia 4.
Já J. Scott Campbell e o roteirista Andy Hartnell,
lançam em junho a edição 0 de Wildsiderz,
terminando um hiato entre seu grande sucesso - Danger Girl
- e um período em que basicamente trabalhou como
capista. Wildsiderz tem pouca coisa de original, mas parece
meticulosamente planejado para vender bem: trata-se de um
grupo de adolescentes que não usam armas, lutam karatê
e, principalmente, usam roupas extremamente vistosas.
Filme do Surfista Prateado
A 20th Century Fox, em fase final para o lançamento
do filme do Quarteto Fantástico, anunciou que já
começou a por em execução a produção
de um filme do Surfista Prateado, em parceria com a Marvel,
tendo Avi Arad como responsável. O filme, em computação
gráfica, contará a origem do herói
criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1966, e que foi uma
das maiores inovações temáticas do
período, na Casa das Idéias, especialmente
por incluir um protagonista cujas preocupações
filosóficas questionavam até os limites do
que seja existência. É bom lembrar que o Surfista
Prateado já foi até desenhado pelo genial
Moebius, o que sinaliza que potencial para um belo filme
sobra. Vamos ver no que dá. Também se anunciou
o 3º filme dos X-Men.
HQ de jornalista do Libération conta como
se lava dinheiro
Denis Robert, um veterano jornalista do Libération,
lançou pelo selo da Dargaud o 1º volume de 'Tout
Va Bien', cujo subtítulo é 'Yvan et la Banquière',
com desenhos de Thomas Clement. Assim, a série de
reportagens que o tornaram célebre no âmbito
do jornalismo investigativo sobre as várias formas
como o dinheiro oriundo das mais várias formas de
trambiques, especialmente das grandes corporações
ganha uma versão que pode ajudar a ampliar um horizonte
muito interessante da Nona Arte.
Novo formato para os quadrinhos europeus?
Pedro Cleto, articulista do mais que recomendável
Jornal de Notícias, do Porto, publicou uma análise
que considera que multiplicação das edições
de comics e mangas no mercado europeu, cm seus baixos preços,
tende a deslocar os criadores de bandes dessinées
do atual formato de álbuns para uma possível
volta das revistas.
Cães invadem o Charles M. Schultz Museum
Desde 23 de abril , e até 26 de setembro, o Charles
M. Schultz Museum, em Santa Rosa, na Califórnia,
sedia a exposição 'Top Dogs: Comic Canines
before and after Snoopy,' que apresenta desenhos de 50 séries
em que os cães são protagonista (ou quase),
como Krazy Kat, Buster Brown, Yellow Kid, Blondie, Little
Orphan Annie, Mutts, Dilbert e Marmaduke.
Outra boa notícia ligada a Charles Schultz é
o lançamento de 'Woodstock: A Birds Eye View', um
livro especial só com tiras do simpático e
inquieto passarinho.
Kid Paddle em Game Boy Advance
Depois de vender 2.5000 álbuns pela Dupuis e de ser
transformado em desenho animado, Kid Paddle, o personagem
de Midam vai virar videogame. A Atari promete que o personagem
estará disponível para os usuários
de Game Boy Advance em novembro. Vejamos se agora o Brasil
terá chance de conhecer Kid Paddle, o engraçadíssimo
personagem cuja 'arma' é o joystick antes do game,
pois além dos quadrinhos, ele já está
no Jetix espanhol desde março...
Novo tipo de humor: scans que comentam o que vai
nos jornalões
Es la Hora de las Tortas, um dos blogs que compõem
a central espanhola de sites de fãs de quadrinhos
Tebelogs, apresenta uma forma jocosa que usa muito bem os
recursos de Internet e seu próprio acervo e conhecimento:
com o título 'la actualidad semanal a través
de los cómics', o blog traz uma forma muito eficaz
e direta de humor: reproduz despachos curtos de notícias
da semana e 'comenta' através da seleção
de uma capa de gibis de super-heróis. A idéia
funciona por que as escolhas são muito bem feitas.
HQs NO BRASIL
I Encontro e Exposição de Comics,
no Rio
Com apoio do Museu Histórico Nacional e espaço
cedido pela Universidade Estácio de Sá, Luciano
Filizola conseguiu realizar um novo marco para os quadrinhos
do Rio: o I Encontro e Exposição de Comics,
evento com o subtítulo 'As Histórias em Quadrinhos
de Nossas Vidas: Mitos e Heróis'
Entre 5 e 7 de maio, o campus Nova América da Estácio,
no bairro popular de Del Castilho, sediou palestras e exibição
de vídeos, além da abertura da exposição
de quadrinhos.
Entre os palestrantes, além do próprio Filizola,
estavam no programa Rodrigo Fonseca, responsável
pela nova linha de quadrinhos da Ediouro e Mark Novoselic,
quadrinhista autor de Topman, que também está
no novo número - o quinto - do fanzine sergipano
O Martelo, de Erick Lima Lustosa. Esperamos em breve noticiar
um balanço do evento.
Wander Antunes estréia na Espanha
L'Oeil du Diable, com roteiros do brasileiro Wander Antunes
e desenhos do galego Tirso Cons, lançado pela casa
suíça Paquet será lançada na
Espanha, pela Recerca Editorial, que escolheu uma data muito
especial para a apresentação da obra: o Salón
del Cómic de Barcelona. Um selo de garantia do texto
de Antunes vai com certeza ajudar a tornar a obra mais difundida:
a tradução ficou a cargo de Enrique Sanchez
Abuli, autor de Torpedo e um dos mais respeitados quadrinhistas
em atividade na Espanha. Wander também concedeu uma
entrevista ao Neorama dos Quadrinhos, publicada na segunda-feira.
Obras Completas de Carl Barks
Mais 2 volumes das Obras Completas de Carl Barks chegam
às bancas e livrarias do Brasil, em maio. Destaque
maior para o volume 11, que reproduz 'O Segredo do Castelo',
publicada pela Editora Abril em O Pato Donald #1, de 1950.
Tintin au Pays de Soviets, no Brasil?
Um anúncio de deixar qualquer apreciador da arte
de Hergé de queixo caído foi veiculado esta
semana, por fontes idôneas. A Companhia das Letras
estaria pensando em publicar 'Tintim no País dos
Sovietes', uma versão do primeiro álbum de
Tintin. Por mais que gostemos da idéia, ainda vamos
apurar melhor a informação (a editora não
nos retornou uma comunicação) pois é
difícil crer que a obra que ainda não teve
versões autorizadas em mercados que são fiéis
a Tintin há décadas o seja exatamente no Brasil,
aonde a editora está retomando a série, dando
a ótima oportunidade dos jovens leitores conhecerem
a mais fundamental obra da nona arte de expressão
franco-belga, depois de um longo período de descontinuidade.
Ivan Reis: Rann-Thanagar War 1, esgotado
As minisséries relacionadas com o evento Infinite
Crisis, da DC, têm sido uma sucessão de edições
esgotadas. No caso do brasileiro Ivan Reis, o primeiro de
6 gibis de Rann-Thanagar War, em que ele divide a arte com
Marc Campos (o roteiro é de Dave Gibbons), também
foi completamente vendido, 2 semanas antes do lançamento,
marcado para 11 de maio. Uma reimpressão já
foi providenciada, com a mesma arte da capa, apenas com
mudanças na colorização.
Henfil na TV
A semana terminou com um brinde à memória
do traço nacional. O Canal Brasil exibiu, no sábado,
o documentário 'Cartas da Mãe', de Marina
Willer e Fernando Kinas, com narração de Antonio
Abujamra, que apresentou entrevistas e animações
feitas pelo Henfil, entremeadas com leituras de trechos
de cartas que ele escrevia para sua mãe - Dona Maria,
e que ficaram gravadas na memória de quem leu o livro
e as crônicas do mesmo nome.
Miguel Imbiriba, numa entrevista em português
Gonçalo Garcia, o quadrinhista português que
vem obtendo visibilidade com seu SAD no mercado francês,
nos brindou esta semana com a primeira matéria de
fundo em português sobre a trajetória do brasileiro
Miguel Imbiriba no mercado das bandes dessinées.
Numa entrevista publicada pela Central Comics, Miguel Imbiriba
teve oportunidade de falar sobre a receptividade a seu trabalho
com o primeiro volume de Myrkos, pela Dargaud, e da enorme
dose de suor e perseverança que teve até chegar
a esta vitrine.
Quadroid 2
Já está online o número 2 da revista
digital Quadroid. A revista bimestral vem com 3 HQs de gênero
e estilo bastante diferentes: 'A Casa', uma história
de terror de Alexandre Lobão e Wace; Rakkar, uma
sátira às HQs de bárbaros no traço
do novo talento Fabiano Pallante e uma história de
ficção científica de E.C.Nickel, chamada
'Numa Terra Estranha'.
Aquablue, nova série francesa no Brasil
O Neorama dos Quadrinhos obteve autorização
para publicar uma resenha do pesquisador português
José de Matos-Cruz, a partir da edição
de Aquablue pela Asa. A série deve ser lançada
no Brasil este ano, pela Ediouro.
Aquablue é uma saga de fantasia heróica, cuja
inspiração referencia os conflitos universais
entre ganância e resgate. Nela, os argumentistas Thierry
Cailleteau e Olivier Vatine, também ilustrador, mostram
um jovem sobrevivente de um naufrágio de uma nave
galáctica, que chega a um planeta cujos pescadores
o tomam por mensageiro dos deuses... Segundo Matos-Cruz,
Vatine procura uma nova gramática visual para a arquitetura
do imaginário, e 'o resultado é deslumbrante,
prodigioso...'
Ziraldo assume o Caderno B do JB
O Jornal do Brasil escolheu um dos maiores nomes da Nona
Arte brasileira para passar a dirigir o seu caderno cultural,
criado há 45 anos. A primeira boa consequência
é que aumentou o número de tiras publicadas
pelo matutino carioca.
Um mangá cult no cinema
Old Boy, baseado no mangá do mesmo nome de Minegishi
Nobuaki e Tsuchiya Garon, publicado em 8 volumes pela editora
japonesa Futabasha chega no dia 13 de maio a algumas salas
de cinema do Brasil. Ambientado na Coréia do Sul
e na Nova Zelândia, o filme, dirigido por Park Chanwook,
tem um 'detalhe' todo especial: foi vencedor Grande Prêmio
do Júri no Festival de Cannes, em 2004.
DVD de Batman
'Batman Animated Series: The Legend Begins' é o novo
título que traz o Homem-Morcego às videolocadoras
do Brasil. A fita traz uma mostra de 110 minutos da série
animada que teve um grande sucesso de público na
TV norte-americana nos anos 90. Um extra que merece destaque
é o 'Vamos Desenhar Batman & Superman', que aumenta
a interatividade do DVD e possibilita horas adicionais de
curtição para a garotada.
Berserk e Angel Sanctuary chegam ao Brasil
Berserk, o mangá de Kentaro Miura, que já
tem inúmeras versões pelo mundo, finalmente
chega às bancas braseiras, pela Panini, assim como
Angel Sanctuary, de Kaori Yuki, outro campeão de
vendas internacional.
Berserk versa sobre um guerreiro que vaga alheio ao mundo
tomado pela corrupção e pela decadência.
Angel Sanctuary traz uma história de um amor proibido.
Berserk tem formato semelhante ao de Éden e Angel
Sanctuary, semelhante ao de Peach Girl. As edições
estão sendo traduzidas direto do japonês, mantendo
a leitura 'invertida'. Cada edição brasileira
vai equivaler a meio tankobon (de 100 a 120 páginas).
Ambos são desaconselháveis para menores.
Nova revistas com o selo Marvel
Agora em maio estréia Geração Marvel,
um novo gibi da Panini que procura atingir leitores mais
jovens, com personagens clássicos - como Homem-Aranha
e Quarteto Fantástico - em adaptação
para os dias de hoje, reproduzindo o que é publicado
pela linha Marvel Age, dos EUA. A revista, em formatinho,
terá 52 páginas e distribuição
setorizada.
A revista O Incrível Hulk se transforma, em julho,
em Universo Marvel – uma publicação
mensal de 100 páginas que trará algumas novas
séries para o Brasil, que até então
não tinham onde ser publicadas.
Uma graphic novel do Brasil
Octavio Aragão, que já foi coordenador de
arte do jornal O Globo e subeditor de arte do jornal O Dia
(o maior papão de prêmios internacionais na
área, no Rio) lançou o universo Intempol,
um projeto de ficção científica 100%
nacional. Como fruto desse projeto, sai, no dia 15, 'The
Long Yesterday', versão em quadrinhos de um conto
do livro 'Intempol: uma Antologia de Contos sobre Viagens
no Tempo, de 2000. Com roteiro de Osmarco Valladão
e arte de Manoel Magalhães, o thriller policial sairá
pela Editora Comic Store com 48 páginas em cores,
papel couché, no formato magazine ao preço
de 30 reais. Segundo os autores, a obra contem uma 'vocação
macunaímica que mescla os romances de Raymond Chandler
aos quadrinhos de Moebius e Daniel Torres'. Vamos esperar
para ver o resultado de uma aposta tão alta, mas
de quem conhece o chão em que pisa.
Mostra de Samuel Casal
Com visitação gratuita até 29 de maio,
Samuel Casal, o tricampeão do Troféu HQ Mix
do ano passado, expõe 25 gravuras feitas em linóleo,
que procuram nos ajudar a refletir sobre a influência
´da coexistência entre homens e animais. A mostra
acontece no Museu do Trabalho, em Porto Alegre. Samuel Casal,
atualmente editor de arte do Diário Catarinense -
de Florianópolis - também é responsável
pelo fato dos catarinenses terem um ilustrador de qualidade
singular em suas mãos, regularmente: ninguém
menos que Juarez Machado.
QUADRINHOS, EDUCAÇÃO & CIDADANIA
A história do Chile em quadrinhos, em 20
volumes
Já saiu o 1º volume de Histocomix, a história
do Chile em quadrinhos. O projeto da série prevê
que sejam lançados 20 volumes sobre 4 períodos
da história do país, cada um com 5 álbuns.
Os 4 períodos escolhidos são: a Guerra de
Arauco, a Independência, a República e a Guerra
do Pacífico. A obra retoma uma tradição
chilena no setor, especialmente, da antológica revista
Mampato. Pelo que nos contam os colegas do portal Ergocomics,
a obra vai melhor em qualidade de documentação
histórica do que em desenhos. O que é uma
tendência que pode ser revertida mais facilmente do
que se ocorresse o contrário...
O primeiro número relata a descoberta do Chile, e
tem encontrado uma boa divulgação tanto paga
quanto jornalística. Vejamos se este exemplo contagia
outros editores.
USA Today: HQs são perfeitamente válidas
para a educação
O jornal de circulação nacional USA Today,
surpreendeu ao publicar um extenso artigo na quarta-feira,
no qual os quadrinhos são considerados um instrumento
completamente válido para o apoio à educação
formal. Um dos fios condutores da matéria foi o crescente
número de educadores e bibliotecários que
apóiam o uso de gibis nas escolas. A matéria
arremata com uma lista de gibis recomendáveis para
leitura, a partir de 12 anos, que inclui Sandman, Usagi
Yojimbo, Persepolis, Blankets além de gibis e mangás
do mainstream.
Wesley Duke Lee, inspirado em HQ
O nome de Wesley Duke Lee, dentro do panorama artístico
dos anos 60, no Brasil, é quase um rasgo de luz na
noite da censura. Naquele tempo, ele conseguiu, com uma
arte conceitual que os censores não entendiam e portanto
não barravam, dar o único recado crítico
que alfinetava algumas cabeças antenadas no Brasil,
com a introdução das dimensões do espaço,
tempo e tecnologia nas artes plásticas, associados
a uma contundente forma de expor os produtos da chamada
cultura de massas. Em 1966, ele foi um dos fundadores da
Rex Gallery, que sobreviveu até 1967 como um museu
vivo, palco de experimentação e lançamento
de novas idéias.
Pois é o fervor dos anos 60 que está exposto
agora em 38 desenhos nunca expostos antes, na Pinacoteca
do Estado, em São Paulo. Do alto de seus 73 anos,
Wesley Duke Lee não esconde que a maior série,
de 30 trabalhos, é uma adaptação de
uma histórias em quadrinhos sobre a vida da atriz
norte-americana Jean Harlow. Ingressos a 4 reais (2 para
estudantes), sendo que aos sábados o ingresso é
gratuito.
'Jornal na Sala de Aula': HQs nas mãos dos
alunos
O projeto Jornal na Sala de Aula, do Diário do Nordeste
(de Fortaleza) existe há 8 anos. Seu principal objetivo
é desenvolver o hábito de leitura entre alunos
de escolas públicas. Numa nota desta semana, o jornal
publicou que na Escola Municipal Germano José do
Nascimento, o jornal serve até de tema de esquetes
e peças nas aulas de teatro. Desde os classificados
até as charges e as histórias em quadrinhos,
tudo é aproveitado pelos professores na sala de aula.
Para quem conhece as charges do Sinfrônio e as tiras
do Capitão Rapadura, é mais do que animador
fechar os olhos e imaginar as crianças debatendo
estas criações na sala de aula....
Corpo de Bombeiros de Fortaleza: pioneiro na A. Latina
O Colégio Militar do Corpo de Bombeiros de Fortaleza
anunciou a criação de uma revista educativa
de HQs direcionada ao público infantil.
O personagem central - Capitão Tocha - vai passar
mensagens de prevenção de acidentes e incêndios.
15.000 exemplares já estão garantidos, o que,
se bem distribuído, pode alcançar uma fatia
mais do que ponderável da população
fortalezense. A Universidade de Fortaleza (Unifor)é
a principal aliada do projeto. Segundo o comandante do colégio,
coronel Duarte Frota, é a primeira publicação
do tipo na América Latina.
Quênia: uma HQ contra a AIDS
Uma HQ educacional sobre HIV/AIDS foi criada no Quênia,
pelo médico Kimani Njogu, que também dirige
com sucesso um programa de rádio sobre o mesmo assunto,
aproveitando um traço cultural dos quenianos: a primeira
coisa que eles costumam ler nos jornais impressos são
as tiras. O médico diz que o gibi consagra seu antigo
desejo de colocar a cultura popular a serviço da
saúde.
Os personagens do gibi abordam com sutileza e doses de afetividade
o tema, mostrando as realidades de 3 ambientes sociais diferentes
do país. Pelo que nos informam os colegas do Réseau
Africain de Presse, o gibi não só agrada imensamente
à população como tem o apoio da imprensa
queniana, que consagra uma média de 3 notas sobre
a iniciativa, por semana, desde que ela foi lançada,
há 4 anos. Sem dúvida, uma combinação
de recursos muito melhor do que o apelo invasivo e descontinuado
sobre o tema do atual governo do Brasil.
Uma outra iniciativa no mesmo sentido acontece em Los Angeles
(EUA), no dia 15 de Maio. Trata-se do Hard Heroes 2, uma
festa à fantasia no MJ's Bar em que as pessoas irão
vestidas de personagens de HQs, e cuja verba será
revertida para a OnG Being Alive, que dá apoio a
aidéticos.
225 peças arqueológicas em mostra
de Astérix
La Pulperie de Chicoutimi, um complexo de atrações
culturais e turísticas dedicado à valorização
do patrimônio de Saguenay - Lac-Saint-Jean (no Québec)
e também à difusão da arte e da história,
leva aos canadenses a forma interessante de associar a genial
criação de René Goscinny ao conhecimento
arqueológico criada pelo museu de Leiden, o Museu
Nacional de Antiguidades da Holanda.
Assim, até 8 de janeiro de 2006, os jovens de todas
as idades do Québec podem se maravilhar com peças
que reconstituem, minuciosamente, a vida quotidiana na aldeia
gaulesa de Astérix, dos instrumentos usados na medicina
à época até as forjas da quais saíam
as armas dos guerreiros.
Brinquedotecas
A Associação Brasileira de Brinquedotecas
- ABBri - está promovendo uma campanha para aumentar
o número de associados em todo o Brasil. O principal
objetivo é ampliar a capacidade de formar novos educadores
especializados em brinquedotecas. O número de brinquedotecas
no Brasil atualmente anda na casa de 3.000. Porém,
na maioria deles, não há profissionais com
qualificação adequada. Dificilmente se poderia
querer melhor parceiro para a Nona Arte brasileira. Mas
como não há nenhuma entidade que organize
os profissionais do setor, resta apenas esperar que uma
de nossas editoras de quadrinhos consiga perceber as possibilidades
que estes grande número de centros de convívio
infantil oferece. O número deve aumentar, pis uma
lei aprovada em março torna obrigatória a
instalação de brinquedotecas em unidades de
saúde que ofereçam atendimento pediátrico
em regime de internação. A ABBri também
publica o periódico informativo O Brinquedista.
Ziraldo na 5ª Feira Nacional do Livro
A 5ª Feira Nacional do Livro, de Ribeirão Preto,
espera 290.000 visitantes e 300 escritores brasileiros e
estrangeiros. Para acelerar a divulgação do
evento - que acontece em setembro, a organização
da feira escolheu divulgar em primeiro lugar 2 nomes: o
do Ziraldo e da acadêmica Nélida Piñon.
Ambos com a marca de ser não só bons artistas,
mas também de ser agentes da integração
da criação nacional com a de outros países.
|
subir
www.simplicissimo.com.br
Copyright © 2003-2005 - Rafael Luiz Reinehr - Todos
os direitos reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir
os textos do site, mas não esqueça de citar
a fonte e o autor.
|
|
Agora
você pode comprar seus livros preferidos aqui mesmo pelo Simplicíssimo
e, ainda por cima, ajudar a manter o site funcionando!
Compra
através do banner aí embaixo que estarás doando 4%
do valor de suas compras ao Simplicíssimo!

Pegue o banner
do Simplicíssimo
e divulgue em seu
sítio ou blógue!

Línque
para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!
|

Gentileza
prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto
Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em
tamanho maior no blógue do amigo.
|
|

Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
|
|