Salvador Elizondo – Farabeuf

            Quem resolver se aventurar na leitura de Farabeuf deve munir-se de cautela. Extrema. Deve saber que deverá ser extremamente tenaz na leitura de seus dois primeiros capítulos. O escritor dará de tudo para que você desista da leitura. Haverá momentos em que seu desejo será de rasgar o livro em mil pedaços e amaldiçoar aquele seu amigo que o indicou a leitura da obra. Acontece que a perseverança quase sempre é premiada.

Salvador Elizondo – Farabeuf

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            Quem resolver se aventurar na leitura de Farabeuf deve munir-se de cautela. Extrema. Deve saber que deverá ser extremamente tenaz na leitura de seus dois primeiros capítulos. O escritor dará de tudo para que você desista da leitura. Haverá momentos em que seu desejo será de rasgar o livro em mil pedaços e amaldiçoar aquele seu amigo que o indicou a leitura da obra. Acontece que a perseverança quase sempre é premiada. Já ao começo do terceiro capítulo, um pequeno vão entre grossas cortinas de veludo deixa escapar um tênue fio de luz, que indica ao leitor a presença de algo iluminado ali atrás. Isso dá fôlego para seguir na leitura e descobrir, página a página dali adiante a genialidade deste escritor mexicano.

            Já ao final do terceiro capítulo estamos capturados e plenamente necessitados de descobrir, afinal, o que está acontecendo. Do que se trata esta história, aparentemente tão sem pé nem cabeça, que nos é introduzida de forma ora poética ora delirante e que desliza entre a memória e o esquecimento, usando fluxos de tempo e rápidas e constantes trocas de voz narrativa para confundir e prender o leitor.

            Ao término da leitura deste livro, feito para ser lido pelo menos 3 vezes, dá vontade de aplaudir. De pé, como se faz quando somos tomados de verdadeira emoção. Para quem gosta de escrever, é uma mão cheia: o livro é repleto de idéias tão diversas e estímulos tão distintos que você vai precisar de um bloco de anotações para apontar todas suas percepções.

            O ideal seria lê-lo em uma sentada só. Eu o fiz em três dias, em cerca de 6 horas pulverizadas neste intervalo. Necessita de muita atenção, silêncio e concentração para uma boa leitura.    

 

Amauta Editorial – 2004 – Tradução de Marcelo Barbão