Sem sair do tom

Quem saiu do Brasil a mais ou menos um mês atrás e voltou por agora deve estar achando que está em algum tipo de viagem psicodélica. O Robert aí, que denúncia todo mundo era o corrupto dos corruptos. Agora dá autógrafo em supermercado. Não tem jeito. É manchete da Veja, é notícia no Jornal Nacional o povo toma como verdade absoluta. Como vai Quem saiu do Brasil a mais ou menos um mês atrás e voltou por agora deve estar achando que está em algum tipo de viagem psicodélica. O Robert aí, que denúncia todo mundo era o corrupto dos corruptos. Agora dá autógrafo em supermercado. Não tem jeito. É manchete da Veja, é notícia no Jornal Nacional o povo toma como verdade absoluta. Como vai se contestar algo se é a Fátima Bernardes que tá dizendo? Pois é gente. Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia. Se tudo fosse tão fácil assim, se toda a notícia fosse incontestável. Mas não. Questionar é preciso. É preciso saber onde se quer atingir, quem se quer atingir, como se quer atingir. É preciso aprender a ler nas entrelinhas.

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E hoje começa tudo de nov tudo novo. Tudo passa viu? Hoje abri o guarda roupa peguei a minha LV e saí. E hoje tudo começa como se fosse ano novo. Hoje eu deixo pra trás todos vocês, fantasmas que me perturbaram durante esses meses. Vocês todos. Hoje eu volto a ser eu. Volto a saber que o dia que vem é sempre melhor do que hoje, e que hoje está sendo melhor que ontem. E acreditando que sempre se pode tudo, e tudo que se quer se consegue é só uma questão de saber como focar seus objetivos. Hoje ninguém me tira a certeza de que meus planos deram e vão dar certo. Que tudo foi escrito de uma maneira meio estranha, mas que sempre eu no final me saio bem. Eu sei que me saio. Me viro bem nos 30. Me viro bem sozinha. Me viro bem com Banessa. Eu sei tudo que posso. Hoje eu não recomeço. Eu começo. Eu e a minha LV.

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Eu não tomo decisões. Eu já falei uma vez que vivo na Terra do Nunca que meu complexo é de Peter Pan e não de Cinderella. Como eu gostaria de ter me dado conta disso quando podia viver voando de janela em janela ou em cima dos telhados das casas. Talvez eu aproveitasse mais a Terra Do Nunca do que hoje. Ms isso não importa ou importa demais. As decisões que não tomo acabam sempre voltando. E quando resolvo tomar alguma as vezes o tempo já passou, as vezes fiquei pra trás. Talvez seja hora de não pesar tanto prós e contras, de parar de me questionar tanto e ir atrás. De novo. É. Outra vez. Mais uma vez.